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Bangladesh conquista mercado de camisas

De acordo com o divulgado pelo Emerging Textiles, serviço informativo especializado no comércio internacional de têxteis, as importações da UE de camisas de tecido de algodão para homem e criança continuaram a aumentar ao longo do ano passado, com uma parte significativa do mercado europeu a ser partilhado pela Índia e o Bangladesh. As exportações da Turquia, Roménia e Bulgária também aumentaram durante 2003.

Após a subida de 2,24% registada em 2002, as importações da UE de camisas de tecido de algodão para homem e criança aumentaram 10,38% em termos de volume ao longo de 2003, cifrando-se nas 274,77 milhões de peças. No entanto, em termos de valor, as importações europeias registaram uma subida de apenas 0,61%, cifrando-se nos 1,67 mil milhões de euros após uma quebra de 8,85% no custo unitário médio, que se encontra nos 6,06 euros por unidade.

Devido aos preços extremamente baixos, o Bangladesh continua a conquistar maior volume de mercado. Com 66 milhões de peças exportadas para a UE, o volume de importações registou uma subida de 26% em 2003, sendo o Bangladesh responsável por uma quota de mercado que subiu dos 21%, em 2002, para os 24%.

Os exportadores do Bangladesh tiveram a vantagem de uma nova quebra nos seus preços, que decresceram 15,64% em 2003 após uma quebra de 2,48% em 2002. Com um custo unitário de 3,08 euros, as camisas com origem no Bangladesh são 50% mais baratas do que o preço médio das importações da UE. Para além dos baixos custos salariais, o Bangladesh beneficia ainda do acesso isento de quotas ao mercado da UE.

Os exportadores indianos continuaram sujeitos aos limites da UE, com as exportações a subirem apenas 5% em termos de volume como consequência. A utilização da quota da Índia nos artigos da Categoria 8 (camisas em tecido de algodão, lã ou fibras artificiais para homem e criança) chegou aos 101,56% em 2003 (95,99% após ajustamento pelas autoridades da UE), num sinal claro que os exportadores indianos poderão vender uma maior quantidade de camisas no futuro.

A Índia é o principal fornecedor da UE em termos de valor, com as suas exportações a cifrarem-se nos 211 milhões de euros em 2003. O preço médio da camisa indiana é superior ao do Bangladesh, cifrando-se nos 4,74 euros, o que possivelmente reflecte uma melhor qualidade nos artigos exportados. No entanto, exceptuando o Bangladesh, este valor é menor do que o praticado por diversos exportadores.

A Turquia permanece como terceiro principal exportador da UE, graças ao seu acesso isento de quotas e tarifas ao mercado europeu. As importações com origem na Turquia aumentaram 30% em termos de volume em 2003 após a subida de 31% que foi registada em 2002. A quota da Turquia do mercado aumentou dos 5,23% em 2001 para os 7,93% em 2003. Com um preço médio unitário de 8,58 euros, é provável que a Turquia esteja a mudar para o segmento mais alto do mercado.

Apesar dos produtores indianos poderem ameaçar os fornecedores turcos em 2005, estes continuarão a pagar uma tarifa de 12% na entrada ao mercado europeu (tarifa que é de 9,6% ao abrigo do acordo generalizado de preferências). As camisas com origem no Bangladesh poderão beneficiar do acesso isento de tarifas ao mercado da UE, mas ao abrigo de regras de origem restritas.

A Roménia e a Bulgária ocupam o mesmo segmento de mercado com sucesso semelhante, provavelmente devido à deslocalização dos produtores europeus e turcos para estes países. As importações da UE com origem na Bulgária aumentaram 19% em 2003, enquanto as exportações da Roménia aumentaram 3,91%.

A China não vai provavelmente ameaçar outros fornecedores durante o próximo ano. As suas exportações para a UE registaram um decréscimo nos últimos dois anos e a utilização da quota não chegou aos 100%.

Para mais informação sobre a utilização das quotas às importações nesta categoria de produtos, pode consultar a ficha informativa (Ficha Produto – Camisas de uso Masculino de Tecido) desenvolvida pelo Observatório Têxtil e disponível no PortugalTextil.com