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Bangladesh cresce apesar da recessão – Parte 2

Apesar das diversas debilidades infra-estruturais do Bangladesh (ver Bangladesh cresce apesar da recessão – Parte 1), as actuais melhorias nos terminais e nas alfândegas tiveram um impacto positivo. A liberação das mercadorias passou de um prazo de 12 a 13 dias, registado no ano passado, para um prazo de 3 dias. Em Novembro, foi criado no Bangladesh um sistema informatizado de automação aduaneira. O sector de vestuário está a contar com estes desenvolvimentos para atingir em 2013 o objectivo de 25 mil milhões de dólares de exportações por ano. A associação local de produtores e exportadores de vestuário refere que o Bangladesh também vai tentar avançar para novos mercados de exportação, como: Austrália, Japão, áfrica do Sul, Rússia e antigos países da extinta URSS. O Bangladesh possui uma grande vantagem sobre os outros actores globais ao nível do preço, conseguindo reduzir os preços enquanto a índia e a China reajustaram os seus preços em linha com o aumento nos custos das matérias-primas. Uma dúzia de pólos para homem em algodão fabricados no Bangladesh para os EUA, custavam 46,10 dólares em 2000, enquanto que em 2007 custam 37,95 dólares. Em comparação, o mesmo artigo no Camboja iria custar 48,69 dólares, e 53,96 dólares na índia, de acordo com o United States International Trade Comission (USITC). Do mesmo modo, uma dúzia de t-shirts de algodão exportadas para a UE27 custavam 19,56 dólares em 2006, mas apenas 15,60 dólares em 2007, significativamente menos do que o concorrente mais próximo, o Camboja, onde o mesmo artigo custa 29,04 dólares, segundo o Eurostat. A produção de média a baixa qualidade vai provavelmente assegurar a continuidade das encomendas ao longo da actual crise financeira no Ocidente, a qual origina uma tendência para a diminuição na procura de artigos de vestuário de gama mais elevada, refere Ramsingh Raguwanshi, director geral do East West Industrial Park. O East West Industrial Park é um complexo orientado para a exportação, produzindo calças de uso formal, blazers e fatos, com 70% das exportações direccionadas para o Reino Unido para retalhistas como: Tesco, Littlewoods, Marks & Spencer, Asda e Matalan, e os restantes 30% das exportações são destinados aos EUA, para: Perry Ellis, PVH e Haggar. A actual desaceleração mundial ainda não afectou significativamente o sector, acrescenta Raguwanshi, mas ele refere que se os fabricantes não cumprirem os prazos, os compradores pedem geralmente descontos e o pagamento de encargos, algo “que antes não acontecia”. No entanto, outros fabricantes, especialmente para o mercado norte-americano, têm sentindo problemas, disse Shahid Reza, director da Step Two Apparels, que exporta t-shirts, camisas e calças para: França, Itália e Reino Unido. “Há seis meses atrás, um comprador colocaria uma encomenda de 150.000 peças, mas agora só coloca 50.000”, acrescenta o responsável. Reza refere ainda que o sector também foi prejudicado pelo enfraquecimento da Taka (moeda local), causando perdas em cartas de crédito previamente acordadas. Além disso, as encomendas modificaram-se com as condições climatéricas, acrescenta Rahman. “Tem havido uma mudança de encomendas nos últimos anos devido ao aquecimento global, com menor procura na Europa por camisolas de malhas grossas, em relação a camisolas de malhas médias e leves”, refere Rahman. Em termos de máquinas e melhorias das fábricas, muitos fabricantes locais estão a adoptar uma abordagem de “esperar para ver” como se desenrola a actual crise financeira internacional.