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Banho sem desperdício

Do algodão orgânico às toalhas feitas a partir de PLA extraído de milho, a oferta para banho “made in Portugal” assume a defesa do meio ambiente e propõe alternativas às matérias-primas mais poluentes.

Lasa

O cuidado com o planeta na casa de banho não se faz apenas com a poupança de água no banho, mas também na forma como os têxteis que usamos para nos secar foram produzidos. Na onda da ecologia nos têxteis-lar, as empresas lusas mostraram em Frankfurt que a sustentabilidade é não só uma tendência mas também uma forma de estar.

Integrada, juntamente com 11 outras empresas portuguesas, no Green Directory, um catálogo que destaca as empresas e produtos mais ecológicos a cada edição da Heimtextil, a Bomdia aposta no algodão orgânico para conquistar clientes cada vez mais bem informados. «É ainda um nicho para nós. Começámos a fazer porque o mercado nos pediu», revela o CSO João Gonçalves, que aponta precisamente a Alemanha como um mercado de eleição para este tipo de artigo. «Não é algo que se vende em todos os países. Os países latinos ainda estão um bocadinho mais atrás de países como a Alemanha, a Dinamarca e os nórdicos em geral», explica ao Jornal Têxtil.

Felpinter

Mas se, em termos de matérias-primas, é mais ou menos recente, no processo produtivo a preocupação não é nova. «Tentamos sempre reduzir ao mínimo a nossa pegada ecológica. Temos tratamento de águas residuais e de resíduos, cumprimos tudo daquilo que é a legalidade. Mas, por iniciativa da empresa, também procuramos reduzir sempre ao máximo o número de cartões e de plásticos que usamos – apesar de, às vezes, serem uma imposição dos clientes e termos mesmo de usar. Da nossa parte, quanto menos usarmos melhor, tanto a nível de custos como a nível de sustentabilidade», assume João Gonçalves.

Certificar para ganhar

É neste caminho que muitas empresas de roupa de banho têm procurado evoluir, nomeadamente com certificações. Entre os 47 membros portugueses da Better Cotton Initiative, que pretende tornar a produção, e consequentemente a utilização, de algodão mais sustentável, contam-se empresas como a Mundotêxtil, a Felpinter e a Villafelpos. Com a certificação GOTS, para algodão orgânico, estão atualmente 27 empresas nacionais, incluindo a Lasa, a Fábrica de Tecidos do Carvalho e a Neiper. «A certificação GOTS é algo que está a ficar cada vez mais na moda», afirma Marta André, administradora da Neiper. «A maior parte das empresas já dizem que para 2025 ou 2026 querem que seja tudo 100% com certificação GOTS», indica.

A Neiper, que exporta mais de 90% da produção para mercados na Europa e nos EUA, investiu também numa nova toalha à base de PLA proveniente da extração do açúcar do milho. «Lançámos ainda um outro produto à base de cupro, também ligado à sustentabilidade porque é biodegradável», adianta Marta André ao Jornal Têxtil.

Sorema

Além dos produtos, a produtora de felpos tem feito investimentos em energias renováveis, incluindo painéis solares. «E também estamos a remodelar máquinas nesse sentido, não só para nos tornarmos competitivos mas também para reduzir o custo da energia, que é benéfico para nós e para o ambiente», sublinha a administradora da Neiper.

Uma política seguida igualmente por empresas como a Sorema, que tem um sistema de cogeração que permite poupanças energéticas de cerca de 40% em comparação com os equipamentos de energia e de aquecimento convencionais.

Os investimentos na sustentabilidade espraiam-se a empresas como a JF Almeida, a Mundotêxtil e a Moretextile e não deverão ficar-se por aqui, havendo já novas apostas anunciadas. É o caso da Villafelpos, por exemplo, que está a trabalhar numa marca focada na sustentabilidade e com produtos diferenciadores sob um conceito biológico e orgânico, a ser lançada até ao final do ano.