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Banqueiros alertam que crise pode prolongar-se

Os líderes dos principais bancos nacionais deixaram, esta quinta-feira, o alerta de que a crise ainda não acabou. E refutaram as acusações de não disponibilizar os empréstimos garantidos pelo Estado às empresas.

Paulo Macedo

Alvo de críticas por parte dos empresários e até do primeiro-ministro, que acusam a banca de não estar a disponibilizar, às empresas, os empréstimos garantidos pelo Estado, os responsáveis da CGD, Novo Banco, BPI e BCP recusam que estejam a falhar aos empresários, avança o Expresso.

Os banqueiros refutaram esta ideia na SIC Notícias, no âmbito do CEO Banking Forum, uma parceria do canal televisivo com o Expresso e a consultora Accenture.

João Pedro Oliveira e Costa

Em números gordos, os bancos têm aprovados 3.850 milhões de euros no âmbito das linhas de crédito garantidas pelo Estado. A Caixa deverá aprovar 800 milhões de euros de créditos, o BCP 1.450 milhões e o Novo Banco 1.000 milhões, dos quais 400 milhões de euros já chegaram às empresas. Já o novo CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, referiu 600 milhões de euros, dos quais 52% já contratados.

Paulo Macedo, presidente da Caixa, afirma que o «dinheiro está a chegar, com uma banca que está a cumprir o seu papel, da mesma maneira que o Governo está a cumprir, com políticas anticíclicas».

O presidente do banco estatal frisa que «é sempre fácil e popular» criticar os bancos.

Ainda assim, quer Paulo Macedo, quer o presidente do BCP, Miguel Maya, adiantam que «nem todas as empresas estão desesperadas por dinheiro, nem todas querem o dinheiro para já». Maya explica que «há empresas prudentes a quererem abrir o crédito, mas para se salvaguardarem, ao contrário de outras empresas que estão mais aflitas».

No entanto, o papel da banca não se resume às linhas de crédito. Os banqueiros, apesar de afirmarem que os bancos estão em melhores condições para ajudar a economia nos próximos tempos, reconhecem que o mais difícil da crise criada pela pandemia de Covid-19 ainda está por vir. O incumprimento vai aumentar, há empresas que vão falir e a recuperação económica poderá demorar mais do que um ano.

Miguel Maya

Apesar desta constatação, o CEO do BPI nota que já existe uma tímida reanimação económica após o confinamento. «O crédito a pequenos negócios tem vindo a aumentar», garante João Pedro Oliveira e Costa.

O presidente do Novo Banco, por sua vez, prefere destacar o papel da banca. «O papel da banca vai ser muito mais importante na segunda fase da reconstrução, que vai ser muito mais difícil», afirma António Ramalho.

Outro tema que preocupa os banqueiros tem a ver com o crédito malparado. Para os responsáveis dos quatro maiores bancos nacionais tudo vai depender dos prazos das moratórias de crédito, que atualmente permitem que as empresas e particulares não paguem prestações até ao final de setembro.

António Ramalho

«É obvio que é preciso prolongar essas moratórias. O final do ano não é suficiente», sublinha Miguel Maya. «Os bancos, se forem atrás do ruído, aguentam pouco tempo. Se nos mobilizarmos para fazer diagnósticos corretos, se unirmos esforços, estou absolutamente convencido de que o sistema financeiro tem condições para apoiar a economia», assegura o presidente do BCP. Mas deixa um aviso: «ninguém se iluda, que há aqui 15% ou 17% das empresas que não tem condições para sobreviver».