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Barata Garcia regista maior aumento das exportações

No ano do seu 30.º aniversário, a Barata Garcia recebeu um prémio atribuído pelo CENIT que reconhece o maior aumento das exportações, conseguido pela rápida adaptação ao mercado por parte da empresa, que no ano passado se voltou para os equipamentos de proteção.

João Barata Garcia

O galardão atribuído nos Prémios de Excelência Empresarial sob a chancela do CENIT, confessa João Barata Garcia, administrador da empresa, «representa muito, vem acrescentar a esta nossa data algo especial. Não estávamos à espera, mas foi graças ao esforço de uma equipa extraordinária que conseguimos atingir este objetivo. Num ano de pandemia, as nossas empresas tiveram que se reinventar».

Uma estratégia que não será abandonada. «Vamos continuar a reinventar-nos», salienta João Barata Garcia. «Tivemos a sorte de rapidamente mudar a nossa estrutura e a nossa flexibilidade e produzirmos artigos para proteção individual – esse foi o resultado do nosso esforço», afirma ao Jornal Têxtil.

Em 2020, a empresa exportou a totalidade do seu volume de negócios, na ordem dos 21 milhões de euros. «Quando veio a pandemia, os nossos clientes habituais começaram a não comprar e rapidamente conseguimos virar o nosso foco para produtos de proteção individual. Tivemos uma grande capacidade de adaptar a nossa produção para essa área e foi aí que demos o salto dos milhões para exportação, contra tudo e contra todos», explica João Barata Garcia.

[©Barata Garcia]
No ano passado, a empresa vendeu cerca de 6 milhões de euros em máscaras, sobretudo para a Alemanha e a Suíça. Um mercado que chegou com a pandemia e “acabou” em janeiro deste ano. «Começámos em abril de 2020 e deixámos esse mercado em janeiro de 2021 para nos dedicarmos ao nosso core business, que é o vestuário», revela o administrador. «Foi uma opção porque achámos que havia muita concorrência nesse mercado da proteção individual. Assim como entrámos, saímos», resume João Barata Garcia.

[©Barata Garcia]
Na sua atividade principal, focada no vestuário em malha circular de gama média-alta e luxo para homem, senhora e criança, a empresa vende para 12 mercados, da Europa aos EUA, mas com especial enfoque em França e Itália, para onde envia 95% da sua produção. Os restantes 5% são dedicados à produção de vestuário oficial do FC Porto e do Sporting CP. «Fazemos artigos de moda de qualidade, como polos e t-shirts, com os símbolos dos clubes. Era bom que todos os clubes e até a Federação Portuguesa de Futebol, que já trabalha um pouco connosco, produzissem esse tipo de artigo em Portugal, connosco e com outros. Isso poderia fazer crescer brutalmente a nossa indústria têxtil», considera o administrador.

Foco no design

Com 145 pessoas, a Barata Garcia está, atualmente, empenhada em reforçar o design, nomeadamente ao nível do 3D, «porque é uma forma de estar mais próximo dos clientes, sobretudo clientes premium. Estamos a apostar num mercado mais premium, com marcas de valor acrescentado e estamos a terminar com tudo que seja peças de valor mais baixo. É esse o nosso foco», adianta João Barata Garcia.

[©Barata Garcia]
O futuro está também a ser assegurado. «Vamos abrir o capital para que a empresa continue», anuncia o administrador. «Pensámos que a melhor forma de garantir a continuidade é termos profissionais na empresa, pessoas que se possam dedicar, para eu poder retirar-me um pouco», acrescenta.

Além da Barata Garcia, o grupo tem associadas a tricotagem Brito & Miranda e as confeções Véus e Pontas e Cruza a Perfeição, elevando o número de trabalhadores total para 225 e o volume de negócios consolidado para mais de 30 milhões de euros, que este ano se deverá «manter ou talvez ficar ligeiramente abaixo, porque já não estamos a trabalhar com artigo de proteção individual», refere João Barata Garcia.

Atualmente, a Barata Garcia consome cerca de 20% da produção de malha da Brito & Miranda, que com cerca de 50 teares tem uma capacidade produtiva que ronda as 300 toneladas de malha por mês. Previsto está um investimento na ordem dos 5 milhões de euros para apoiar o crescimento da empresa de tricotagem. «Na Brito & Miranda, os nossos projetos passam por uma aposta mais forte na internacionalização. Estamos a construir um edifício para logística, para laboratório e para fazer um showroom à altura das feiras e da parte internacional», avança João Barata Garcia.

[©Barata Garcia]