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Barcelcom cresce além-fronteiras

Com o contributo dos produtos técnicos, nomeadamente da recém-criada linha Medical Pro, a produtora de meias já atingiu uma quota de exportação superior a 90%. Com presença em 38 países, a Barcelcom, que celebra 100 anos em 2021, está, contudo, a olhar para o Velho Continente para crescer.

A nova linha Medical Pro foi apresentada primeiro na Alemanha e está agora a ser divulgada em Portugal. «É uma linha dedicada à área médica. Temos a nossa linha Elegance, que representava uma grande fatia das vendas e decidimos evoluir para uma linha com as mesmas características compressivas, até grau 3 de compressão, mantendo alguma elegância mas, ao mesmo tempo, noutro tipo de estrutura de tricotagem», explica Nuno Mota Soares, project & business manager da Barcelcom.

A proposta foi bem recebida no mercado russo, na Escandinávia e no Reino Unido, «onde está a ser introduzida primeiramente. Agora está a começar em Portugal e no resto da Europa», adianta ao Portugal Têxtil.

Atualmente, a empresa, que emprega cerca de 60 pessoas, exporta diretamente 93% da produção para 38 mercados, da Europa aos EUA, passando pelo Médio Oriente. «Alargámos para mercados que têm um peso circunstancial muito grande, como a Rússia, onde estamos há dois anos e meio, e também para o Médio Oriente», revela o project & business manager da Barcelcom, acrescentando que «estamos agora a iniciar a entrada nos Emirados Árabes Unidos. Fizemos uma entrada aqui há anos, mas as coisas demoram bastante tempo a evoluir. Estamos em crer que, neste momento, conseguimos capitalizar a entrada de forma diferente».

A aposta principal, contudo, está no continente europeu. «O nosso principal mercado é o Norte da Europa – o Reino Unido e a Escandinávia. O foco continua a ser a Europa porque há mercados onde, de forma continuada, não estamos a conseguir entrar. Temos muito esse foco e vontade, por exemplo, em França. Queríamos entrar de forma massiva e temos produto para o fazer», afirma.

A preparar o centenário

Em 2019, a produtora de meias registou um crescimento de 8% no volume de negócios, para um valor próximo dos 3 milhões de euros. «Foi bastante bom», considera Nuno Mota Soares, que dá crédito ao passado pelos resultados do presente. «Temos vindo a preparar-nos para aquilo que vamos sofrendo na pele», assegura, destacando os investimentos que a Barcelcom tem feito consistentemente. «Temos a felicidade de ter uma política na empresa em que 10% da faturação anual é sempre canalizada para I&D, todos os anos. Seja para inovação propriamente dita, seja para a evolução do produto», sublinha.

Além da investigação, a especialista em peúgas, que detém a marca INC Compression para artigos de compressão na área do desporto, tem vindo igualmente a apostar no contacto direto com o cliente e na digitalização do negócio. No ano passado, lançou uma loja online e tem vindo a reforçar a presença nas redes sociais. Além disso, tem abolido gradualmente a utilização de papel no quotidiano. «Estamos muito voltados – porque os clientes também têm evoluído nesse sentido – para a questão da consciência ambiental», garante Nuno Mota Soares. «Há dois anos deixamos de ter catálogos em papel. Quando estamos numa feira, o cliente dá-nos o registo no iPad e recebe imediatamente o catálogo digital no seu smartphone ou computador», exemplifica o project & business manager da Barcelcom.

Um dos objetivos para o corrente ano é, de resto, «mudar um bocadinho a mentalidade e a forma como nos apresentamos ao mundo, como estamos e a marca que deixamos», indica. No entanto, tem de ser dado «um passo de cada vez», até porque a Barcelcom tem uma história de quase um século. «Esta questão da comunicação e do peso que tem dentro da empresa é a pensar também no centenário do próximo ano. Esperemos que em 2021 possamos fazer 100 anos de queixo erguido como temos estado nestes últimos anos. Isso é fundamental», conclui Nuno Mota Soares.