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Barcelos quer ser Cidade Têxtil

A associação comercial e industrial de Barcelos voltou a relançar o tema no Fórum Regional da Indústria, pedindo o reconhecimento governamental para o projeto que pretende agregar empresas e entidades que aportem conhecimento à indústria têxtil e vestuário.

António Saraiva, João Albuquerque, António Costa e Silva e Mário Constantino [©ACIB]

No evento, que teve lugar no passado dia 11 de outubro, João Albuquerque, presidente da ACIB – Associação Comercial e Industrial de Barcelos, falou sobre o projeto da Cidade Têxtil, que remonta há vários anos e pretende reunir empresas e entidades ligadas à indústria têxtil e vestuário. Segundo João Albuquerque, «a ACIB já tem parceiros da área financeira e tecnológica para avançar» e a iniciativa foi «reconhecida como estratégica por parte do Município de Barcelos».

João Albuquerque [©ACIB]
O dirigente associativo salientou que Barcelos é o concelho do país com maior número de empresas e que um universo de 2.400 unidades industriais, a grande maioria do sector têxtil, é responsável por 997 milhões de euros de exportações. De acordo com os números do INE, consultados pelo Portugal Têxtil, desse valor, 764,7 milhões de euros corresponderam, em 2021, a exportações de matérias têxteis e suas obras de empresas sediadas em Barcelos. João Albuquerque pediu, por isso, «garantia política para fazer de Barcelos o motor industrial do país».

Em resposta, António Costa e Silva, Ministro da Economia e do Mar, acredita que a criação deste cluster pode ser uma resposta à dificuldade das empresas portuguesas em criarem marcas globais. «Pode ser absolutamente fundamental para a criação de uma marca global com grande escala e gerar mais valor acrescentado, à semelhança do que foi feito em Itália», considera.

Um ano desafiante

Além do cluster Cidade Têxtil, o Fórum Regional da Indústria abordou igualmente várias questões ligadas à competitividade das empresas, nomeadamente o aumento dos custos energéticos e os impostos.

António Costa e Silva [©ACIB]
Na sua intervenção, António Costa e Silva destacou que, especialmente no próximo ano, se irá viver «uma conjuntura extremamente difícil» e que é necessário que os empresários se preparem «para um mundo novo», apontando a capitalização e a cooperação como essenciais ao sucesso das empresas portuguesas. «Infelizmente, vivemos num país que, por motivos ideológicos, hostiliza as empresas e os empresários e, muitas vezes, trata o lucro como um pecado. Há também um ataque sistemático contra as grandes empresas e contra aquilo que muitos chamam de grande capital», afirmou o Ministro da Economia e do Mar, que criticou ainda o excesso de burocracia. «Todos os dias quase que chego à exasperação. Ainda temos uma máquina lenta, uma fraca ligação ao que é o tecido industrial», assegurou, apontando a digitalização de processos como um dos recursos para agilizar os procedimentos.

António Saraiva [©ACIB]
Na sua intervenção, o presidente da CIP, António Saraiva, chamou a atenção para a «enorme» carga fiscal que incide sobre as empresas e defendeu a necessidade de uma reforma fiscal que alivie este peso, assim como a necessidade urgente de reformas na justiça e no próprio Estado.

Já o presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino, realçou que o sector industrial é fundamental para a estrutura económica e social de Barcelos, constituindo 50% do volume de negócios total do concelho. «Temos massa crítica empresarial, mas só isso não chega», garantiu, tendo alertado o Ministro da Economia e do Mar para «os fortes constrangimentos» sentidos pelas empresas têxteis e de cerâmica, que têm uma forte dependência energética e cujos custos têm vindo a aumentar exponencialmente. Por este motivo reivindicou uma redução da carga fiscal que incide sobre a eletricidade e o gás. O autarca de Barcelos anunciou ainda uma nova diminuição da carga fiscal em 2023, que deverá beneficiar empresas e cidadãos, depois de ter já reduzido o IMI e a derrama municipal em 2022.

Mário Constantino [©ACIB]