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Becri aposta no 3D e na customização

O grupo especializado na produção de vestuário tem usado o software de modelação em 3D CLO para reduzir os prazos e produzir amostras virtuais em menos de um dia. A Becri está também a investir numa nova unidade dedicada à customização.

José Costa

A utilização da tecnologia CLO na Becri surgiu ainda antes da pandemia ter acelerado, em muitos casos, a digitalização da indústria da moda. «Começámos em 2019, avançámos, mas não pensávamos que íamos avançar tanto como avançámos, porque antes do covid havia resistências, mesmo a própria equipa do cliente tinha resistências. O que é certo é que o covid acelerou isto de uma forma que hoje temos uma equipa de trabalho de seis designers e duas pessoas só dedicadas a fazer 3D», afirma José Costa, que adianta que, neste aspeto, a empresa está atualmente ao nível que projetava estar em 2025.

A opção, em termos de sistema, acabou por recair na tecnologia CLO, «porque sentimos que era a ferramenta que nos ia dar mais, que estava mais avançada, e poderia prestar um melhor serviço aos nossos clientes», explica ao Jornal Têxtil.

Uma escolha que tem dado resultados. «Cada vez temos mais solicitações», assegura o CEO da Becri. «Fomos impulsionados por dois clientes, que nos incentivaram na parte do 3D. Tirando esses dois, que estão mais avançados, sentimos que há outros que nos estão a querer acompanhar. Temos uma equipa de demonstração a dizer como funciona, porque os próprios clientes que estão uns passos atrás, ao verem a ferramenta em ação, percebem que aquilo são passos à frente em relação à concorrência deles», esclarece. «Olham para nós como uma referência, para aprenderem e levarem esse conhecimento para as equipas internas deles. É um passo que está a acontecer de forma natural, mas sinto, da parte dos clientes, que querem explorar de forma exponencial esta ferramenta», acrescenta.

O investimento inicial nesta área foi de 150 mil euros, a que se somam 10 mil euros anuais, mas os ganhos, sobretudo ao nível de tempo, têm sido evidentes. «Em termos de eficiência, estamos a falar de produção, por exemplo, de um protótipo com artwork que demorava uma semana, numa forma normal e natural, para passar numa questão de horas a ter a apresentação de um modelo virtual, mas de forma a que o cliente perceba exatamente como é que se vai comportar no fitting, no caimento da própria malha. Portanto, ele tem uma perceção real daquilo que veria se fosse fazer uma peça física. Estamos a falar de uma diferença de uma semana para um dia. Neste momento, a proporção será esta», aponta José Costa.

Decisões informadas

Outro investimento tem sido na produção on-demand e na customização. «Temos um projeto, que começou há um ano e que, fisicamente, vai iniciar em setembro, para dar apoio a start-ups de marcas. É um projeto que vai ao encontro da customização e da sustentabilidade», revela José Costa, embora sem querer levantar muito o véu. «São duas direções a que vamos ser fiéis: sustentabilidade e customização. A customização evita desperdícios e é uma tendência que estamos a ver cada vez mais e nós estamos atentos, por isso é que estamos a construir uma empresa de raiz precisamente só para trabalhar customização e numa base sustentável», reconhece o empresário, admitindo que «vai customizar a 100% em termos de cor, de detalhes, de artwork».

Este investimento ronda os 6,5 milhões de euros e poderá igualmente servir marcas já implementadas no mercado. «A ideia é fazer um complemento da customização para marcas que queiram nascer, mas também para prestação de serviços», resume.

A Becri, de resto, tem já outras iniciativas de digitalização implementadas, incluindo o ERP. «Neste momento estamos numa fase complicada na gestão das empresas do grupo, mas a ideia no futuro é realmente termos o grupo todo [que inclui uma dezena de empresas, entre unidades exportadoras e outras meramente produtivas, que funcionam de forma autónoma] alinhado da mesma forma», destaca José Costa. No passado, «muitos empresários têxteis tomaram decisões, às vezes, muito contra os indicadores que eram recebidos. Isso foi possível devido a esses dados serem poucos e terem pouca fiabilidade, mas, no futuro, acho que todas as decisões de um gestor vão ser baseadas em toda a informação que vamos recebendo das nossas empresas e que vão ser integradas no nosso grupo de forma a que possamos tomar decisões estratégicas em relação a cada uma das empresas e ao grupo em geral», acredita o CEO da Becri.