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Beijo de despedida

A edição comemorativa das bodas de prata da ModaLisboa fechou com chave de ouro. Da capital do país chegaram notas que dão conta de uma evolução na continuidade do certame e da constante renovação de gerações. Com o Sangue Novo no arranque e a consagrada guarda em constante reinvenção, a edição Kiss anunciou aquilo que será a estação fria de 2016 no panorama da moda nacional.

No ano em que o evento celebra os 25 anos desde a sua estreia, os desfiles começaram com a apresentação das propostas do Sangue Novo. Banda (by Tiago Loureiro), Carolina Machado, Cristina Real, David Catalán, Inês Duvale, Patrick de Pádua, Rúben Damásio, Sara Santos e Tânia Nicole mostraram que a ModaLisboa continua a assinalar o talento jovem no seu calendário.

Nesta edição, o júri selecionou Patrick de Pádua para integrar a plataforma LAB. O jovem designer passará a apresentar as suas coleções sazonalmente na ModaLisboa, a partir de outubro, e terá ainda a oportunidade de colocar a sua coleção outono-inverno 2016/2017 à venda na loja ComCor, em Lisboa.

Já no âmbito da parceria da ModaLisboa com o FashionClash foi David Catalán o jovem designer convidado para representar Portugal na próxima edição do reconhecido festival de moda holandês, a decorrer em Maastricht, no próximo mês de junho.

Depois de se saciar com o sangue fresco do jovem talento nacional, o certame continuou com as apresentações de Nair Xavier que imergiu no mar Egeu e na biodiversidade fóssil marinha para a construção das peças e seleção de cores e materiais.

Na joalharia de Valentim Quaresma houve dominação. Nas propostas da coleção “Domination”, o designer deixou-se envolver em cargas emocionais de domínio e situações de controlo. A fantasia, o sonho e a luminosidade refletiram-se através dos materiais como resinas, latão, alumínio, sarjas, peles e materiais sintéticos.

A primeira noite de desfiles da ModaLisboa Kiss caiu no grande auditório do CCB, para se iluminar com o percurso de Nuno Gama. Foi apresentado um filme retrospetivo do trabalho do criador nacional, que além de uma seleção de imagens de diversas coleções de Gama, contou também com depoimentos de vários profissionais da área da moda que têm acompanhado o seu percurso.

Na continuação da celebração do património emocional da moda portuguesa, Olga Noronha, Ricardo Andrez, Christophe Sauvat, Pedro Pedro, Alexandra Moura, Carlos Gil e Miguel Vieira partilharam as suas histórias de amor na passerelle.

Olga Noronha inspirou-se na beleza e dicotomia que caracteriza os peixes Beta (machos) e apresentou uma coleção de esculturas usáveis que reinterpretam barbatanas e recifes de coral – que se aproximavam de armaduras. Com incrustações de madrepérola, corais, gemas, cristais, pérolas de água doce e em parte cobertos com folha de ouro, pele de bacalhau, salmão e perca, os vários coordenados simularam “peixes-humanos” de caudas esvoaçastes.

Na continuação da sua história de streetwear, Ricardo Andrez escreveu um capítulo de cor, misturas de padrões, grafismos e materiais, com as sobreposições nas entrelinhas. Já Christophe Sauvat viajou até aos Países Nórdicos em busca de inspiração e trabalhou a mistura de padrões e detalhes ecléticos.

Em “L’étrangère” Pedro Pedro conheceu as volumetrias, os cortes assimétricos e as sobreposições de peças, numa coleção que revelou influências do vestuário masculino e militar. O conforto não foi, porém, descurado, e a conjugação de materiais-agasalho – lãs, feltros, acolchoados e gabardines enceradas – com algodões e linhos foi denominador comum.

Alexandra Moura propôs uma reflexão sobre o impacto do feminino no masculino e vice-versa. A personagem e a espiritualidade de Anohni (F.K.A. Antony Hegarty) foram o ponto de partida da coleção, que recuperou detalhes de tempos antigos e os trouxe para a atualidade. Já o ecletismo de Carlos Gil levou o criador nacional a misturar padrões, cores, texturas e estilos para uma estação fria pautada por um sportswear sublimado em vestidos de noite, blazers, casacões, camiseiros, sweaters e saias trespassadas.

O dia de sábado terminou com a coleção “Cor” de Miguel Vieira, que criou uma harmonia visual entre linhas e cores, austeridade e elegância. Para mulher, o criador apostou em silhuetas estruturadas e informais, linhas volumosas, alturas longas e extra longas, fittings largos e puristas. E para homem houve fatos estruturados. Na paleta de cores venceram os clássicos preto e o azul-marinho, que se juntaram ao enérgico amarelo mostarda, aos tons safira, cobalto e branco.

Já no último dia do certame, a assistência começou por aqueceu no ginásio da Marinha Portuguesa. Lidija Kolovrat apresentou “Your favourite team is playing”, uma coleção que explorou o efeito de polaridade através de texturas criadas manualmente e da aplicação da técnica de macramé, introduzindo elementos surpresa nas peças e potenciando o seu movimento. A marca Awaytomars propôs a primeira coleção resultante do seu projeto de colaboração com criativos de todo o mundo. Para a próxima estação fria, a marca propõe peças clean e minimalistas que exploram novos cortes e construções.

Os relâmpagos e cabos elétricos foram a base da coleção de Saymyname, que nesta estação trabalhou pormenores como enormes pinças exteriores, godés e pregas, criando diferentes volumes e grafismos. Vestidos camiseiros e tubulares, calças paper-bag e pata de elefante, casacos de silhueta oversized, blusas justas e sweatshirts assimétricas são as principais propostas de Catarina Sequeira para a próxima estação fria.

Filipe Faísca acabaria por roubar todas as atenções no decorrer da noite, graças a um momento digno de muitas partilhas nas redes sociais com Manuela Moura Guedes, que desfilou as propostas do designer. Porém, par lá da conquista dos novos media, na passerelle foram a coleção “New Age”, de grafismos a preto e branco, linhas simples e jogos de transparências e a introdução do menswear que mereceram o “gosto” da assistência.

Houve, ainda, tempo para a aristocracia, com Dino Alves. Em “Novos Reis”, o criador trabalhou formas de elementos decorativos barrocos retirados dos interiores de palácios e mobiliário em bainhas recortadas, painéis sobrepostos, aplicações e encaixes múltiplos. Folhos, franzidos, laços faustosos, golas de renda e outros detalhes inspirados no guarda-roupa da realeza experimentaram uma atualização.

A chave da casa foi entregue a Luís Carvalho, cujo desfile fechou o calendário da edição Kiss. O designer apresentou uma coleção inspirada nas gélidas paisagens nórdicas. As formas do gelo e cristais inspiraram linhas mais retas e volumosas, detalhes e padrões, sendo que a tranquilidade e o silêncio destes locais deram origem a formas mais leves e soltas.