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Beiralã recupera sem ajuda do Governo

A empresa de lanifícios de Seia, Beiralã está a reerguer-se, mesmo depois da imposição do Governo para que a Beiralã adquirisse a Fisel – a troco de uma ajuda no financiamento e formação para a sua recuperação -, a empresa encontra-se agora em fase de internacionalização. O Governo garantiu à empresa de Seia que assumiria o compromisso de manter os 342 trabalhadores no Centro de Emprego de Seia até que a empresa estivesse a funcionar a 100% mas, como se não tivesse sido suficiente ser forçada a comprar a empresa de lanifícios, a Beiralã acabou por ter que pagar os salários a estes trabalhadores e dar a pretendida formação esquecidos pelo Governo. “O compromisso do Governo era manter os trabalhadores em formação no Centro de Emprego, enquanto nós estávamos no processo de modernização da empresa. O que é lógico. Durante o espaço de tempo em que se reestruturava a fábrica, que era de 18 meses, o compromisso era colocar as pessoas no centro de emprego a fazer formação para virem formadas para começar a trabalhar”, adiantou ao Jornal Têxtil Rui Cardoso, proprietário da Beiralã. Esta é uma forma de investir na mão-de-obra que iria trabalhar nas máquinas em que estavam a investir, “o investimento de modernização que estamos a ter é muito grande, mas não deixamos ninguém de fora e nem pedimos ao Governo que absorvesse qualquer tipo de mão de obra”. O investimento feito de 15 milhões de euros, incluía o preço da empresa, a recuperação dos edifícios e a aquisição de equipamento moderno, dos quais 2,3 milhões de euros foram concedidos pela Iniciativa para a Modernização da Indústria Têxtil (IMIT), dos quais 400 mil euros a fundo perdido. “O que aconteceu foi que afinal os trabalhadores não tiveram qualquer tipo de formação e eu tive de suportar os salários durante estes 18 meses, dos 342 trabalhadores sem fazerem rigorosamente nada”, acrescentou Cardoso, que ainda acredita que o primeiro-ministro cumpra o prometido. Desde 1995 a empresa beirã tem conquistado o mercado. Hoje a empresa exporta 75% da sua produção (2,3 milhões de metros de tecido) para a Alemanha, Inglaterra, Itália, França Estados Unidos e Japão. A empresa Maconde, pertencente ao irmão de Rui Cardoso, absorve 20% da produção. No ano passado, a Beiralã facturou 12,5 milhões de euros, os resultados líquidos foram na ordem dos 800 mil euros, espera este ano atingir um volume de vendas na ordem dos 15 milhões de euros e dentro de três anos prevê duplicar este valor. Isto porque a sua estratégia de internacionalização já está a arrancar e prevê-se que traga bons resultados. “Nós pretendíamos fazer uma internacionalização em parceria com uma empresa do nosso sector, ou seja do sector dos lanifícios, ou até mesmo com parceiros na cadeia. O nosso objectivo é formar uma parceria, de forma a que juntos possamos enfrentar o futuro um pouco mais tranquilos”, adianta Cardoso. “Já há muitos anos que vimos a lutar por isto. Já tivemos contactos com muitas empresas e quase todas acabaram por falhar, por vários motivos. O nosso objectivo é encontrar parceiros internacionais”. Um dos potenciais parceiros poderia ter sido a Parkland que há três meses atrás foi comprada pelo grupo francês Chargeurs, mas a Beiralã acabou por contratar a equipa comercial da empresa britânica. Neste sentido a empresa acaba de constituir uma empresa no Reino Unido, a Fithmill, em Bradford, que irá comercializar a nova marca topo de gama a partir de Fevereiro 2002.