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Bem me quer na têxtil

Duas empresas de tintas e uma de têxteis. Estas são as empresas portuguesas que ostentam a flor-símbolo do rótulo ecológico europeu. São elas a Dyrup, com o Dyrumat Ecológico, a Robbialac, com o Ecolac e a Natura Pura. Esta última é uma empresa de têxteis de Braga, e foi a última e a única empresa portuguesa a requerer o rótulo ecológico europeu no ano passado. A Natura abriu as suas portas há menos de dois anos e pertence à CISI, uma empresa de estrutura familiar detida por António Ressureição e conta ainda com o apoio de duas empresas de capital de risco, a PME Capital e a ES Capital. O principal factor que levou à atribuição do rótulo a esta empresa bracarense foi o facto dos artigos fabricados serem amigos do ambiente. «Os nossos produtos, ligados ao casualwear, são 100% ecológicos. Só usamos produtos naturais, sem utilização de químicos nem corantes. Não usamos fechos, só botões de madeira, não poluímos água e o algodão usado não sofre intervenção de pesticidas, sendo que 25% dos pesticidas usados em todo o mundo são para as plantações de algodão», afirma Ressureição. A atribuição da flor é dada a produtos com um impacto ambiental reduzido e a empresa de Braga preenche e chega mesmo a ultrapassar os critérios estabelecidos. Este rótulo tem como mais valia o reconhecimento dos produtos junto dos consumidores, que estão cada vez mais alertados para as questões ambientais. António Ressurreição espera que, assim, «haja uma maior credibilidade dos nossos produtos». Mas a verdade é que as empresas ainda têm muitos obstáculos a superar. Por exemplo, a empresa tem tido dificuldades em encontrar aceitação junto dos grossistas, já que os preços são mais caros do que o normal. Esta situação leva a que se passe para a criação de uma rede própria de distribuição, como apoio do IAPMEI. Apesar de existir há 10 anos, o número de empresas aderentes ao rótulo europeu ainda são muito poucas. As instituições europeias têm noção desta situação e por esta razão decidiu-se, através da Comissária do Ambiente, Margot Wallstrom, dar um novo impulso levando a cabo uma série de medidas a implementar até 2004. Entre estas medidas, destacam-se um maior esforço de notoriedade do rótulo, através de campanhas e do alargamento do grupo de produtos passíveis de apresentarem candidaturas. E pretende-se também uma maior agilidade na análise de candidaturas e uso de factores como a discriminação positiva por parte de organismos públicos na aquisição de produtos. Margot Wallstrom afirma que «os consumidores e o sector público têm direito a produtos com melhor comportamento ambiental. Os fabricantes e os retalhistas têm de estar preparados para isso». A flor quer sair da estufa.