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Bem-vindo à loja do futuro

Os especialistas antecipam que, ao longo da próxima década, o ato de compras se transforme por duas vias principais. Numa delas, as compras deverão assumir-se uma experiência com novos produtos e serviços. Na segunda, toda a fricção será eliminada, das filas aos artigos esgotados.

Recentemente, a Nordstrom inaugurou uma nova loja em West Hollywood, Califórnia, batizada Nordstrom Local, praticamente sem mercadoria. Em vez disso, a cliente pode fazer a manicura, conversar com stylists, experimentar roupa ou reunir-se com as amigas em loja enquanto degusta um copo de vinho. As peças de vestuário pretendidas podem ser encomendadas e há entregas no mesmo dia para determinadas zonas. Todavia, esta não é a única novidade no horizonte do retalho. As lojas do futuro passam por pagamentos com a retina ou experimentar peças comodamente em casa antes de se comprometer com a compra, avança a Time.

Eye pay

Com esta revolução, os consumidores poderão dizer adeus ao check-out e, provavelmente, à utilização de dinheiro, cartões de crédito ou até mesmo de um smartphone. Protótipos como a loja Amazon Go, em Seattle, começaram a desvendar que as compras do futuro serão lideradas por uma maior comodidade, com pagamentos feitos através de um carrinho de compras virtual, em vez de uma fila de pagamento antiquada.

Jim Carroll, um futurista de renome, afirma que dentro de 10 anos, as lojas serão capazes de aceitar pagamentos com uma leitura de retina (a tecnologia Eye pay).

Shoppings transformados

Eventos de todo o tipo deverão tomar conta dos centros comerciais do futuro, dando aos consumidores que evitam fazer compras em espaços físicos um motivo para começar a frequentar os shoppings, segundo Doug Stephens, autor do livro “Reengineering Retail: The Future of Selling in a Post-Digital World”.

«Hoje, 70% do espaço do shopping é dedicado aos retalhistas e a maioria vende vestuário», afirma. «O modelo vai mudar completamente e 30% do espaço será para compras, enquanto 70% será dedicado a alimentação, entretenimento, lifestyle e atividades comunitárias», aponta.

Lojas reconhecem clientes

Nos últimos anos, os retalhistas têm tentado explorar as operações omnicanal e a sincronização completa das duas experiências será, em breve, uma realidade. Isso significa que, da mesma forma que um website reconhece o cliente, as lojas físicas irão identificá-lo nos corredores através do reconhecimento facial e recuperar o seu histórico de compras instantaneamente.

As opções para aquilo que esse cliente pode comprar serão ilimitadas.

«Os clientes serão capazes de pesquisar rapidamente tudo aquilo que uma determinada loja vende e encontrar ou personalizar o artigo que pretendem», revela Stephens, que usa a expressão “websites vivos” para descrever as lojas do futuro próximo.

Experimentar antes de comprar

No futuro, os retalhistas vão passar a encorajar os consumidores a interagirem com os produtos – que poderão experimentar no conforto das suas casas sem compromisso de compra –, com a ideia de que isso resultará no incremento das vendas a longo prazo.

Neste campo, há já alguns exemplos. A Asos lançou recentemente o serviço “experimente antes de comprar”, dando aos clientes a oportunidade de receberem os artigos em casa antes de se comprometerem com a compra.

Desenvolvido pela app Klarna – Pay Later, o serviço permite que os utilizadores da app no Reino Unido experimentem qualquer um dos 85 mil produtos da Asos em casa e paguem apenas o que decidirem comprar nos 30 dias após a expedição da encomenda. Os clientes devem também devolver os artigos que não pretendem adquirir dentro da mesma janela temporal de 30 dias. A gigante do retalho online já implementou o serviço no mercado alemão, austríaco, sueco, finlandês e norueguês.