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Beppi desliza em oitava de sucesso

Com a aposta crescente no mercado da América Latina e no segmento infantil, a marca de calçado portuguesa registou um crescimento de 6% no volume de negócios do ano passado, que atingiu aproximadamente 10 milhões de euros. Para a Beppi, «2019 foi o melhor ano dos últimos oito».

Completou 38 anos de atividade e assume-se como uma marca de calçado «casual, desportiva e confortável». Com uma relação «preço/qualidade muito boa» e apesar de ter produtos para toda a gente, a Beppi está cada vez mais focada nos pés das crianças.

«O mercado adulto está, neste momento, com grande dificuldade, não só pela concorrência, mas também pelo mercado em si e decidimos que o segmento de criança é o que vamos impulsionar mais este ano», revela o diretor comercial Nuno Maia. «Em todos os mercados que estamos a chegar hoje, quando nos apresentamos como Beppi, grupo que faz senhora, homem e criança, a primeira coisa que tem sucesso é criança. Então, temos que dar atenção a este modelo de negócio porque acaba por ser reconhecido. Não há uma identidade de calçado de criança no mundo e estamos a caminhar nesse sentido, de criar no consumidor final a perceção de que a Beppi é uma marca de criança generalista, que tem desde sandálias a desportivo. Está a ser esse o nosso sucesso», explica ao Portugal Têxtil.

Nuno Maia

Sediada em Santa Maria da Feira, é em Portugal que a empresa faz o desenvolvimento dos produtos, mas a produção é realizada em vários pontos do globo. «A marca é fabricada em 20 ou 25 fábricas diferentes. Dentro das linhas de coleção há produtos feitos na Ásia, há produtos que são feitos em Portugal, outros em Espanha… São desenvolvidos por nós, em Portugal, e depois o outsourcing faz a procura da melhor fábrica para efetuar esse produto», conta o diretor comercial. A diversidade é razão pela qual os artigos da Beppi não podem ser produzidos no mesmo local. «Uma coleção envolve tantos modelos e tantas linhas diferentes, que não se consegue captar num único país. [Uma coleção] pode chegar a ser feita em cinco países. Depende das características linhas», admite.

Inovação e posicionamento

Depois de, em 2018, ter lançado a linha Play Led para criança, que permitia aos utilizadores fazer o download de uma aplicação e controlar a mensagem das luzes da sapatilha, a Beppi voltou a inovar com o desenvolvimento da linha Breezy. «A Breezy é um desenvolvimento nosso, patenteado a nível mundial, onde temos um concorrente direto americano que desenvolveu isto há 20 anos – uma sapatilha com uma roda –, o que fizemos foi criar algo bastante melhor. A criança pode tirar ela própria a roda. É um projeto a médio prazo porque, no fundo, é um produto único. Só há duas marcas no mundo que têm a possibilidade de vender isso», adianta Nuno Maia.

Com uma quota de exportação de 80% e presença em mais de 60 países, a Beppi continua a apostar no comércio eletrónico. «Estamos a fazer uma adaptação muito forte para o mercado online, porque temos consciência que vai ocupar uma grande percentagem da venda a retalho. Hoje já está na ordem dos 30% da nossa venda no mercado online», assegura.

Breezy

Espanha e Portugal são os principais mercados da Beppi, a par de países como França, Equador, Colômbia e Argélia. Para 2020, a estratégia passa por conquistar mais quota de mercado no Peru. «A América Latina tem vários problemas: alguns países estão muito fechados à importação e há outros países que já têm acordos comerciais com a Europa, onde podemos entrar com alguma facilidade. São nesses países que nos estamos a posicionar e a ganhar quota de mercado. Começámos com a Colômbia há 5 anos, onde já temos uma quota bastante forte lá, Equador e agora o Peru», adianta.

Fruto da presença em novos mercados, uma vez que é «na conquista de outros mercados que se vê o crescimento», a marca registou, no ano transato, uma faturação de cerca de 10 milhões de euros. «A América Latina está a trazer bons resultados, principalmente o mercado do equador. 2019 foi o nosso melhor ano dos últimos oito. Com um crescimento de 6%, foi um ano muito bom», reconhece o diretor comercial da Beppi.