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Biden reforça política do “made in America”

O novo presidente dos EUA já emitiu uma ordem executiva para que as compras do governo federal privilegiem os bens produzidos internamente, mas está a ser pressionado para tomar medidas adicionais para recuperar a cadeia de aprovisionamento de equipamentos de proteção individual no país.

[©NCTO]

A ordem executiva foi assinada poucos dias depois da tomada de posse de Joe Biden e decreta que os órgãos federais devem «maximizar a utilização de bens, produtos e materiais produzidos e serviços oferecidos nos Estados Unidos. O Governo dos Estados Unidos deve, sempre que possível, adquirir bens, produtos, materiais e serviços de fontes que ajudem os negócios americanos a competirem em indústrias estratégicas e os trabalhadores americanos a prosperar».

A contratação de produtos ou serviços representam quase 600 mil milhões de dólares (cerca de 500,7 mil milhões de euros) do orçamento federal, segundo o comunicado publicado pela Casa Branca, e a lei federal já exige que as agências governamentais deem preferência a empresas americanas. No entanto, «estas preferências nem sempre foram implementadas de forma consistente ou eficiente. E, algumas destas exigências, que moldam como o governo prefere bens e serviços domésticos no que compra, não foram substancialmente atualizadas desde 1954», salienta.

Esta ordem executiva pretende ser mais eficiente e, entre outras coisas, impele as agências a acabar com as lacunas na forma como é medido o conteúdo nacional de um produto e a aumentar as exigências de componentes feitos nos EUA, e nomeia um responsável sénior no gabinete do Presidente para a política do “made in America”.

«Não acredito, nem por um segundo, que a vitalidade da produção americana seja uma coisa do passado», afirmou Joe Biden na assinatura da ordem executiva. «A produção americana foi o arsenal da democracia na II Guerra Mundial e tem de fazer parte do motor da prosperidade americana agora. Isso significa que vamos usar o dinheiro dos contribuintes para reconstruir a América. Vamos comprar produtos americanos e apoiar os empregos americanos», acrescentou.

[©White House]
O National Council of Textile Organizations (NCTO) reagiu positivamente à ordem executiva. «Acreditamos que é crítico que os dólares dos contribuintes sejam usados para investir na produção americana e na nossa força de trabalho. É essencial fecharmos as lacunas nas nossas leis Buy America, expandir a aplicação e a cobertura das regras de conteúdo doméstico e acabar com dispensas de contratos desnecessárias que minam a produção e a força de trabalho americanas», indica, em comunicado, Kim Glas, presidente e CEO da NCTO.

Recomendações para os EPI

Dias depois, a NCTO, em conjunto com outras associações da indústria e sindicatos, enviou uma carta ao Presidente e aos líderes do Congresso com recomendações para iniciativas políticas específicas para reestabelecer uma indústria permanente de equipamentos de proteção individual no país, depois dos EUA terem sido fortemente fustigados pela pandemia de Covid-19, que até ao momento já infetou mais de 26,6 milhões de americanos e causou a morte a quase 456 mil, segundo a Universidade Johns Hopkins.

«Os esforços heroicos da indústria têxtil dos EUA e da sua exemplar força de trabalho ao longo desta crise claramente demonstram que a indústria doméstica tem as competências técnicas e capacidade para tornar os EUA autossuficientes em termos das nossas necessidades de equipamentos de proteção individual», destaca o documento.

[©NCTO]
«Contudo, a sua permanência está dependente do desenvolvimento de políticas governamentais pensadas para ajudar os produtores domésticos a sobreviver a atual crise económica e incentivar o investimento a longo prazo necessário para voltar a trazer a produção de equipamentos de proteção individual [para o país]. Se não forem implementadas as políticas apropriadas, o progresso substancial e valioso feito ao longo do último ano para trazer uma indústria de equipamentos de proteção individual vibrante vai evaporar-se face ao domínio mundial da produção da China no sector», sublinha.

As recomendações incluem o incentivo aos privados para adquirirem equipamentos de proteção individual (EPI) produzidos nos EUA e assistência financeira às empresas para que reconstituam as cadeias domésticas de aprovisionamento de EPI.