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Boas Respostas (Parte III)

Nesta última peça,  acrescentamos à  ParteII  os depoimentos de mais cinco empresas do têxtil-lar nacional:

Sampedro

(Roupa de cama e de mesa)

Esforço tremendo

A Sampedro tem vindo a responder razoavelmente aos desafios actuais, de tal forma que as nossas vendas têm estado ao nível de 2003, mas tem sido necessário um esforço tremendo, em todos os sectores da nossa actividade.

Quanto ao futuro, toda a gente dá palpites, desde os políticos, como até professores universitários “escrevinhadores” que não poupam criticas aos empresários, em vez de, como dizia há dias um conceituado economista num programa televisivo, pensarem que é preciso repensar a liberalização (não é só nos têxteis), caso contrário a situação será gravíssima, a curto prazo. É preciso coragem para o afirmar.

Os chavões da Inovação, Internacionalização, Modernização, etc. estão a ficar gastos!

Por tudo o acima exposto, a nossa posição é de expectativa, não descurando a modernização, a qualificação dos recursos humanos e a flexibilização do nosso parque de máquinas, considerando o serviço a prestar aos nossos clientes em qualquer parte do mundo, como um ponto de honra.

Uma grande parte da nossa indústria tem sabido fazer bem, que os políticos saibam fazer também.

 

 

Têxteis Domingos de Almeida

(Roupa de cama)

Desvio de Rota

Todos temos conhecimento que o segmento dos têxteis-lar atravessa já algum tempo um período de grandes dificuldades, contudo a postura das empresas portuguesas refugia-se muitas vezes em panoramas críticos sem desencadear mecanismos eficazes, de forma a confrontar as crises. Nós, portugueses, somos sempre os acomodados… Choramos sempre sobre o derramado. No entanto, todos fomos sabedores há uns anos atrás que as barreiras aos países asiáticos iriam cair, e nada fizemos? Temos que reagir! Mas logicamente, o mercado encarregar-se-á de filtrar as empresas que dispõem do perfil adequado ao que se exige para o novo quadro do tecido empresarial português.

A Têxteis Domingos Almeida trabalhou sempre a capacidade de responder às adversidades do mercado adaptando o seu estilo de gestão em função da evolução dos mercados sem nunca esquecer os seus produtos tradicionais e as bases da sua competitividade.

São várias as razões que levam a Têxteis DA a “desviar” a sua rota, pois com as variações cambiais do dólar e com a forte penetração dos países asiáticos o mercado americano perdeu substancialmente a sua atractividade.

Todavia estamos conscientes que a tarefa é árdua e ambiciosa pois a Têxteis DA transformou em poucos anos a sua forma de se posicionar no mercado. Dado que apenas há 5 anos atrás, a sua carteira de clientes de exportação era constituída por poucos clientes,  que na sua maioria compravam 1 tipo de produto (colcha) em qualidade média baixa.

Neste momento, a carteira de clientes de exportação contempla aproximadamente 60 empresas, todas elas com exigências e especificidades diferentes. Além disso a Têxteis Domingos Almeida tem vindo a subir de patamar para a qualidade média-alta o que nos leva a procurar mercados que reconheçam essa valência no produto. 

A nossa visão de longo prazo, leva-nos a definir projectos para os próximos 3 anos e não para os próximos meses pois as medidas de curto prazo devem ser resultado de estratégias previamente definidas

Deste modo, as grandes linhas orientadoras para o futuro pressupõem uma estratégia diversificada, ou seja, alvos múltiplos e diferenciados. Interessa-lhe vários segmentos do mercado potencial aplicando estratégias de marketing diferenciadas especificamente adaptadas a cada um deles.

A política em aplicação atende obviamente aos critérios que cada segmento terá sobre relação qualidade-preço, estilo de vida e comportamento de utilização ou de compra.

A empresa definiu as suas políticas estratégicas utilizando uma forte componente de inovação e qualidade, de modo a reconhecerem as vantagens competitivas que fundamentam a sua missão pois é a solidificar o presente que garantimos o futuro.

 

Lasa

(Roupa de cama e de banho)

Contracção no consumo

A conjuntura não é nada favorável. E o problema não se resume a uma questão de conjugação da oferta e da procura, é também um problema de confiança, e que ultrapassa o sector têxtil. É todo este ambiente de instabilidade internacional, com as ameaças de atentados e o terrorismo internacional que de certa forma inibem qualquer consumidor. Acresce o facto da maioria das famílias estar com um nível de endividamento elevado, uma realidade que não é só em Portugal que verifica, pois em Espanha a constatação repete-se, e as pessoas que já estão muito endividadas consomem menos.

Esta contracção é extrapolada ao mercado comunitário em geral, de onde se destacam a França – embora desde há dois meses se apresente como uma excepção na conjuntura de crise e começou e recuperar um pouco –, e a Alemanha onde os sintomas de crise se mantêm.

Relativamente aos efeitos da liberalização os países como a Turquia e os do leste da Europa é que estarão a sofrer mais, porque nesses mercado é que sente mais a competição baseada no preço, e a China ainda não tem qualidade para se considerar concorrente. O Paquistão, por sua vez, tem já demasiada qualidade para sentir estes efeitos. O mercado americano já não é tão problemático pela menor valorização de euro, se comparamos com o passado, mas ainda é cedo para se sentirem os efeitos. Mas pode dizer-se que já há clientes que tinham deixado de encomendar cá e que regressam agora ao nosso país.

Quanto aos nossos planos para o futuro, estamos a internacionalizar mais a nossa marca própria, e estamos em processo de negociação relativamente a outras marcas, cujos pormenores saberão brevemente.

Adalberto

(Roupa de cama)

Efeito

 

Nos últimos meses do ano passado tivemos bons resultados, como recompensa de um trabalho que já vínhamos a desenvolver há algum tempo, e portanto é um caso à parte. Até meio deste ano já tivemos uma quebra de 8%, de onde salientamos como principais razões a entrada da China no mercado, cuja prevenção todos quisemos adiar e acabámos por ser surpreendidos por um impacto ainda maior do que o que esperávamos; já para não falar na concorrência agora mais agressiva dos outro protagonistas deste mercado, como a Turquia, o Bangladesh ou o Paquistão, fruto da liberalização.

Quanto à China, devo acrescentar que estive lá há dois meses e vi que estavam a realizar investimentos massivos em equipamento, e a prepararem-se para serem bons subcontratados. E é preciso notar que as empresas tem um forte participação estatal, que não se regem pelas leis de mercado, agravando este fenómeno de concorrência desleal cujos outras características já conhecemos. O Governo chinês quer ser uma hegemonia têxtil, e não olha a meios para o conseguir. E assim não estamos a combater com armas similares, e não falo só das diferenças salariais, mas actuação do partido comunista chinês, que ninguém está a controlar. Nas empresas que estão a fazer grandes investimentos vemos um representante do partido a controlar os investimentos que são feitos, (depois de já terem sido promovidos), e assim vemos os melhores equipamentos ocidentais a serem lá instalados. Mas entretanto também já conseguimos observar que o Estado já constata que as empresas 100% estatais são mal geridas, e então estão a promover a gestão privada, e a preparar a transição. E quando o Estado intervier menos, a China vai deixar de ser o bicho papão que é. Mas para sermos realistas, sublinhamos que é apenas uma questão de tempo sermos tecnicamente ultrapassados.

Quanto a preparar o futuro, estamos a fazer o que já estávamos a fazer anteriormente, que é assegurar uma resposta rápida aos clientes, aliando um bom serviço ao design da nossas colecções. Já foi esta a estratégia que proporcionou bons resultados até final do ano passado.

Sotave

 

(Roupa de cama)

Abertura de lojas

Devemos ter este ano uma quebra do volume de negócios na ordem dos 20%, devido predominantemente à concorrência asiática, agudizada pela liberalização, que já fez cair os preços mais de 30%. Dividindo o problema por países, a China é o grande produtor desestabilizador, a Turquia ainda não compete na alta gama mas supre as necessidade do mercado alemão e da Europa de Leste, e o Paquistão também não nos faz tanta concorrência directa por ser uma gama media baixa. A agravar este fenómeno, notamos uma diminuição da procura nacional, e do resto da UE.

Relativamente ao futuro, podemos adiantar que estamos a preparar um projecto de reestruturação da empresa, que queremos complementar com um projecto de internacionalização, incluindo a abertura de lojas em Espanha, e noutros países.