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Bolsas ganham nova vida

A cadeia de retalho de Yiu, a Milan Station, primeira do seu tipo a aparecer em Hong Kong, compra bolsas de luxo usadas – Prada, Chanel ou Gucci – que são posteriormente autenticadas pela equipa do retalhista e colocadas à venda. Ao contrário das jóias, as bolsas desvalorizam acentuadamente após saírem de moda. «Tornou-se uma cultura em Hong Kong, as mulheres vendem as bolsas antigas quando compram uma nova. Estamos dependentes deste grupo muito pequeno» de consumidoras, que são «a principal fonte de alimentação para outras mulheres». A ideia não transformou apenas os hábitos de compra tradicionais, fazendo de Yiu um homem rico, no início deste ano a empresa estabeleceu um recorde para a mais popular oferta pública inicial na história do centro financeiro asiático. De uma humilde empresa há uma década atrás, com uma loja de 9 metros quadrados, o retalhista pioneiro tem agora 14 lojas, planeando expandir para responder à crescente procura da China continental por bens de luxo. Enquanto a maioria dos clientes espera conseguir um grande desconto, às vezes 30% do preço de retalho de uma bolsa, algumas edições limitadas são realmente mais caras, na qualidade de objectos de coleccionador, como a famosa Birkin da Hermès. O retalhista revelou que os resultados da entrada em bolsa, que viu cerca de 25% da empresa vendida por um total de 35 milhões de dólares, vão ajudar a instalar 24 novas lojas em várias cidades chinesas ao longo dos próximos três anos. Actualmente, possui duas lojas em Pequim e uma em Xangai e Macau, com novas localizações planeadas, incluindo a metrópole interior de Chengdu e a cidade de Guangzhou. «A China é como um campo de petróleo inexplorado», disse Yiu, sorrindo confiante. «O mercado é enorme e eles têm a cultura de oferecer prendas. Algumas pessoas podem não gostar necessariamente das bolsas que receberam, por isso preferem trocar as bolsas por dinheiro», acrescentou Yiu. A China deverá tornar-se no maior mercado de produtos de luxo do mundo em 2020, representando 44% das vendas globais, de acordo com um relatório da corretora CLSA Asia-Pacific Markets. Yiu revelou ainda que a Milan Station tem também o objectivo de explorar os mercados da Europa e dos EUA com uma estratégia de vendas on-line em que as bolsas serão comercializadas através do gigante eBay. «Estes são locais onde não temos planos para abrir lojas no curto prazo, portanto esta é a nossa nova estratégia, e é uma forma de testar as águas on-line», concluiu.