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Bomdia ganha mundo

Qualidade, inovação e serviço são os pilares sobre os quais a Bomdia quer alicerçar o seu crescimento. Com 50% das exportações direcionadas para mercados extraeuropeus, a produtora de têxteis-lar está a explorar novas latitudes, incluindo países africanos como a África do Sul, Moçambique e Marrocos.

Fundada em 1933, a Fábrica de Tecidos de Viúva de Carlos da Silva Areias & Cª, mais conhecida por Bomdia, sobreviveu à II Guerra Mundial, passou a ditadura em Portugal e resistiu às convulsões pós 25 de Abril.

«A Bomdia nasce numa toalha a dizer “bom dia” que uns familiares do fundador da fábrica, Carlos Areias, trouxeram do Brasil e lhe ofereceram como presente, nos finais dos anos 50. A marca penso que só é registada nos anos 70, mas já utilizávamos o nome Bomdia, nos rótulos, no logótipo», explicou Carlos Gonçalves, administrador da empresa, na entrevista ao Jornal Têxtil, publicada na edição de outubro de 2016 (ver Portugal dos pequenitos).

É no design que a empresa se distingue, assim como na capacidade de rapidamente responder aos pedidos. «Entregamos numa semana em qualquer parte do mundo, o que nos obriga a ter um stock de 400 ou 500 toneladas», acrescentou o administrador.

A força dos valores familiares, nomeadamente persistência, contenção e rigor, que estão incutidos no ADN da empresa, permitiu-lhe superar a mais recente crise económica, abrindo portas em novos mercados para os seus felpos, como os EUA, a China ou o Japão. «Neste momento, a Bomdia exporta para 28 países. O nosso maior mercado é os EUA, segundo a Itália, terceiro a Espanha, que tradicionalmente era o primeiro – aliás, vivemos durante algum tempo dependentes do chamado mercado Ibérico. Esses são os principais mas chegamos também ao México, ao Japão, ao Chile, à Colômbia e outros», enumerou Carlos Gonçalves. Em linha de mira está a consolidação dos novos mercados. «A primeira fase, até porque eles são relativamente recentes, é consolidar e ampliar os mercados onde estamos e tentar já abordar alguns países mais a longo prazo, como seja a África do Sul, que é um mercado que poderá vir a ter muito interesse, Moçambique e começar pelo Norte de África, como Marrocos», revelou ao Jornal Têxtil.

Aliás, quase 50% das vendas da empresa, que emprega 158 pessoas, têm como destino países fora da Europa, onde os EUA têm uma quota de 18% – um feito que o administrador atribui a uma combinação entre tecnologia e know-how. «Primeiro, foi saber o que fazemos, ter a consciência das nossas capacidades e possuir uma equipa humana fantástica, sabendo utilizá-la. Em termos tecnológicos, penso que sempre andámos na linha da frente», apontou.

Uma estratégia que se alinha pelo desenvolvimento do sector em Portugal. «Portugal passou por uma fase em que houve uma euforia exagerada, houve excesso de oferta e toda a gente teve de fazer reajustes. Na altura vendia-se sobretudo pelo preço. Agora, o paradigma é outro e acho que é mais entusiasmante: é fazer de Portugal uma marca, em que os têxteis-lar são considerados moda e que se vende sobretudo pelo desenho, pela qualidade e pelo serviço», afirmou o administrador.

A marca própria Bomdia representa já 60% a 70% dos produtos que saem da empresa. «Tenho alguns clientes que exigem mesmo que coloque a etiqueta Bomdia – grandes superfícies e grandes clientes que normalmente querem a marca própria, querem a etiqueta Bomdia porque é reconhecida em Portugal. Ganhámos músculo em Portugal, somos reconhecidos em Espanha, estamos agora na França e vamos por aí fora», referiu.

Quanto ao futuro, Carlos Gonçalves, que é já a terceira geração da família na administração da empresa, mantém a certeza de que a afirmação da marca Bomdia deverá levar à consolidação dos mercados. «Tenho a certeza que as sementes que lançámos nestes últimos anos vão crescer, vão dar bons resultados, mas tenho pena de não ser um bocado mais novo. É para a geração que vier a seguir. O culminar desses bons resultados é voltar a empregar pessoas novamente», concluiu.