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Bons negócios em família

Os laços familiares que unem a Têxteis Domingos Almeida (DA) e a Têxteis J. F. Almeida vão mais além dos progenitores comuns de Domingos e Joaquim de Almeida. A complementaridade da família de produtos que cada uma das empresas desenvolve – a DA em roupa de cama e tecidos de decoração e a J. F. Almeida em felpos – foi também capaz de estabelecer fortes laços cujo mais recente desenlace foi o lançamento de uma nova colecção de têxteis-lar sob a marca Tony Miranda. «Trata-se de uma colecção constituída por artigos de alta qualidade, vocacionada para a internacionalização», explica Sofia Ferrão, directora de Marketing da Têxteis Domingos Almeida. «Este convite ao Tony Miranda surge na sequência da dinamização da estratégia de marketing de ambas as empresas, que desta forma pretendem derrubar as fronteiras entre o vestuário e os têxteis-lar». Mais do que uma marca, Tony Miranda é símbolo de criatividade e sofisticação no vestuário, qualidades singulares que o estilista português com vasta experiência na "haute-couture" estende agora à "home couture" sob a égide das duas Almeidas. «É um novo desafio», afirma Tony Miranda. «Trata-se de uma colecção que me deu imenso prazer a criar e que se enquadra perfeitamente dentro da nossa imagem de marca. A receptividade na Heimtextil foi muito boa, o que nos deixa antever as melhores perspectivas». A união de facto entre as empresas especialistas em têxteis-lar remonta, todavia, a Janeiro de 2006, quando a Têxteis Domingos Almeida se estreou no espaço Dreamland da Heimtextil, unindo-se assim à "irmã" J. F. Almeida, que tinha chegado a este espaço de excepção da mais internacional das feiras de têxteis-lar um ano antes. Stand comum e produtos diferentes mas complementares serviram de força propulsora para a escalada na cadeia de valor. Deste modo, a nova parceria com Tony Miranda mais não fez do que consolidar a estratégia de ambas as empresas, com o objectivo comum de se demarcarem de uma concorrência sustentada numa mão-de-obra intensiva. «2006 foi um ano pautado por alguma mudança, em resposta à concorrência de países como a Índia, China, Paquistão e Turquia. Deste modo, preconizámos medidas como uma maior automatização dos processos produtivos e, por consequência, uma menor dependência da mão-de-obra, para elevar a nossa competitividade no mercado global», revela o administrador da Têxteis J. F. Almeida, Joaquim Almeida. Para a Têxteis DA, o ano que findou foi «muito positivo», segundo as próprias palavras do seu administrador Domingos Almeida. «Crescemos mais 25% em termos de facturação, melhorámos bastante em matéria de organização e ganhámos novas apostas em inovação e I&D de produto», acrescenta. Com um efectivo de 85 pessoas, a empresa especialista em roupa de cama e tecidos de decoração registou um volume de negócios de 5 milhões e 400 mil euros no ano transacto. Em paralelo ao novo projecto Tony Miranda, a J. F. Almeida continua também a apostar forte na sua colecção própria, onde destaca uma componente design cada vez mais efectiva, reflexo de um cuidado trabalho de equipa que engloba já seis pessoas, para um efectivo de 320. A mesma estratégia é adoptada pela DA, que propõe para 2007 uma colecção sustentada num novo conceito de neoclássico, sublimado pela modernidade dos desenhos e pela coordenação das cores. «Procurámos fazer uma simbiose entre as vertentes moda e comercial, desenvolvendo as novas linhas em função de diferentes estilos e mercados – europeu e americano», afirma a directora de marketing da Têxteis Domingos Almeida. «O que deu bons resultados na medida em que "vendemos" todas as camas em exposição na Heimtextil – duas para os EUA e uma para França». Flexibilidade e resposta rápida são os factores-chave do sucesso das duas Almeidas no mundo actual dos negócios para o lar. «O stock permanente dentro de portas permite-nos responder na hora ao clientes», sublinha Joaquim Almeida, cuja empresa registou um volume de negócios de cerca de 15 milhões de euros no último exercício fiscal. Capacidade de antevisão é também um atributo comum que tem permitido efectuar as viragens certeiras. «Quando iniciámos a nossa actividade em 1979, apostámos na roupa de cama. Mas no início dos anos 90 decidimos especializar-nos antes nos felpos, pois pressentíamos uma grande concorrência no campo das telas por parte dos países em vias de desenvolvimento. O que o tempo se encarregou de confirmar», declara Joaquim Almeida. Vocacionadas para a exportação, as empresas têm todavia diferentes mercados principais. A Têxteis Domingos Almeida tem como mercado nº 1 os EUA, enquanto que a Europa é o principal destino das exportações da Têxteis J. F. Almeida. Mas ambas têm um mesmo objectivo: continuar a crescer no Mundo.