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Boss quer mandar no mercado

A casa de moda alemã Hugo Boss vai combater o abrandamento económico aumentando o número de lojas e utilizando uma distribuição mais flexível para albergar a presença internacional da marca. «2009 será acima de tudo um ano para consolidar o que conseguimos até agora e ganhar quota de mercado aos nossos concorrentes», revelou em entrevista à Reuters Claus-Dietrich Lahrs, o director-executivo da Hugo Boss. Esta combinação das suas próprias operações de retalho e a capacidade de reagir rapidamente à alteração das tendências de consumo tornou-se, «mais do que nunca», uma vantagem importante, como explicou Lahrs. Esta declaração da Hugo Boss surge depois da Hermès, o segundo maior grupo de luxo em termos de valor de mercado depois da LVMH, ter afirmado recentemente que tem igualmente como objectivo manter as vendas a um nível semelhante ao de 2008. Muitos analistas antecipam que o mercado mundial de luxo tenha uma quebra de 10% este ano, com o abrandamento económico a afectar os rendimentos e o consumo dos ultra-ricos. Conhecida pelos seus fatos pretos de corte impecável, golas Mao e acessórios de luxo, a Hugo Boss factura cerca de 40% do seu negócio em lojas da marca e planeia aumentar «significativamente» esta quota, revelou Lahrs. O antigo director da Christian Dior e da LVMH juntou-se à Hugo Boss em Agosto do ano passado, sucedendo a Bruno Saelzer, que saiu após a aquisição da marca por parte do grupo Permira, que detém actualmente 72% do grupo Hugo Boss. «Sei pela minha experiência na Louis Vuitton e na Dior que é uma tarefa gigantesca ter sucesso mundialmente. Ainda temos um longo caminho em termos de posicionamento internacional», afirmou o director-executivo. A Hugo Boss gera cerca de 70% das suas vendas na Europa e pretende aumentar as vendas no estrangeiro para 50% nos próximos três a quatro anos, com um enfoque na América do Norte e a ásia. China, Hong Kong, Singapura, Europa – sobretudo Europa de Leste – e o Médio Oriente são os mercados que registam actualmente o crescimento mais acelerado. Para ser mais rápida e mais flexível na reacção às mudanças na procura, a Hugo Boss vai abrir um novo armazém, em Maio ou Junho, próximo da sua sede em Metzingen, no sudoeste da Alemanha, pensado para fornecer todos os seus mercados. O grupo investiu dezenas de milhões de euros no novo centro – um dos maiores da Europa – dedicado ao armazenamento de fatos, casacos, calças e artigos afins e planeia investir uma quantia similar em breve num outro armazém para artigos como camisas e camisolas. O financiamento para estes planos está já assegurado. A Hugo Boss pediu um empréstimo de 750 milhões de euros para cinco anos em Maio de 2008 e Lahrs revelou que não é necessário renegociá-lo. A casa de moda, que deverá apresentar os resultados a 26 de Março, vai também conseguir cumprir as previsões de 2008, como afirmou Lahrs, acrescentando que o quarto trimestre e a época de compras do Natal foram melhores do que o esperado, depois dos tempos difíceis de Setembro e Outubro. A Hugo Boss baixou as suas previsões em Outubro, após as vendas do terceiro trimestre terem estagnado. As previsões apontam agora para que os lucros brutos se situem entre os 210 e os 220 milhões de euros, abaixo do nível de 220 milhões de euros de 2007, e para um crescimento das vendas de 6% a 7%.