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Bovi teve o melhor ano de sempre

Com um crescimento de 20% para um volume de negócios de 23 milhões de euros, a empresa especializada em roupa de cama registou, no ano passado, o seu melhor ano de sempre, ajudada pela abertura de novos mercados, do Médio Oriente à Austrália.

Joana Barros

«Foi o nosso melhor ano», afirma Joana Barros, diretora comercial da Bovi. «Tal como aconteceu com muitos dos nossos colegas, em termos de negócio a pandemia trouxe muitas oportunidades e, portanto, o melhor ano em termos de volume de negócios foi não 2020, mas 2021», explica ao Jornal Têxtil.

No total, o volume de negócios da empresa cresceu 20%, para 23 milhões de euros. «Os clientes que já nos compravam habitualmente, compraram ainda mais do que nos anos anteriores, porque os seus próprios clientes, os consumidores finais, também começaram a comprar mais coisas para a casa. Tivemos muitas oportunidades de negócio de produções e encomendas que, noutras alturas, seriam colocadas em fornecedores asiáticos e que, por uma questão de custos de transporte, de prazos de entrega que deixaram de funcionar, começaram a ser colocadas em Portugal e nós aproveitamos essas oportunidades todas», revela Joana Barros.

A isto somaram-se novos clientes, nos mercados habituais e não só. «Abrimos novas contas no ano passado, foi um ano em que concretizámos bastantes clientes novos», indica a diretora comercial, enumerando o Médio Oriente, o México, a Austrália e a Nova Zelândia como mercados em crescimento.

Sem muita presença online, «porque grande parte da marca está alavancada no retalho», a especialista em têxteis-lar, que faz 80% do seu volume de negócios no private label e 20% na marca própria Bovi, avançou, contudo, com uma parceria com a Vista Alegre, passando a constar no website Casa Alegre, que reúne um conjunto de marcas nacionais. «Para já essa foi a nossa principal aposta. Achámos que era uma coisa boa para a marca em termos de notoriedade, para a fazer crescer e termos também alguma presença online», justifica a diretora comercial.

Investir na sustentabilidade

A sustentabilidade está igualmente no centro da estratégia da empresa, quer nos produtos – onde a nova coleção está focada em looks naturais, por exemplo com algodão lavado não branqueado –, quer nos processos. «Com o conhecimento que temos do processo produtivo, também temos essa missão de mostrar aos clientes técnicas alternativas – por exemplo, as propostas com algodão não branqueado gastam menos químicos, são uma alternativa ao stone wash, que é intensivo em termos de consumo de água», exemplifica Joana Barros. «Como somos especialistas em acabamentos e gerimos o processo produtivo de A a Z, os clientes confiam e normalmente a recetividade é sempre muito boa às novas técnicas que lhes apresentamos», acrescenta.

A Bovi, que emprega cerca de 250 pessoas, está ainda a investir em painéis fotovoltaicos, para além da recolha de águas pluviais, que faz parte dos processos da empresa há vários anos. «Recentemente, fizemos também um investimento no processo para reutilização de soda cáustica, para diminuir o consumo desse produto químico que utilizamos largamente», avança a diretora comercial.

Rebranding em curso

Para 2022, as expectativas são de um «otimismo moderado», como classifica Joana Barros. «Estamos completamente tomados até ao final do mês de maio, o que é bom, e temos a vantagem de, neste momento, não estarmos muito dependentes do mercado europeu. Temos clientes desde o México aos EUA e Médio Oriente, que, neste momento, são clientes menos afetados pelo que se passa atualmente no mundo. Temos clientes novos com os quais estamos a começar a trabalhar e, portanto, nesses clientes não há retração, não há tanta incerteza, e as decisões de compra continuam a ser tomadas naturalmente. Agora, nos clientes europeus, as quantidades não são as mesmas, estão a ser muito mais cautelosos e há encomendas adiadas», fundamenta a diretora comercial.

Além disso, apesar da empresa ter contratos fixos para a energia, a instabilidade do mercado está a obrigar a Bovi a subir os preços, em média em 8%. «Obriga-nos a ter conversas muito difíceis com clientes, a ter que estar constantemente a atualizar preços, o que não é fácil», confessa Joana Barros. Por isso mesmo, «o nosso objetivo é muito claro: conseguir fazer o mesmo do ano passado. 2021 foi um ano fenomenal, portanto, se conseguirmos atingir o mesmo volume de negócios que atingimos no ano passado, vamos dar-nos por muito contentes», resume a diretora comercial da Bovi.

Quanto ao futuro, «o online e a digitalização são uma inevitabilidade», considera Joana Barros, embora haja investimentos mais prementes. «Estamos numa fase em que queremos fazer um rebranding da marca. Mudámos completamente o catálogo, as coleções que tínhamos, para a ter no posicionamento que queremos, que é uma marca mais moderna e atual. Tem sido a isso que nos temos dedicado nos últimos dois anos», destaca a diretora comercial. «Estamos numa fase em que, nos próximos três anos, queremos consolidar a nossa presença nos mercados onde fizemos os maiores investimentos e modernizar a marca», salienta.