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Brasil ameaça retaliação

O National Cotton Council expressou o seu desapontamento em relação às declarações realizadas pelos produtores brasileiros de algodão de que a nova lei agrícola americana não deverá responder às suas preocupações e que «retaliar» pode ser a única opção. Os comentários foram feitos, alegadamente, pelos produtores brasileiros quando visitaram Washington para dois dias de conversações. A longa disputa já viu o Brasil denunciar os subsídios de algodão dos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC). Depois da OMC ter determinado que os subsídios ao algodão dos EUA são ilegais, o Brasil ganhou o direito a impor taxas retaliatórias de 830 milhões de dólares (cerca de 615 milhões de euros) sobre os bens americanos, desde automóveis a leite em pó – mas adiou isso em troca de um pagamento anual de 147,3 milhões de dólares dos EUA aos agricultores brasileiros. Os pagamentos terminaram no ano passado, mas as sanções foram colocadas em pausa enquanto Washington escreve uma nova lei agrícola que deverá eliminar os subsídios, que existem há vários anos. Sem uma nova lei agrícola à vista, os brasileiros afirmam que uma decisão sobre se vão retaliar contra os EUA será tomada este mês, segundo a Reuters. Em resposta, o National Cotton Council disse estar «extremamente desapontado e perturbado» pelas declarações efetuadas pelos representantes da indústria brasileira de algodão. A organização afirmou que «desvalorizaram um acordo cuidadosamente negociado» entre as organizações de agricultores dos EUA e do Brasil e «deram uma imagem errada» das reformas na legislação agrícola sobre o algodão que estão agora a ser analisadas pelo Congresso. «Os comentários dos agricultores brasileiros de que apoiariam a retaliação são profundamente desapontantes para os agricultores americanos que fizeram uma reforma significativa da política, com mais modificações para os apoios ao algodão, suportada pela exigência de expandir a autoridade para usar os quase 500 milhões de dólares já transferidos para o BCI e que apoiaram a manutenção do Acordo. Embora os seus comentários tenham sido proferidos em termos políticos corretos, é evidente que os agricultores brasileiros simplesmente querem mais dinheiro para além das reformas políticas. Também é claro que estão dispostos a deturpar o programa de segurança para atingir os seus objetivos», explicou. O National Cotton Council revelou ainda ter promovido e estar preparado para aceitar grandes reformas para acabar com esta longa disputa. A organização sublinhou que está também disposta, no acordo final, a «validar» o seu empenho em cooperar com a indústria brasileira. «A indústria dos EUA apoia a reintegração do Acordo. Mas está na altura da indústria brasileira reconhecer que o novo programa de apoio ao algodão é uma reforma substancial. É tempo de pôr esta questão para trás das costas, mas os comentários da delegação brasileira não são um passo na direção certa», acrescentou. Segundo a Reuters, a comissão de comércio externo do Brasil, a Camex, realizou consultas públicas em janeiro com o objetivo de acabar com as medidas de retaliação a 28 de fevereiro.