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Brasil Promete – Parte I

O Brasil é o quinto maior produtor têxtil do mundo, o segundo maior produtor mundial de índigo, e o terceiro maior produtor mundial de malha. Segundo dados da ITMF- International Têxtile Manufacturers Federation, veiculados ao JT pela Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, esta economia emergente também é o quinto maior confeccionador mundial, o sétimo maior produtor mundial de fios e filamentos, e pretende «estar na Moda» com a projecção da sua São Paulo Fashion Week– é a quinta maior Semana da moda do mundo em termos de impacto e projecção nos órgãos de informação internacionais -, destacando-se a grande projecção das modelos brasileiras, a que se acrescentam 38 escolas de moda por todo a país e com alguns designers que vão ganhando o seu espaço na cena internacional. E o Brasil quer assumir um papel ainda mais importante na ITV mundial. Depois de na década de 90 o gigante sul americano ter investido cerca de 10 mil milhões de dólares no seu parque industrial têxtil, mais 8 mil milhões serão investido até 2010, acompanhados por uma politica de incentivo às exportações – embora prejudicada actualmente com a excessiva valorização do Real -, onde pretende quase duplicar os 2,1 mil milhões de exportações da fileira têxtil em 2004 para 4 mil milhões até 2008. As exportações do segmento têxtil brasileiro aumentaram 69% entre 2001 e 2004, chegando aos 1,740 mil milhões de dólares, e as de confecção aumentaram 24% no mesmo período, chegando aos 340 milhões de dólares. (Ainda assim, o mercado interno absorve para já grande parte da produção: dos 26 mil milhões de dólares de produção total da ITV, apenas 2,2 mil milhões foram exportados). Esta intenção é acompanhada pela iniciativa TexBrasil, orientada para organizar as empresas «para uma oferta organizada dos produtos brasileiros no exterior», segundo a Abit. A esta missão acrescem cinco objectivos principais: a consolidação da identidade do produto brasileiro, a criação de emprego, a manutenção de um super-avit na Balança Comercial, um aumento na receita de divisas internacionais, e a horizontalização da exportação na cadeia têxtil. Esta caracterizou-se em 2004 por envolver 30 mil empresas, e um milhão e meio de trabalhadores, responsáveis, só na área do vestuário, pela produção de 7,2 mil milhões de peças por ano. O Poliéster Entretanto, sabendo-se que se trata de um país auto-suficiente em termos de produção de algodão- 1,3 milhões de toneladas em 2004, «a melhor safra de sempre» segundo a Abit, colocando-o entre os cinco maiores produtores mundiais, o Brasil tinha apenas um epíteto menos favorável: era um fraco produtor de fibras não-naturais. Este estatuto inverteu-se. Com o segmento de fios e tecidos de poliéster a ser muito afectado pela importações asiáticas (sobretudo chinesas), assumindo um aumento de 49% em 2005, as empresas Polyenka, FIT e Vicunha aliaram-se ao gigante petroquímico brasileiro Petrobrás (considerada pela Forbes a melhor empresa sul americana de 2005) e a um produtor italiano de poliéster Mossi & Ghisolfi para a construção de um complexo de produção de fios de poliéster no Nordeste do Brasil, em Pernambuco, com uma capacidade prevista de 180 mil toneladas de fio por ano, mais do que duplicando a produção brasileira actual de cerca de 110 mil. O presidente da Polyenka disse que o projecto pode implicar a criação de um milhão de postos de trabalho, directos e indirectos, em toda a fileira têxtil, e o Governo considerou este projecto prioritário. Paralelamente, o grupo de indústrias têxteis associou-se à Petrobrás e à Braskem para fazer um projeto semelhante em Camaçari, na Bahia. O projeto prevê investimento de 700 milhões de dólares, mas está menos avançado do que o complexo de Pernambuco. As Fusões A Vicunha, um destes parceiros, era a maior produtora de denim do mundo, responsável por dois terços das exportações brasileiras de denim e de tecidos lisos de algodão para o mercado europeu, para onde exporta há 25 anos, assegurando 144 milhões de metros por ano de produção. Mas em meados de Março a brasileira Santista Têxtil (comemorou em 2004 os 75 anos de história) e a espanhola Tavex protagonizaram o que chamaram de «um acordo estratégico e industrial», numa fusão de actividades para se tornar, segundo um porta-voz da empresa brasileira, no maior fabricante de denim do mundo em cinco anos, com quinze por cento da quota de mercado, prevendo aumentar a produção em 30% em três anos. E no final de 2005, a Conteminas, a maior empresa têxtil do Brasil, fez uma parceria no segmento dos têxteis -lar com a norte-americana Springs Industries, criando a Springs Global, a maior empresa de têxteis-lar do mundo. O JT visitou alguns deste gigantes do top Ten da ITV brasileira, constantes da seguinte tabela:

Classificação no Sector por Vendas Liquidas anuais em milhões de dólares em 2004
1 Vicunha Têxtil 765,95
2 Coteminas 655,15
3 Grendene 594,75
4 Alpargatas 429,35
5 Santista Têxtil 372,25
6 Braspelco 267,10
7 Azaléia 238,90
8 Hering 167,10
9 Guararapes 154,15
10 Azaléia Nordeste 150,85
Economia De acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a economia brasileira registou um crescimento de 2,3% em relação a 2004, passando da 15ª para a 11ª posição nas maiores economias mundiais, segundo um estudo da Austin Rating, divulgado na Folha de São Paulo. O Brasil aparece assim atrás dos EUA, do Japão, Alemanha, Reino Unido, França, China, Itália, Espanha, Canada e Coreia do Sul. Ultrapassou em 2004 a Índia, a Austrália, a Holanda e o México, voltando a liderar as economias da América latina. O Governo anunciou que até final deste mês de Abril ficará auto-suficiente em termos de produção de petróleo, estando agora mais protegido das tendências inflacionistas conjunturais internacionais do ouro negro. Entre os sectores produtivos, a melhor performance foi a da indústria, com um crescimento de 2,5% em 2005. O Comércio entre o Brasil e Portugal quase que duplicou no primeiro trimestre deste ano, comparativamente com o período homólogo de 2004, chegando aos 435 milhões de dólares. O petróleo destacou-se nas trocas entre os dois países, assumindo 44% das exportações para o nosso país, enquanto que o Bacalhau foi o mais exportado, dada a época do ano em questão. O Banco Central Brasileiro prevê um crescimento de 4% para 2006.

Retalho O sector de retalho no Brasil é tradicionalmente muito fragmentado, mas a preferência dos brasileiros por um único ponto de compras que ofereça complementarmente outros serviços, tem vindo a dar grande protagonismo aos centros comerciais, em grande crescimento sobretudo na última década. Embora os níveis de rendimento no Brasil sejam mais baixos do que na América do Norte e na Europa, os brasileiros também têm um custo de vida mais baixo. Nas 4 principais classes de rendimento, as famílias de classe A- com rendimentos acima dos 33 mil dólares, representam 5% da população urbana -, as de classe B- entre 13 mil e 33 mil dólares, representam 18%-, e as classes C e D juntas- até ao limite inferior de 2.700 dólares, que representam 65% da população, têm aumentado o seu poder de compra devido à diminuição da inflação, e têm sido o público-alvo dos retalhistas. Depois da introdução do Plano Real, pequenos aumentos no poder de compra reflectem-se logo em aumentos do consumo em termos gerais, e no consumo de vestuário em particular. De acordo com um estudo do Banco Espírito Santo (BES), a concentração no retalho brasileiro tende a aumentar nos próximos anos. Este segmento movimentou cerca de 50 mil milhões de dólares, 9% dos quais foram detidos pelas seis maiores redes: C&A (32,3%), Lojas Pernambucanas (23,1%), Riachuelo (16,3%), Lojas Renner (15%), Lojas Marisa (8,1%) e as Lojas Americanas (5,2%). Segundo Marcelo Milman, analista do BES, a probabilidade destes principais grupos duplicarem a sua quota na facturação global nos próximos dez anos é muito grande, o que significaria um aumento da quota de mercado destes seis de quase 10 para 25 ou 30% do mercado. O mercado do luxo destaca-se pela sua taxa de crescimento anual de 35% nos últimos anos, com a sua margem de lucro a crescer 45%, num mercado que movimenta dois mil milhões de reais. Há cerca de meio milhão de consumidores de artigos de luxo no Brasil, sendo 75% deles em S. Paulo. De entre os principais pontos de interesse no retalho brasileiro, destacam-se os cariocas Shopping Fórum e o Fashion Mall, nos centros comerciais, e a pracinha de Nossa Senhora da Paz no retalho urbano. Na zona paulista, merecem especial referência o Centro Comercial de Luxo Iguatemi e a Rua Óscar Freire, que num estudo realizado pelo Instituto Market Analysis às 16 melhores ruas de marcas de luxo do mundo ficou bem avaliada na gentileza dos funcionários e na apresentação das lojas, ultrapassando a mítica 5ª Avenida, em Nova Iorque. Segundo uma analista, confirma a fama de bom atendimento do brasileiro, num aspecto tão importante actualmente como melhorar a experiência do consumo.