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Brasil quer limitar importações chinesas

Os responsáveis governamentais brasileiros planeiam limitar as importações de artigos têxteis e calçado com origem na China, em sequência do aumento significativo registado no volume de importações ao longo do ano, cuja quantidade sextuplicou. De acordo com o divulgado pela Bloomberg, esta medida tem por objectivo evitar o encerramento de unidades industriais e a diminuição de postos de trabalho na maior economia da América do Sul.

De acordo com o divulgado por Dilma Rousseff, Ministra da Casa Civil no Governo do Presidente Lula da Silva, o Brasil vai provavelmente aplicar até ao final de Setembro as medidas de salvaguarda necessárias para restringir o volume de importações chinesas.

De acordo com as declarações da Ministra Dilma Rousseff em conferência de imprensa, os sectores têxtil e calçado são os principais prejudicados pelas importações chinesas. No entanto, defende que devido às características do relacionamento entre o Brasil e a China e a importância da China na dinâmica da economia mundial, deve-se agir com cuidado ao longo deste processo.

De acordo com as declarações de Dilma Rousseff, em seguimento deste processo, o Ministro brasileiro da Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, planeia viajar até à China antes do fim de Setembro, para comunicar oficialmente a decisão do Brasil às autoridades chinesas.

As importações brasileiras de têxteis e calçado com origem na China, a economia mundial com maior taxa de crescimento, aumentaram 128 milhões de dólares entre os meses de Janeiro a Julho, considerando o valor de 23 milhões de dólares registado em igual período de tem em 2004. De acordo com os dados divulgados pelo Ministério do Comércio e Indústria brasileiro, é provável que as importações venham a registar uma subida de 60% até ao final do ano, colocando em causa o desenvolvimento da indústria e a sustentabilidade de 500.000 postos de trabalho, de acordo com a opinião da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção).

A ABIT divulgou este ano que a China estava a subsidiar as exportações de vestuário e calçado e apelou ao Governo brasileiro para limitar o volume de importações, através da aplicação de medidas de salvaguarda (ver notícia no Portugal Têxtil). Entre os diversos países da América Latina, a Argentina (ver notícia no Portugal Têxtil) e o Peru já impuseram limites ao volume de importações de têxteis, vestuário e calçado com origem na China.

Entre as principais desvantagens concorrenciais enfrentadas pelos produtores brasileiros face aos produtores chineses, encontram-se as taxas mais elevadas que são pagas pelos produtores locais e as diferenças salariais entre os dois países. De acordo com os dados da International Labor Organization, o salário médio no Brasil cifra-se nos 1,66 dólares, enquanto que nas zonas costeiras chinesas o valor é de 60 cêntimos de dólar e no interior da China este valor desce para os 35 cêntimos de dólar.

Para além destas questões, a subida de 25% registada no real brasileiro face ao dólar ao longo dos últimos 12 meses, originou uma diminuição significativa no preço das importações agravando a situação competitiva dos produtores locais face aos artigos importados.

De acordo com os dados da ABIT, as exportações brasileiras de têxteis aumentaram 8,6% durante a primeira metade do ano, cifrando-se nos 948 milhões de dólares (ver notícia no Portugal Têxtil). As exportações de calçado registaram uma quebra de 9% ao longo do primeiro semestre.