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  1. China acaba com subsídios à exportação
  2. Inditex quer sindicato no Vietname
  3. Turquia penaliza algodão americano
  4. H&M cresce em março
  5. Vestuário ganha inteligência
  6. HanesBrands distinguida pela sétima vez

1China acaba com subsídios à exportação

A China aceitou pôr fim ao programa de subsídios à exportação em várias categorias de produtos, incluindo têxteis, vestuário e calçado. Num acordo firmado na semana passada com os EUA, a China vai acabar com os subsídios à exportação que abrangiam empresas chinesas em 179 clusters industriais, conhecidos como “Bases de Demonstração”. O representante do comércio dos EUA, Mike Froman, considera que o acordo assinado a 14 de abril «responde a todos os elementos de um programa de subsídios à exportação massivo e complexo» e que a China publicou «mais de 130 diretivas, instruções e avisos para responder às preocupações dos EUA». O caso remonta a fevereiro de 2015, quando os EUA apresentaram uma queixa na Organização Mundial do Comércio contra os subsídios dados através «da transformação do comércio estrangeiro e atualização das bases de demonstração» e «plataformas comuns de serviço». Para Mike Froman, «esta é uma vitória para os americanos empregados em sete sectores diferentes desde a agricultura aos têxteis e produtos médicos, que vão beneficiar de um campo de jogo mais nivelado em termos de concorrência». A ação já foi aplaudida pelo National Council of Textile Organizations (NCTO). «Não há dúvida que a ascensão da China para se tornar a maior exportadora de produtos têxteis e de vestuário tem sido ajudada por uma série de subsídios ilegais atribuídos pelo governo», afirma Augustine Tantillo, CEO e presidente da NCTO. «Estes subsídios são claramente inconsistentes com as regras da Organização Mundial do Comércio e são injustas para os produtores têxteis e para as centenas de milhares de americanos que empregam. As nossas empresas têm de jogar pelas regras do mercado livre e é altura dos produtores chineses de têxteis fazerem o mesmo», acredita.

2Inditex quer sindicato no Vietname

Os planos para criar um sindicato nacional para os trabalhadores da cadeia de aprovisionamento da Inditex no Vietname deram mais um passo, num projeto integrado no acordo-quadro global entre a gigante espanhola do retalho e o IndustriAll. Numa reunião em Ho Chi Mihn City, os líderes dos sindicatos das fábricas nas províncias do sul do Vietname e representantes da Inditex discutiram a forma de implementar o atual acordo e assegurar que os padrões de trabalho internacionais são seguidos em mais de 100 fornecedores e subcontratados da Inditex. As conversações centraram-se na questão da criação de uma rede de sindicatos nacional da Inditex. O plano tem estado a progredir desde 2015, quando o IndustriAll, juntamente com o VGCL, o sindicato vietnamita VNUTGW e a FES, lançou uma série de workshops para discutir a organização da indústria de vestuário e calçado do país. Os trabalhadores nas fábricas que trabalham para a Inditex discutiram questões como muitas horas de trabalho, utilização generalizada de trabalho precário, baixos salários, ambientes de trabalho quentes, poeirentos e barulhentos, violação dos direitos dos trabalhadores, falta de negociação coletiva e relutância por parte dos empregadores de ceder tempo à atividade sindical para criar relações de trabalho saudáveis. Isidor Boix, da filial espanhola do IndustriAll, o Industria-CC.OO, e coordenador da implementação do acordo-quadro global com a Inditex, considera que a rede será interessante tanto para os trabalhadores no Vietname como para o sindicalismo em todo o mundo. «Tem a ver com defender os direitos laborais na cadeia de aprovisionamento mundial e organizar os trabalhadores nas fábricas que produzem para as grandes marcas», acrescenta. A Inditex assinou o acordo-quadro global em 2007 com a Federação Internacional dos Trabalhadores do Sector Têxtil, Vestuário e Couro, antes deste se ter fundido com outras federações para se tornar o sindicado mundial IndustriAll. O pacto abrange questões como subcontratação na cadeia de retalho e padrões laborais e foi pensado para proteger os direitos dos trabalhadores envolvidos nas operações mundiais da Inditex, destacando que o direito à negociação coletiva e liberdade de associação têm um papel fundamental na cadeia de aprovisionamento mundial, uma vez que dão aos trabalhadores os mecanismos apropriados para monitorizar e pôr em prática os seus direitos no trabalho.

3Turquia penaliza algodão americano

A indústria de algodão dos EUA revelou que vai «opor-se firmemente» à decisão da Turquia de impor taxas antidumping sobre as importações de algodão americano. A posição surge depois do governo turco ter afirmado que vai impor uma taxa CIF (Taxa Predeterminada de Custo Indireto) de 3% sobre todas as importações de fibra de algodão dos EUA para a Turquia, com efeito imediato. A investigação antidumping ao algodão americano começou em outubro de 2014 devido a alegações de que a matéria-prima dos EUA estava a prejudicar o mercado doméstico de algodão da Turquia. A Turquia é o segundo maior mercado de exportação para o algodão americano, com os envios a variar entre 1,5 e 2 milhões de fardos. A taxa CIF coloca automaticamente o algodão americano em desvantagem competitiva face ao algodão produzido noutros países, colocando em risco os negócios com as fiações turcas, afirmou o National Cotton Council (NCC) dos EUA. Shane Stephens, presidente do conselho de administração do NCC, afirmou que a investigação foi claramente em resposta a várias investigações dos EUA às importações de aço da Turquia. «Em primeiro lugar, a investigação padece de falta de transparência em relação à informação usada para justificar a investigação. Os dados usados para apoiar a conclusão de que o mercado doméstico de algodão da Turquia está a ser prejudicado ignoraram factos comprovados do contrário», indicou. Stephens acrescentou que o NCC enviou provas concludentes que mostram que o mercado de algodão da Turquia experienciou declínio de preços devido aos mesmos fatores que afetam os mercados de algodão em todo o mundo, dando como exemplo as políticas governamentais em países em desenvolvimento e a concorrência de fibras sintéticas, que contribuíram para a estagnação da procura mundial de algodão. «Infelizmente, as taxas de importação apenas acrescem ao clima económico difícil que enfrentam os produtores e vendedores de algodão. O NCC vai continuar a opor-se ativamente à imposição de taxas e a explorar formas de reverter a decisão, como os mecanismos da Organização Mundial do Comércio e o sistema judicial turco», concluiu.

4H&M cresce em março

As vendas da retalhista sueca H&M voltaram a subir em março, embora o crescimento tenha sido mais lento do que no mês anterior devido a condições meteorológicas menos favoráveis e à Páscoa antecipada. As vendas incluindo IVA aumentaram 2% em moeda local, marcando o 36.º mês consecutivo de crescimento para a retalhista. Mas este aumento foi bastante inferior à subida de 10% registada no mesmo mês do ano passado e em fevereiro deste ano. A H&M afirmou que as vendas em março, abril e maio devem ser vistas em conjunto, uma vez que a Páscoa tem lugar em diferentes meses consoante os anos e também porque as temperaturas variam muito de ano para ano neste período. A retalhista, que detém as insígnias H&M, Cos, Monki, Weekday, Cheap Monday e & Other Stories, operava 3.997 lojas no final do mês de março, em comparação com 3.580 lojas um ano antes. O lucro do primeiro trimestre atingiu 2,54 mil milhões de coroas suecas (277,2 milhões de euros), um valor abaixo do esperado, já que os efeitos negativos do dólar americano tornaram as compras mais dispendiosas.

5Vestuário ganha inteligência

No que está a ser apelidado como o maior acordo mundial no âmbito da Internet das Coisas para «ligar» a indústria de vestuário e calçado, estão em curso planos para criar identidades digitais únicas para 10 mil milhões de produtos na fase de produção – dando novas oportunidades para o envolvimento dos consumidores e para a visibilidade da cadeia de aprovisionamento. A nova iniciativa prevê que a Retail Branding and Information Solutions da Avery Dennison atribua identidades digitais seriadas e perfis de dados a produtos para algumas das maiores marcas de moda nos próximos três anos, que podem ser facilmente ligadas à plataforma online Janela da Evrythng para dar conteúdo customizado aos consumidores e dados valiosos às marcas. A Avery Dennison, que é já especialista em etiquetas e soluções Rfid (identificação por radiofrequência) para o vestuário e calçado, irá inserir as chamadas Identidades Digitais Ativas nos produtos à medida que estes são produzidos através de códigos QR estampados que podem ser digitalizados com um smartphone, assim como etiquetas inteligentes com Rfid. As duas empresas acreditam que este é o maior número de produtos ligados à Internet das Coisas num único acordo. Com isso, as marcas podem dar experiências móveis mais personalizadas e em tempo real, com conteúdo para cada indivíduo. Além disso, os produtos serão igualmente mais “inteligentes”, com o projeto a poder contribuir para combater as falsificações e melhorar a cadeia de aprovisionamento. «Podemos tornar os produtos de vestuário e calçado mais inteligentes e permitir que participem em aplicações e serviços digitais, ajudando a impulsionar novas experiências de consumo, a proteger o valor das marcas e a dar às cadeias de aprovisionamento dados em tempo real», explica Mitch Butier, presidente e diretor de operações na Avery Dennison.

6Hanesbrands distinguida pela sétima vez

A Hanesbrands, uma das maiores produtoras mundiais de roupa interior e activewear, recebeu, pela sétima vez consecutiva, a distinção Energy Star Programme da Agência de Proteção Ambiental dos EUA – continuando a ser a única empresa de vestuário a ter o galardão nos 25 anos de história da iniciativa. Graças aos esforços na conservação energética, emissões de carbono e sustentabilidade ambiental, a empresa reduziu a sua utilização de energia em 25%, a utilização de água em 31% e as emissões de carbono em 21% desde 2007. No ano passado, a empresa conseguiu ter 25% da energia necessária com recurso a fontes renováveis, incluindo biomassa, hidroelétrica, geotérmica e eólica. A produtora de vestuário, cujas marcas incluem a Hanes, Champion, PLaytex, Maidenform e Wonderbra, produz t-shirts, soutiens, shapewear, roupa interior, meias e activewear em fábricas próprias na América Central e nas Caraíbas. Os principais feitos da empresa no ano passado incluem a construção de uma unidade de produção de energia alimentada a biomassa para apoiar as operações em El Salvador e evitar a energia derivada de petróleo. A empresa também iniciou uma cimeira mundial de energia para executivos, gestores e engenheiros para planear os objetivos de performance ambiental a longo prazo. «Estamos orgulhosos dos nossos feitos enquanto empresa mundial de vestuário», afirmou o diretor de operações de produção Javier Chacon, acrescentando que «o crédito vai para cada um dos nossos mais de 65 mil trabalhadores em todo o mundo, que estão empenhados na causa de gestão de energia e responsabilidade ambiental».