Início Breves

Breves

  1. Black Friday bate novo recorde
  2. Redução dos desperdícios têxteis
  3. Valorização do dólar afeta roupa e calçado
  4. Os desafios da indústria de vestuário indiana
  5. Desaceleração da economia chinesa afeta Burberry
  6. Inspeções das confeções refletem tendência comercial

1Black Friday bate novo recorde

Os consumidores britânicos deverão despender 1,07 mil milhões de libras esterlinas durante a Black Friday, agendada para dia 27 de novembro, um aumento de quase um terço face ao ano passado. A crescente consciência do consumidor face aos descontos praticados pelos retalhistas perto do período de compras pré-natalício deverá impulsionar as vendas da Black Friday em 32%, face aos 810 milhões de libras somados no ano passado. Outros eventos de compras pré-natalícios, como a Cyber Monday, que terá lugar no dia 30 de novembro, e a Manic Monday, prevista para 7 de dezembro, também testemunharão um aumento dos gastos. «O período de Natal de 2015 será um outro ano recorde para o retalho online no Reino Unido», acredita James Miller, consultor de retalho sénior da Experian, empresa de gestão de informação. «Antecipamos que a Black Friday continuará a abrir novos caminhos para as compras online, superando, pela primeira vez, a marca dos mil milhões de libras. Os consumidores esperam encontrar ótimos descontos e um serviço eficaz, sem problemas, pelo que os retalhistas devem garantir o planeamento das suas estratégias de marketing e logística nestas datas-chave, com campanhas cuidadosamente preparadas, que envolvam os clientes certos, através dos media adequados». A pesquisa, realizada pela Experian e pela associação da indústria de retalho online IMRG, identificou dois grupos de consumidores responsáveis pelo aumento dos gastos na época festiva. As famílias de classe média, com menos disponibilidade de tempo, foram a força motriz subjacente às vendas pré-natalícias em 2014. Por oposição, os compradores do Boxing Day (26 de dezembro) e Dia de Ano Novo são tendencialmente mais jovens e urbanos.

2Redução dos desperdícios têxteis

Uma nova iniciativa, avaliada em 3,6 milhões de euros, pretende reunir marcas, retalhistas e produtores de vestuário, em cooperação com organizações de reciclagem, tendo como objetivo a redução de desperdício de materiais têxteis em toda a Europa. O Plano de Ação para o Vestuário Europeu (ECAP, na sigla inglesa), lançado no dia 21 de outubro, será liderado pelo Programa de Ação em Resíduos e Recursos (WRAP), pretendendo aumentar os benefícios ambientais e económicos do sector de vestuário europeu e reduzindo, paralelamente, a pegada de carbono, desperdício de água e produção de resíduos. Financiado pelo EU Life, o projeto-piloto de três anos pretende conceber e especificar produtos de maior duração e produção em ciclo fechado, considerando que até 80% do impacto ambiental de uma peça de vestuário é decidido na fase de projeto. Além disso, pretende diminuir a quantidade de vestuário destinado à incineração e aos aterros sanitários, incentivar os consumidores a comprar menos peças e a usá-las por mais tempo, e melhorar a inovação em modelos de design e serviço, que façam uma utilização mais eficiente dos recursos, incentivando o crescimento dos negócios no sector. A iniciativa visa desviar mais de 90.000 toneladas de resíduos de vestuário dos aterro e incineração por ano até março de 2019. O ECAP irá requerer, junto dos signatários do acordo, que o sucesso do programa seja aferido, tendo por base um «conjunto de objetivos ambiciosos». O ECAP estará inicialmente ativo na Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Polónia, Roménia, Espanha, Suécia e Reino Unido, com planos de expansão para outros países europeus e asiáticos.

3Valorização do dólar afeta roupa e calçado

As perspetivas de crescimento do sector de vestuário e calçado americano caíram para valores estáveis, face a resultados anteriores positivos, de acordo com uma nova previsão apresentada pela agência Moody’s, segundo a qual as vendas e lucros foram severamente afetados pela valorização do dólar. O Serviço de Investidores da Moody’s antecipa uma diminuição do resultado operacional em moeda constante, que deverá fixar-se em 35% em 2016, face a 57% em 2015. A agência de rating acredita que a indústria de vestuário e calçado terá de aumentar os preços, de forma a compensar os custos mais elevados das taxas de câmbio atuais, conduzindo a uma queda de 40 pontos percentuais das margens globais da indústria no próximo ano. «Embora a cobertura adotada este ano proteja parcialmente as margens, o dólar forte continuará a ter efeitos de conversão cambial negativos sobre os lucros brutos da indústria ao longo do ano», afirmou Scott Tuhy, vice-presidente e diretor de crédito sénior da Moody’s. «O dólar forte tem desencorajado os gastos de turistas nos Estados Unidos da América, afetando as vendas de marcas como Ralph Lauren e Calvin Klein, o que se repercute nas vendas de vestuário». No entanto, o crescimento da receita global da indústria permanecerá a um ritmo moderado de 46% até 2016, num momento em que as empresas obtêm retornos sobre os seus investimentos no segmento de venda direta ao consumidor e mercados internacionais.

4Os desafios da indústria de vestuário indiana

A indústria de vestuário indiana deverá manter a taxa de crescimento, somando 18 mil milhões de dólares em exportações este ano, mas a sua quota de comércio global poderá ser afetada, a menos que as limitações estruturais sejam ultrapassadas, revela um novo relatório. As exportações de vestuário indianas aumentaram a uma taxa anual média de cerca de 10% ao longo da última década, somando 16,5 mil milhões de dólares em 2014. A Índia é o sexto maior exportador de vestuário do mundo, depois da China, Bangladesh, Itália, Alemanha e Vietname. De acordo com o ICRA Research India, as exportações de vestuário do país deverão aumentar para cerca de 18 mil milhões de dólares no ano fiscal de 2015, fixando-se posteriormente em 20 mil milhões de dólares em 2016, estimuladas por um incremento do comércio de vestuário global e, em parte, devido aos benefícios da depreciação da rupia. No entanto, apesar do país ser um dos maiores produtores de algodão do mundo, assim como um dos principais fabricantes de fibras sintéticas, com a segunda maior capacidade de fiação e tecelagem mundial, a sua quota nas exportações mundiais de vestuário manteve-se relativamente modesta ao longo da última década, fixando-se em 34%. «A natureza fragmentada do sector, com baixo nível de modernização, alto custo de produção e presença limitada em vestuário de fibras sintéticas são os principais fatores limitadores do crescimento das exportações de vestuário indianas», apontaram os autores do relatório. Os sectores de tecelagem, ultimação e confeção de vestuário indianos não conseguiram potenciar os benefícios decorrentes do Programa de Fundos de Atualização Tecnológica (TUFS, na sigla inglesa) do governo, permanecendo fragmentados e limitados na sua modernização, refere o relatório. Além do mais, embora a indústria de vestuário da Índia seja essencialmente reconhecida pelo vestuário em fibras sintéticas, as exportações do país focam-se na categoria de vestuário de algodão. Os preços internos praticados para o vestuário de fibras sintéticas, face aos preços internacionais, em consequência de restrições comerciais, impõem um diferencial significativo face ao algodão, assim como a indisponibilidade dos benefícios decorrentes do TUFS para o sector, que figuram entre as principais restrições enfrentadas.

5Desaceleração da economia chinesa afeta Burberry

A desaceleração sentida na China conduziu a um desempenho «dececionante» da marca britânica Burberry, cujas vendas ficaram aquém do esperado no primeiro semestre do ano, a par das quais o gigante do luxo prevê uma queda do lucro anual, conduzindo a uma diminuição de 12,6% do preço das suas ações. Para os seis meses até 30 de setembro, a receita total manteve-se estável em 1,11 mil milhões de libras esterlinas. As receitas de retalho aumentaram 2%, para 774 milhões de libras, com as vendas na mesma base de lojas a aumentarem 1%, impulsionadas pelo crescimento de dois digitos da região EMEIA (Europa, Médio Oriente, Índia e África). As receitas do segmento grossista, no entanto, caíram 3%, fixando-se em 305 milhões de libras, enquanto as receitas de licenciamento caíram 18%, para 26 milhões de libras. A região Ásia-Pacífico revelou-se o maior desafio para a Burberry, testemunhando uma queda de 6% das vendas durante o período, afetada por uma nova desaceleração do mercado de Hong Kong no segundo trimestre, em resultado da diminuição do tráfego de turistas. «O ambiente externo tornou-se mais desafiador durante o semestre, afetando a procura do consumidor de luxo em alguns dos nossos principais mercados», revelou o CEO e diretor criativo Christopher Bailey. «Em resposta, intensificámos o nosso foco na condução de vendas e produtividade, tendo alterado a nossa ação relativa aos custos discricionários. Apesar de permanecermos atentos a esta volatilidade externa, os nossos planos para a  época festiva posicionam-nos no rumo certo  para retomarmos uma tendência de vendas mais positiva no segundo semestre». A Burberry antecipa que o lucro ajustado anual se mantenha em linha com as previsões dos analistas, tendo caído para uma média de 445 milhões de libras, aquém do resultado de 456 milhões de libras registado no ano passado.

6Inspeções das confeções refletem tendência comercial

O crescimento emergente das exportações do Sudeste Asiático ocorre em detrimento do desempenho da China, de acordo com uma nova análise das auditorias realizadas na região – que também veio demonstrar que a conformidade das fábricas do Bangladesh está a melhorar, mas é ainda um processo que deve ser continuado. O relatório Barómetro Q4 2015, produzido pelo prestador de serviços AsiaInspection (AI) sugere que a depreciação do yuan deverá afetar gravemente as principais importações da China, com especial destaque para os têxteis e vestuário indianos. De acordo com dados da Administração das Alfândegas do país, as exportações da China caíram 6,1% em agosto, face ao ano anterior. Estes dados relembram que a economia chinesa continua a enfrentar desafios no reequilíbrio da desaceleração das exportações, especialmente após a recente desvalorização do yuan. Esta informação é sustentada pelos dados da AI, que demonstram um aumento de 3,2% das inspeções realizadas na China pela empresa, em comparação anual, o crescimento mais lento alguma vez assinalado pela organização, enquanto as inspeções realizadas no sudeste da Ásia aumentaram 104%, no mesmo período. Paralelamente, os resultados das inspeções conduzidas em fábricas no Bangladesh continuam a melhorar gradualmente, à medida que marcas exigem padrões mais elevados. Dados do AI mostram um aumento modesto de 2,8% na categoria de ética (6,51 a 6,7 em 10) nos últimos 12 meses, enquanto as inspeções aumentaram 68%. No entanto, os dados da AI demonstram que, até ao momento, 41,6% das fábricas auditadas na Ásia denotam graves falhas de conformidades, e 25,9% incorrem em risco ético. Embora a China continue a ser o maior fornecedor de vestuário, os Estados Unidos da América, Vietname e Camboja continuam a testemunhar um forte crescimento. Deste modo, não surpreende que as inspeções de produtos durante o trimestre tenham aumentado 168% no Vietname e 268% no Camboja.