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Breves

  1. H&M sob fogo
  2. ITV indiana ataca Irão
  3. Victoria’s Secret abandona banho
  4. PVH toma controlo do México
  5. Produção de seda de aranha em alta
  6. Projeto da UE para reciclagem de têxteis

1H&M sob fogo

A retalhista sueca H&M está a ser criticada novamente por mais violações no local de trabalho nos seus fornecedores, sobretudo na Índia e no Camboja. Um consórcio de grupos de direitos humanos e laborais publicou um estudo onde afirma haver abusos aos trabalhadores em fábricas que fornecem a retalhista, declarando que «apesar dos compromissos muito publicitados pela H&M de proteção na sua cadeia de aprovisionamento, há falhas significativas na sua implementação». O estudo inquiriu 251 trabalhadores e concluiu que nove das 11 fábricas analisadas em Phnom Penh, no Camboja, continuam a empregar pessoas com contratos de duração fixa, apesar do compromisso em mudar esta política. Nove em cada 12 empresas analisadas reportaram incidentes de assédio sexual no local de trabalho e apenas 27 dos 201 trabalhadores inquiridos disseram ter uma forma para responder ao assédio dentro do seu local de trabalho. No Camboja, em 11 das 12 fábricas em análise, os trabalhadores, predominantemente mulheres, disseram ter assistido ou terem sido vítimas de despedimento durante a gravidez. Na Índia, todos os 50 trabalhadores inquiridos afirmaram que as mulheres nas fábricas onde trabalham são despedidas quando estão grávidas. Apesar do compromisso assumido em 2015 de proteger o pagamento de salários, o estudo indica que os fornecedores da H&M frequentemente não pagam aos trabalhadores um salário de sobrevivência – que inclui suporte de todo o agregado familiar, necessidades nutricionais básicas e outras necessidades essenciais, como habitação, cuidados de saúde, educação e poupança básica –, nem mesmo os salários mínimos ditados pelas leis nacionais. Na Índia, por exemplo, os trabalhadores numa das fornecedoras da H&M revelaram ter recebido compensação inadequada sob a lei salarial do país. Anannya Bhattacharjee, da Asia Floor Wage Alliance, explicou que o consórcio espera enfatizar perante a Organização Internacional do Trabalho as «diferenças substanciais» entre os compromissos públicos da H&M e a implantação de proteção no local de trabalho. «As nossas descobertas de trabalho precário – trabalho que é incerto, imprevisível e arriscado para o trabalhador – encaixam-se no nosso conhecimento da profundidade e extensão das violações dos direitos em toda a indústria», referiu. «A escala de violações dos direitos que documentamos nas fábricas do Camboja e da Índia sugere que o trabalho precário não está apenas limitado especificamente à H&M nem a estes dois países. Em vez disso, mostra que este tipo de abuso está fundamentalmente ligado à estrutura da cadeia mundial de aprovisionamento de vestuário como um todo», acrescentou. Este estudo integra o relatório “’Workers’ Voice from Global Supply Chains: A Report to the ILO 2016”, que revela más práticas na cadeia de aprovisionamento e um conjunto de recomendações para as resolver. A H&M ainda não fez comentários.

2ITV indiana ataca Irão

Numa tentativa de aumentar as suas exportações de pronto-a-vestir, a Índia está a tentar entrar no mercado iraniano com produtos de vestuário simples, após a eliminação das sanções que recaíam sobre o país. Uma visita exploratória ao Irão no início do mês incluiu uma reunião entre o Conselho de Promoção das Exportações de Vestuário da Índia e a Câmara de Comércio de Teerão e a União Têxtil de Teerão para debater questões como a redução das taxas e facilitação do acesso ao mercado. O Irão tem registado uma redução progressiva nas taxas, de 300% durante as sanções para as atuais 55%. As taxas altas fizeram com que as importações “não oficiais” se tornassem 10 vezes superiores às importações “oficiais”. Como tal, as associações comerciais têm estado a trabalhar com o governo para reduzir as taxas de importação – uma questão fundamental tendo em conta que o Irão pretende integrar a Organização Mundial de Comércio. Ashok Rajani, presidente do conselho de administração do Conselho de Promoção das Exportações de Vestuário da Índia, afirmou que a atitude positiva para com a Índia entre os membros das associações empresariais e representantes do governo traz «bons augúrios» para o comércio entre os dois países. «Embora a economia e o comércio estejam ainda a recuperar do impacto das sanções, há um mercado para produtos de vestuário simples mas com estilo, que o Conselho de Promoção das Exportações de Vestuário da Índia pretende aproveitar», referiu. A quota da Índia nas importações de pronto-a-vestir do Irão foi de 2,5% em 2015, num ano em que as importações de pronto-a-vestir do Irão aumentaram 43,3%, para 825,9 milhões de dólares (736,4 milhões de euros). «Embora atualmente seja um pequeno mercado, há margem para crescimento no futuro imediato e queremos que a Índia seja um parceiro importante neste crescimento» sublinhou Rajani. Nasrollahi, diretor-geral de têxteis e vestuário no Ministério da Indústria do Irão, considera que «a Índia tem muito para oferecer e pode completar a cadeia de valor do vestuário no Irão».

3Victoria’s Secret abandona banho

A Victoria’s Secret está empenhada na mudança e os primeiros passos já foram dados, com a empresa a focar-se nas principais categorias de produto e a reduzir os descontos, o que irá resultar na descontinuação do seu catálogo e da sua linha de swimwear. Leslie H Wexner, fundador da empresa-mãe da Victoria’s Secret, a L Brands, confirmou as mudanças durante a assembleia anual com os acionistas, justificando-a como uma tentativa de «simplificar as operações». Num comunicado publicado no website da L Brands, a empresa indica que «para melhor centrar os nossos recursos em categorias-chave de produto, decidimos eliminar os negócios não centrais, incluindo o vestuário de banho no negócio de lingerie da Victoria’s Secret e o calçado, acessórios e vestuário que é oferecido no nosso canal digital mas não nas lojas». A retalhista indicou que testou a eliminação do catálogo durante um período de 12 meses e que praticamente não registou impacto nas vendas. Uma vez que estava a gastar entre 125 e 150 milhões de dólares (entre 111,5 e 133,8 milhões de euros) por ano para publicar e distribuir o catálogo, foi considerado que esta seria uma mudança adequada. A administração vai focar os recursos em linhas centrais de produtos, como lingerie, artigos de beleza, a Pink e a VSX Sport, que têm o maior potencial de crescimento e a taxa bruta de lucro mais elevada. Durante a assembleia anual, os executivos da empresa afirmaram que esperam registar um aumento das vendas nas principais categorias nos próximos anos, que irão compensar as perdas resultantes da eliminação das categorias em causa. A empresa contratou ainda um novo executivo, Jan Singer – que foi diretor-executivo da Spanx e executivo da Nike – para gerir o negócio de lingerie a partir de setembro.

4PVH toma controlo do México

A PVH Corp assinou um acordo de joint-venture no México que vai permitir-lhe manter a propriedade direta dos negócios da Calvin Klein e da Heritage Brands no país, ao mesmo tempo que ganha mais controlo sobre a Tommy Hilfiger na região. A joint-venture, com uma unidade do Grupo Axo, vai licenciar, a partir de subsidiárias detidas na totalidade pela PVH, os direitos de operar e gerir a distribuição dos produtos das marcas Calvin Klein, Tommy Hilfiger, Warner’s, Olga e Speedo no México. «O Grupo Axo, que vai supervisionar as operações diárias da joint-venture, é um distribuidor multicanal com experiência, incluindo da gestão com sucesso do nosso negócio da Tommy Hilfiger no México nos últimos 22 anos», afirma Emanuel Chirico, CEO da PVH. «Acreditamos que aproveitar o conhecimento do Grupo Axo na região para o nosso portefólio de marcas vai assegurar o potencial a longo prazo das nossas marcas no México», acrescenta. O negócio deverá ficar concluído no terceiro trimestre deste ano. «Temos uma relação longa e bem sucedida com a Tommy Hilfiger e com a PVH», destaca o CEO do Grupo Axo, Andres Gomez. «Estamos entusiasmados com a oportunidade de expandir a nossa relação para incluir a mega marca mundial Calvin Klein, assim como as marcas Warner’s, Olga e Speedo. Acreditamos que todas estas marcas têm um enorme potencial de crescimento no México e estamos ansiosos pela parceria com o PVH para tornar esse potencial numa realidade», conclui.

5Produção de seda de aranha em alta

A Kraig Biocraft Laboratories, especialista no desenvolvimento de fibras à base de seda de aranha, está a preparar-se para aumentar a produção, acrescentando uma nova localização juntamente com a já anunciada operação no Vietname. A empresa indicou que as unidades adicionais irão permitir responder mais rapidamente aos pedidos de fibras por parte de parceiros e potenciais clientes. «Embora assegurar o fornecimento de folhas de amoreira adequadas, para estabelecer produção doméstica, seja um desafio, creio que esta iniciativa trará muitos benefícios, incluindo a melhoria dos nossos esforços de I&D», afirmou o diretor de operações Jon Rice. «Adicionalmente, alguns dos nossos utilizadores finais podem exigir que certas fibras sejam produzidas internamente, por isso esta ação coloca-nos à frente», acrescentou. A Kraig Labs usa tecnologia de engenharia genética para criar seda de aranha – conhecida como Monster Silk –, que é tecida pela sua linha de bichos-da-seda transgénicos. A fibra compósita tem proteínas de seda de aranha e seda dos bichos-da-seda e é alegadamente mais resistente e flexível do que a seda comercializada habitualmente. A empresa está atualmente a aumentar a produção e espera fazer incursões significativas no mercado de vestuário. No ano passado, a empresa anunciou o desenvolvimento da Dragon Silk, a sua tecnologia mais resistente e flexível até agora.

6Projeto da UE para reciclagem de têxteis

Com mais de 3 milhões de toneladas de têxteis a serem deitados fora todos os anos só na União Europeia, um novo projeto pretende dar uma segunda vida aos têxteis deitados fora, transformando-os em novos produtos de consumo. Avaliada em quase um bilião de euros e considerada a segunda maior indústria do mundo em termos de trocas comerciais, a indústria têxtil é também o sector que está a crescer mais rapidamente em termos de lixo doméstico. Os preços baixos no retalho nas últimas duas décadas levaram a uma subida dramática no consumo de vestuário e, consequentemente, a um aumento dos resíduos têxteis. Uma iniciativa do VTT Technical Research Center da Finlândia e da Universidade Aalto, batizado Trash-2-Cash, está a juntar designers, investigadores, fornecedores de matérias-primas e produtores têxteis da UE para ajudar a resolver o problema através da reciclagem e desenvolvimento de fibras de elevada performance. A equipa do projeto, que inclui especialistas em todos os níveis da cadeia de produção, espera desenvolver técnicas que possam ser usadas na fiação, tricotagem, costura e design de produtos de elevada qualidade a partir de fibras têxteis usadas. As técnicas para o pré-processamento e lavagem de resíduos têxteis, separação e produção das fibras deverão ser ecológicas e eficientes. Os líderes do projeto – que tem um financiamento de 7,9 milhões de euros no âmbito do programa Horizonte 2020 da UE e decorre de 2015 a 2018 – esperam encontrar novos mercados e utilizações para as fibras têxteis recicladas. Sublinham ainda que os designers terão um papel importante no projeto, para assegurarem que a qualidade, a performance e o aspeto dos produtos são atrativos para o consumidor. Os protótipos serão produzidos com parceiros comerciais.