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  1. Ásia na lista negra
  2. Hanesbrands de vento em popa
  3. Britânicos renovam guarda-roupa
  4. Têxtil sul-coreana investe no Irão
  5. Produção americana em alta e baixa?
  6. ITV do Bangladesh contra os impostos

1Ásia na lista negra

Cerca de dois terços da população total da Ásia são escravos modernos, segundo um novo estudo que aponta o dedo ao Bangladesh, Uzbequistão, Paquistão, Índia e China. O Índice Mundial de Escravatura de 2016, publicado pela organização não-governamental australiana Walk Free Foundation, concluiu que a Ásia, a região mais populosa do mundo, ficou no topo dos rankings de escravatura moderna. Esta região fornece mão de obra barata para a fase de produção das cadeias mundiais de aprovisionamento, para indústrias como o vestuário, alimentação e tecnologia. O Uzbequistão, com o trabalho forçado nos campos de algodão, obteve a segunda pior classificação, a seguir à Coreia do Norte. Embora tenham sido dados alguns passos para resolver a questão do trabalho forçado na indústria de algodão do Uzbequistão, o governo do país continua a submeter os seus cidadãos a trabalho forçado na colheita de algodão anualmente, apontam os autores. Em 2016, o Camboja registou a terceira maior taxa de prevalência de escravatura moderna. O estudo também concluiu que cerca de 18,3 milhões de pessoas estão em alguma forma de escravatura moderna na Índia, mas os autores realçam que têm sido feitos esforços pelo governo. «Não podemos continuar a ver o fim da escravatura moderna isolada de outras questões», indicam os autores do estudo. «Em tempos de guerra e movimentações em massa, o risco acrescido de abusos tipo escravatura devem ser ponderados nas respostas de emergência. Em países que albergam trabalhadores migrantes, as empresas e os governos têm de se focar em assegurar que os trabalhadores não só têm direitos mas que também têm acesso a eles. Qualquer sistema, prática ou crença que resulte em que certas partes da sociedade, sejam mulheres, pessoas com deficiência ou grupos étnicos, não tenham acesso às necessidades da vida – alimentação, abrigo, água, cuidados de saúde básicos e capacidade para ganhar um rendimento – tem de ser desafiado. Essa é a responsabilidade dos governos, do sector privado, da sociedade civil e dos consumidores», acrescentam. O estudo concluiu ainda que os governos que têm dado mais passos para responder à escravatura moderna são essencialmente países com PIB elevado: Holanda, EUA, Reino Unido, Suécia, Austrália, Portugal, Croácia, Espanha, Bélgica e Noruega.

2Hanesbrands de vento em popa

A produtora de roupa interior e activewear Hanesbrands atualizou as previsões anuais para refletir as aquisições em curso. A Hanes revelou que espera agora vendas anuais entre 6,15 mil milhões de dólares (5,41 mil milhões de euros) e 6,25 mil milhões de dólares em 2016 em comparação com a anterior previsão entre 5,8 mil milhões de dólares e 5,9 mil milhões de dólares. As novas previsões refletem as contribuições esperadas resultantes das aquisições pendentes da Champion Europe, que deverá ficar concluída no final de junho, e da Pacific Brands Limited, que deverá fechar em julho. O lucro operacional deverá ficar entre 940 milhões de dólares e 975 milhões de dólares, em comparação com as expectativas anteriores de 920 milhões a 950 milhões de dólares. «As aquisições da Champion Europe e da Pacific Brands irão dar contribuições significativas para o nosso sucesso e crescimento atual e estamos ansiosos por acrescentar estas operações e as suas fortes equipas de gestão ao nosso portefólio mundial», afirmou o diretor de operações Gerald Evans Jr. No primeiro trimestre, a Hanesbrands registou um crescimento das vendas e dos lucros, também impulsionado pelas suas recentes aquisições.

3Britânicos renovam guarda-roupa

As vendas a retalho no Reino Unido recuperaram em maio, após declínios no último mês, mas a incerteza das previsões significa que os consumidores podem continuar cautelosos no que diz respeito a gastar. Após dois meses de estagnação, as vendas cresceram 1,4% em maio, segundo o mais recente BRC­KPMG Retail/Online Sales Monitor. Em termos comparáveis, as vendas aumentaram 0,5% face a maio de 2015. O calçado de criança foi a categoria em destaque, mas o vestuário de criança também registou uma subida, com os pais a irem às compras de vestuário para o tempo mais quente e para as férias. O BRC, contudo, advertiu que esta é ainda uma altura complicada para os retalhistas. «O vestuário fez um grande regresso este mês depois de ter tido declínios em abril», afirmou a diretora-executiva do BRC, Helen Dickinson. «Isso parece dever-se ao facto dos consumidores terem esperado pelo momento certo antes de embarcarem nas compras pré-verão. Contudo, com sinais de que a economia britânica está a abrandar, é pouco provável que isto seja o início de uma completa reversão das sortes. A incerteza nas previsões significa que os consumidores vão continuar cautelosos com os gastos, por isso esperamos que os números das vendas continuem voláteis por enquanto», acrescentou. Dickinson sublinhou ainda que a deflação continua e que a concorrência está a intensificar-se, pelo que o controlo dos custos e a melhoria da eficiência e da produtividade vai ser crucial para os retalhistas. As vendas online de produtos não-alimentares ganharam dinamismo em maio, tendo aumentado 13,7% face ao mesmo mês do ano passado. Os retalhistas registaram crescimento em todas as categorias, embora as vendas de moda tenham sido particularmente populares entre os consumidores online. As vendas online representaram 21,2% das vendas totais de produtos não-alimentares. «O sol estival encorajou os consumidores a comprar calções e t-shirts, aproveitando os maiores descontos e s promoções bem atempadas para começar a renovação do guarda-roupa de verão», considera David McCorquodale, diretor de retalho na KPMG. «As taxas de penetração continuaram a subir, tornando maio no quinto mês consecutivo acima de 20%. Com uma possível onda de calor no horizonte, um negócio multicanal forte será essencial para assegurar que os retalhistas estão prontos para enfrentar todos os tempos», conclui.

4Têxtil sul-coreana investe no Irão

A produtora sul-coreana de elastano TK Chemical Corp, uma filial do conglomerado SM Group, confirmou ao just-style.com que vai construir uma unidade de produção com uma capacidade de 10 mil toneladas por ano e um investimento inicial de 80 mil milhões de won (61 milhões de euros) no Irão. O anúncio representa o maior investimento de uma empresa têxtil sul-coreana no país, após uma visita de estado a Teerão da presidente sul-coreana Park Geun-hye no início de maio. A TK Chemical, que exporta elastano para o irão desde 2001, vê agora maiores oportunidades no país, depois dos EUA, a União Europeia e outros terem levantado as sanções económicas contra o Irão no início deste ano. «Vamos fazer parcerias com empresas locais para criar uma joint-venture no Irão para prosseguir com o projeto. Os produtos feitos no Irão serão vendidos localmente e noutros países do Médio Oriente», afirmou SB Kim, diretor-geral do departamento de exportação da TK Chemical. A capacidade anual da unidade de elastano da TK Chemical será alargada para 30 mil toneladas a longo prazo, segundo Kim. O investimento têxtil da Coreia do Sul irá competir com empresas da Turquia, cujos exportadores de têxteis e vestuário detêm uma posição dominante no mercado iraniano.

5Produção americana em alta e baixa?

Duas visões diferentes da performance produtiva dos EUA foram apresentadas na semana passada pelas empresas Markit e Institute for Supply Management (ISM). O índice dos gestores de compras (PMI) da Markit revelou «a performance mais fraca nos últimos seis anos e meio», dando conta de uma queda pela primeira vez desde setembro de 2009. No entanto, de acordo com o ISM, a atividade económica está a expandir-se no sector de vestuário pelo terceiro mês consecutivo. A Markit indicou um PMI de 50,7 em maio, em queda face aos 50,8 de abril, e os dados do mês passado apontam para uma perda de dinamismo na indústria americana, com o crescimento de novos negócios a ficar no valor mais baixo de 2016. A empresa acrescentou que isso contribuiu para um declínio nos volumes de produção pela primeira vez em mais de seis anos e meio. Os inquiridos culparam «uma procura passiva dos clientes e maior incerteza económica», que resultaram em «condições de negócio difíceis», com as provas recolhidas a indicarem menos encomendas. A Markit reconheceu, contudo, um aumento do emprego «ligeiro» em maio e atribuiu isso a novos lançamentos de produtos e «otimismo sustentado» independentemente dos planos de expansão do negócio. «Os dados do estudo indicam que a produção caiu em maio à taxa mais acelerada desde 2009, sugerindo que a produção está a agir como um obstáculo grave na economia no segundo trimestre», afirmou Chris Williamson, economista-chefe na Markit. Mas a história é diferente de acordo com o ISM. O estudo “Report on Business” para maio oferece uma visão alternativa, dando como valor do PMI 51,3 em maio, com a atividade económica a expandir-se no sector industrial pelo terceiro mês consecutivo. Bradley Holcom, presidente do comité responsável pelo estudo, sublinha que o PMI de maio está 0,5% acima da leitura de 50,8 em abril e acrescentou que 14 das 18 indústrias representadas no estudo reportaram um aumento de novas encomendas, com 12, incluindo empresas têxteis, a reportarem um aumento na produção.

6ITV do Bangladesh contra os impostos

A indústria têxtil e vestuário do Bangladesh pediu ao governo para não aumentar os impostos dedutíveis na fonte no sector do vestuário, argumentando que tal poderá ter um impacto negativo. Os comentários surgiram depois do Bangladesh ter revelado um orçamento de 43 mil milhões de dólares (37,8 mil milhões de euros) para o ano fiscal 2016/2017 – um aumento de 15% face ao ano anterior – com planos para acelerar a despesa em infraestruturas, transportes e energia. Numa conferência de imprensa, Siddiqur Rahman, presidente da Associação de Produtores e Exportadores de Vestuário do Bangladesh elogiou algumas das medidas previstas “amigas” da indústria no orçamento, incluindo a importação sem taxas de materiais pré-fabricados e de maquinaria. Contudo, expressou surpresa pelo plano incluir o aumento de retenções na fonte de 0,6% para 1,5% no sector do pronto-a-vestir. Após o desastre do Rana Plaza em 2013, as retenções na fonte para as exportações de pronto-a-vestir foram estabelecidas em 0,3%. No orçamento agora apresentado, o governo aumentou este valor para 0,6%, com a perspetiva de o aumentar para 1,5% no próximo orçamento. Rahman pediu ao governo para manter a retenção na fonte em 0,3% e baixar os impostos para as empresas da indústria de vestuário para 10% – o governo já baixou este valor de 35% para 20%. «O governo pretende assegurar um crescimento de 8% do PIB para atingir o estatuto de país de rendimentos médios, que será apenas possível se a indústria de pronto-a-vestir crescer porque o seu contributo para o PIB do país é de cerca de 13%», afirmou. «A Associação de Produtores e Exportadores de Vestuário do Bangladesh pede que o governo mantenha pelo menos 50 mil milhões como incentivo para a indústria de vestuário para assegurar o seu crescimento», acrescentou. Antes do orçamento, Rahman pediu apoio político do governo para a indústria do vestuário do Bangladesh de forma a sustentar o crescimento e atingir o objetivo de exportação de 50 mil milhões de dólares em vestuário até 2021. As exportações de vestuário do Bangladesh, contudo, continuaram a crescer a um ritmo estável apesar da imagem do país ter sido afetada após os desastres e Tazreen e do Rana Plaza, com a UE, o Canadá e os EUA a aumentarem as importações no ano passado.