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  1. Chanel protege património industrial
  2. Zalando não teme a rival Amazon
  3. Nike com os dois pés nos EUA
  4. Brexit afeta espaços comerciais
  5. Wal-Mart livra-se dos químicos
  6. Salários sobem 12 anos depois

1Chanel protege património industrial

De acordo com um comunicado divulgado pela marca, a Chanel criou recentemente uma unidade de produção de sedas, investindo em especialistas topo de gama. Num período de quatro meses, este é o terceiro negócio selado pela casa de luxo francesa, todos eles destinados a reforçar a sua cadeia de aprovisionamento. A Chanel revelou que as quatro empresas, na região francesa do Loire, eram fornecedoras de longa data envolvidas em cada etapa da produção de seda, dos fios à tecelagem e estamparia. «Através destes investimentos, a Chanel reafirma o seu compromisso com a sustentabilidade a longo prazo de um segmento de elevada qualidade e procura assegurar a longevidade da indústria de tecelagem da seda em França», explicou Bruno Pavlovsky, presidente da Chanel Fashion. A Chanel tem planeado um grande investimento nas quatro empresas para aumentar a sua capacidade de produção, acrescentou Pavlovsky. Três dessas unidades carregam a etiqueta Entreprise du Patrimoine Vivant, reservada pelo governo francês a empresas que oferecem trabalho tradicional e artesanal de exceção. A Chanel tem feito investimentos significativos m produtores de artigos em couro, rendas e malhas. Na semana passada, a casa francesa adquiriu uma quota na familiar Richard Tannery, uma fornecedora de couro sediada na região de Millau, onde a Chanel tinha já adquirido a especialista em curtumes Bodin-Joyeux em 2013 e a produtora de luvas Causse no ano anterior. Em abril, a Chanel entrou no capital da produtora de tules e rendas de 129 anos Sophie Hallette, sediada na região de Calais, a capital da renda em França. A indústria de rendas tem sido atingida por uma quebra acentuada na procura de lingerie em mercados como a Rússia. A Chanel é a segunda maior empresa do sector do luxo mundial, logo depois da Louis Vuitton. Estima-se que a marca gere cerca de 7 mil milhões de euros em vendas anuais. A casa de moda, controlada por Alain e Gerard Wertheimer, não revela números nem detalhes financeiros relativos às suas aquisições.

2Zalando não teme a rival Amazon

O grupo de investimento sueco Kinnevik, que apoia a Zalando, a maior empresa de moda online da Europa, está confiante de que a retalhista possa resistir à concorrência da Amazon, pelo simples facto de atender a um tipo de cliente distinto. As ações da Zalando caíram 11% este ano, com os investidores a mostrarem as suas preocupações em relação à retalhista estar mais exposta à incursão da Amazon na moda do que a sua rival britânica Asos, cujas ações recuperaram 30% desde o início de 2016. «A Amazon está muito bem nos seus mercados e estamos muito impressionados com o que está a fazer. A Zalando está muito bem no seu mercado e as duas podem coexistir», afirmou Lorenzo Grabau, CEO do Kinnevik, em declarações à Reuters. Grabau referiu ainda que a Amazon tem como público-alvo consumidores que não estão particularmente atentos às marcas e que procuram roupas acessíveis. Os clientes Zalando, acredita, querem mais do que isso. «Querem expressar a sua personalidade e a sua felicidade ou humor através das roupas que vestem», defendeu. «Como resultado, a Zalando alcança-os enquanto plataforma de tecnologia que permite que os clientes se conectem com todo o mercado de moda e acessórios na Europa», explicou. A Zalando dissipou recentemente algumas dúvidas sobre a ameaça Amazon, quando elevou a sua previsão de lucro para o ano inteiro e revelou fortes resultados no segundo trimestre. Os analistas, no entanto, consideram que a Asos está em melhor posição para competir com a Amazon, pois tem um público-alvo mais jovem e oferece mais produtos de marca própria, enquanto a Zalando e a Amazon oferecem uma ampla gama de marcas para uma clientela vasta. O grupo de investimento Kinnevik divulgou na semana passada que o seu valor patrimonial líquido caiu 1,7%, para 64,6 mil milhões de coroas (aproximadamente 6,8 mil milhões de euros) no final do segundo trimestre.

3Nike com os dois pés nos EUA

A Nike está empenhada em recuperar o seu quintal norte-americano. Depois de um fraco trimestre março-maio, na contagem decrescente para os Jogos Olímpicos e investida na expansão dos seus negócios no basquetebol, a marca desportiva espera impulsionar o sportswear nos EUA, adiantou o diretor de marca Trevor Edwards à Reuters. No mês passado, a Nike revelou que as vendas domésticas estagnaram no quarto trimestre, a pior performance em mais de seis anos face à forte concorrência das rivais Adidas e Under Armour. No entanto, Edwards mostrou-se otimista com as expectativas de uma melhoria para o ano fiscal que termina em maio de 2017, depois de a empresa conseguir gerir o excesso de stock. «A nossa marca continua a ser incrivelmente forte na América do Norte e esperamos que o crescimento acelere nesta geografia no balanço do ano fiscal», revelou. A Nike obtém cerca de metade das suas receitas na América do Norte. Edwards anunciou ainda que a marca está a trabalhar para expandir a sua investida no basquetebol para novas áreas, tais como moda feminina e moda infantil e mais produtos com foco em moda. O diretor adiantou também que a Nike tem grandes planos para o patrocínio à National Basketball Association (NBA), que assume, depois da Adidas, em setembro de 2017. «O basquetebol é algo intrínseco à Nike», afirmou. «Mal podemos esperar para partilhar o que está a chegar», acrescentou. Edwards citou ainda os acordos de patrocínio com mais de 8.000 atletas em todo o mundo, incluindo LeBron James e Kyrie Irving (basquetebol), Serena Williams (ténis) e Cristiano Ronaldo e Neymar (futebol). A quota da Nike no mercado do calçado desportivo nos EUA caiu para 53,3% nos primeiros seis meses de 2016, em relação aos 55% do ano passado, enquanto a Adidas subiu de 4,2%, para 6,3%, segundo a empresa de pesquisa de mercado NPD.

4Brexit afeta espaços comerciais

A maior empresa imobiliária britânica Land Securities alertou na semana passada que a procura de propriedades comerciais pode «esmorecer» e que, como resultado, os valores das rendas devem ser atingidos. O presidente executivo da empresa imobiliária, Rob Noel, referiu que a Land Securities acredita que a incerteza vai permanecer enquanto o Reino Unido estiver a negociar o Brexit, um processo que «pode demorar algum tempo». «Estimamos que a incerteza [no ramo imobiliário] persista até que haja mais clareza relativamente ao calendário e aos termos da saída do Reino Unido da União Europeia. A procura pode esmorecer até a confiança ser restabelecida e isso pode ter um impacto nos valores de arrendamento de espaço», comunicou a Land Securities.

5Wal-Mart livra-se dos químicos

A empresa Wal-Mart Stores Inc está a solicitar aos seus fornecedores que removam oito químicos perigosos dos seus produtos de limpeza, cuidados pessoais e produtos de beleza. Os químicos incluem formaldeído, uma substância cancerígena encontrada em produtos de madeira e materiais de construção; butilparabeno utilizado como conservante em cosmética; e triclosan, que é utilizado na pasta de dentes para o tratamento da placa bacteriana. A retalhista comprometeu-se, já em 2013, a aumentar a transparência em relação aos ingredientes utilizados nos produtos que vende e a conseguir a certificação Safer Choice da Environmental Protection Agency para os produtos da marca Walmart. A política, que entrou em vigor em janeiro de 2014, concentra-se em produtos vendidos nas lojas Walmart e Sam’s Club nos EUA, de acordo com uma publicação no blogue Environmental Defense Fund (EDF), que trabalhou com a Wal-Mart no desenvolvimento e implementação da política. Em abril, a Wal-Mart anunciou que os seus fornecedores já haviam removido 95% desses oito químicos nos produtos vendidos nos EUA. Ainda segundo o EDF, a política em curso na Wal-Mart exige também que qualquer químico usado num produto seja divulgado na respetiva embalagem a partir de 2018.

6Salários sobem 12 anos depois

O tribunal indiano ordenou um aumento salarial até 30% para os trabalhadores de vestuário no estado de Tamil Nadu, no primeiro reajuste salarial em mais de 12 anos. Os trabalhadores vão ver as suas remunerações subirem de uma média mensal de 67 para 97 dólares (aproximadamente de 61 para 88 euros), de acordo com a agência Reuters, mas os advogados de 500 fabricantes de vestuário fizeram já saber que os novos salários seriam «impossíveis de praticar» considerando a economia global atual. Ativistas e sindicatos de trabalhadores sublinham que os novos salários são comparáveis aos auferidos na maioria dos estados da Índia e que os trabalhadores estavam a viver em péssimas condições com o pouco ou nenhum aumento salarial. A última vez que o governo do estado de Tamil Nadu reviu os salários foi em 2004, mas os fabricantes de vestuário contestaram a decisão do tribunal e o aumento não foi implementado. Os proprietários de unidades fabris e os exportadores estão a considerar recorrer contra a decisão, defendendo que o aumento salarial vai prejudicar a competitividade da Índia face a países como o Bangladesh e a China. A Índia é um dos maiores fabricantes e exportadores de têxteis e vestuário do mundo, com uma indústria avaliada em 40 mil milhões de dólares e que emprega cerca de 45 milhões de pessoas.