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Breves

  1. A resistência do algodão
  2. Burberry reforça aposta na China
  3. Os efeitos do Brexit no retalho britânico
  4. ITV dominicana falha alvo norte-americano
  5. Gildan Activewear foi às compras
  6. Peru e Arábia Saudita ratificam acordo da OMC

1A resistência do algodão

Apesar de as previsões apontarem para a redução de stocks de algodão no arranque da nova temporada, as informações recentes dão conta de que os preços do algodão não devem aumentar de forma significativa – apesar de um salto de 10 centavos (aproximadamente 8 cêntimos) por libra (1 libra = 425 gramas) no último mês. Os preços internacionais do algodão subiram para mais de 80 centavos na segunda quinzena de julho, em relação a uma média de 70 centavos na restante temporada, de acordo com o Comité Consultivo Internacional do Algodão (ICAC, na sigla original). Todavia, mesmo assim, o ICAC espera que o preço médio do algodão para a temporada 2016/17 – que começou na segunda-feira (1 de agosto) – seja de 72 centavos. Estes dados representam um aumento de apenas 2 centavos em relação ao preço médio da última temporada. A previsão segue o corte nas previsões para os stocks mundiais de algodão em 840.000 toneladas, para 18,63 milhões de toneladas no final de 2016/17. O corte é resultado das colheitas significativamente mais baixas nos cinco maiores países produtores e da procura superior à prevista, levando a stocks mais pequenos no final de 2015/16, altura em que os stocks finais mundiais caíram 12% para 19,7 milhões de toneladas. Em média, por dia, estão disponíveis 26.000 toneladas de algodão e o total de vendas até ao final de julho foi de cerca de 1,6 milhões de toneladas, reduzindo a reserva nacional da China para 9,4 milhões de toneladas. A procura mundial de algodão diminuiu 1%, para 23,9 milhões de toneladas em 2015/16, mas a produção mundial caiu 18%, para 21,3 milhões de toneladas, contribuindo para uma redução na oferta no final da temporada. Em 2016/17, a produção mundial deverá aumentar cerca de 8%, para 22,9 milhões de toneladas. Os ganhos na Índia, EUA, Paquistão e Brasil deverão compensar as perdas de produção na China em 2016/17. Embora a produção mundial deva aumentar em 2016/17, o consumo deverá permanecer estável em 23,9 milhões de toneladas. O consumo de algodão na China, o maior consumidor do mundo da fibra, deverá diminuir 3%, para 7,1 milhões de toneladas, devido aos preços elevados do algodão, os preços baixos do poliéster e às importações limitadas. Já na Índia e no Paquistão o consumo deverá aumentar 2%, para 5,3 milhões de toneladas, e 1%, para 2,2 milhões de toneladas, respetivamente. As importações mundiais deverão aumentar 4%, para 7,5 milhões de toneladas. Os carregamentos recebidos pelos dois maiores importadores do mundo – Vietname e Bangladesh – devem subir 19%, para 1,26 milhões de toneladas, e 18%, para 1,21 milhões de toneladas, respetivamente.

2Burberry reforça aposta na China

Esta semana, a marca britânica comprou a quota que restava do seu distribuidor chinês, reforçando a posição no mercado asiático. A empresa adquiriu os restantes 15% do negócio à Sparkle Roll Holdings, por 71,3 milhões de dólares (aproximadamente 63,7 milhões de euros), o que lhe garantiu o controlo total do grupo no Império do Meio. Os analistas têm, contudo, vindo a sugerir que a Burberry está demasiado dependente do mercado chinês, com a China continental a representar atualmente cerca de metade dos gastos de retalho dos clientes do grupo no país. No primeiro semestre, a empresa teve as vendas comparáveis na China praticamente inalteradas, como resultado da evolução do portefólio de lojas Burberry em Pequim, o maior mercado no país. Excluindo Pequim, as vendas comparáveis aumentaram a um dígito. O preço das ações da Burberry caiu 0,3%, depois do anúncio da compra. No entanto, o preço das ações da empresa conheceu picos no último mês, desde a substituição do CEO Christopher Bailey por Marco Gobbetti.

3Os efeitos do Brexit no retalho britânico

O volume de vendas de vestuário, calçado e artigos de couro dos retalhistas britânicos manteve-se positivo em julho, apesar de as vendas globais do retalho terem caindo ao ritmo mais acelerado dos últimos quatro anos. De acordo com a pesquisa trimestral da Confederação da Indústria Britânica (CBI na sigla original), + 20% dos retalhistas de vestuário apresentaram crescimento no volume de vendas comparáveis durante o mês, caindo ligeiramente de + 23% em junho e de + 60% em maio. No entanto, esta é uma melhoria face a um dececionante mês de abril (-25%), com o tempo frio a motivar uma a desaceleração mais acentuada nas vendas em mais de quatro anos. Os aumentos no calçado e artigos de couro significaram que + 44% dos retalhistas reportaram maiores volumes de vendas em julho, contra + 12% em junho, 3% em maio e 77% em abril. E, para os retalhistas não especializados como os grandes armazéns, o saldo foi de + 52%, o primeiro aumento desde janeiro do ano passado. A pesquisa auscultou 132 empresas, entre as quais 66 retalhistas, e mostrou que os volumes de vendas caíram ao ritmo mais acelerado desde janeiro de 2012, afetadas pela fraca confiança do consumidor depois do Brexit.

4ITV dominicana falha alvo norte-americano

O esquema projetado para impulsionar as exportações de vestuário da República Dominicana para os EUA não alcançou ainda os resultados esperados, segundo uma revisão anual. Lançado há sete anos, o Earned Import Allowance Program (EIAP) permite que os produtores na República Dominicana que usam certos tipos de tecidos norte-americanos fabriquem vestuário de forma a ganharem crédito que pode depois ser usado para enviar vestuário feito com tecido produzido fora dos EUA livre de taxas para o país. No entanto, a última revisão da Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC na sigla original) revela que a iniciativa não está a aumentar de forma significativa as exportações de vestuário da República Dominicana para o mercado americano. Apenas cinco das 12 empresas registadas implementaram o programa – o mesmo número observado na última revisão anual. Em 2015, as importações dos EUA de vestuário de algodão proveniente da República Dominicana triplicaram em valor, para 8,2 milhões de dólares (cerca de 7,3 milhões de euros), em relação aos 2,7 milhões em 2014, e aumentou mais de cinco vezes em quantidade. No entanto, a indústria americana atribui esses aumentos a encomendas de maior escala, e não propriamente aos incentivos oferecidos pelo EIAP. Além disso, em 2015, o valor e a quantidade das importações norte-americanas de artigos de algodão via EIAP representaram menos de 25% e 41%, respetivamente, do que no seu pico em 2010. Já as exportações de tecidos de algodão dos EUA para a República Dominicana cresceram 13% em quantidade e 11% em valor entre 2014 e 2015. A USITC considera que as recomendações para a melhoria do EIAP são praticamente as mesmas das anteriores seis revisões anuais. Como solução, a comissão sugere a propósito uma nova recomendação para adicionar países ao EIAP, de forma a promover a integração regional e criar mais oportunidades noutros países signatários do Acordo de Livre Comércio da República Dominicana e América Central (DR-CAFTA na sigla original).

5Gildan Activewear foi às compras

A fabricante de vestuário posicionada no segmento activewear juntou, recentemente, a Peds Legwear ao seu portefólio, reforçando a sua investida no género feminino. O negócio foi avaliado em 55 milhões de dólares (aproximadamente 49,1 milhões de euros). A Peds fabrica vestuário feminino como collants, peúgas e meias terapêutica vendidas principalmente sob as marcas Peds e MediPeds para retalhistas norte-americanos e canadianos. A empresa regista atualmente vendas anuais na ordem dos 80 milhões de dólares e conta com um centro de distribuição na Carolina do Norte. Glenn Chamandy, presidente e CEO da Gildan, afirmou que «a marca Peds tem uma herança forte, particularmente na categoria de senhora, e é uma boa adição ao crescente portefólio de marcas da Gildan», que incluem a Gildan, Gold Toe, Anvil, Comfort Colors, Alstyle, Secret, Silks, Kushyfoot, Secret Silky e Therapy Plus. A aquisição deverá estar concluída antes do final de agosto de 2016 e as oportunidades para o crescimento da receita deverão chegar através do alargamento dos canais de distribuição e das categorias de produtos. A Gildan, sediada em Montreal, no Canadá, anunciou que a queda nas vendas nos seus negócios de vestuário contribuiu para uma baixa de 4,7% no lucro do segundo trimestre. No entanto, as vendas da empresa foram alavancadas em 19,5 milhões de dólares depois da compra da produtora de t-shirts Alstyle Apparel no início do ano.

6Peru e Arábia Saudita ratificam acordo da OMC

O Peru e a Arábia Saudita são os últimos países a ratificar o Acordo de Facilitação do Comércio (TFA na sigla original) da Organização Mundial do Comércio (OMC), perfazendo um total de quatro países este mês. A ratificação do Peru segue a do México e a da Honduras já este mês, tornando-se o sexto país da América Central e do Sul a aceitar o novo acordo. O Panamá, Guiana, Brasil, Paraguai e El Salvador também já assinaram o TFA. Atualmente, a Guatemala, El Salvador e as Honduras são os principais exportadores de vestuário da América Central – mais de 90% dessas exportações destinam-se ao mercado norte-americano. De acordo com um relatório recentemente publicado pelo Just-Style, estas três indústrias de vestuário da América Central devem continuar a investir no crescimento e na segurança das fábricas para que possam competir de forma eficaz contra o Vietname no acesso ao mercado dos EUA. Concluído em 2013, o TFA contém disposições que visam acelerar a expedição e circulação de mercadorias. O acordo estabelece também medidas para uma cooperação efetiva entre os serviços aduaneiros e outras autoridades competentes em matéria de simplificação do comércio e questões de conformidade aduaneira. O TFA entra em vigor quando dois terços dos países membros da OMC aceitarem formalmente o acordo. Segundo o World Trade Report, publicado em outubro do ano passado, a implementação do TFA tem o potencial de aumentar as exportações globais de mercadorias em cerca de 1 bilião de dólares (aproximadamente 909 mil milhões de euros) por ano.