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  1. O domínio dos têxteis técnicos
  2. Brilho da Gucci reflete-se nas receitas
  3. Consumidores britânicos perdem confiança
  4. Regresso às aulas impulsiona importações
  5. Primaloft e Patagonia unidas pela ecologia
  6. ITV vietnamita quer ser mais competitiva

1O domínio dos têxteis técnicos

Os têxteis técnicos são atualmente a força motriz do crescimento na indústria têxtil mundial e os produtores mostram-se ávidos por recolher mais dividendos, numa altura em que o número de novos expositores da próxima edição da Techtextil não para de crescer. Agendada de 9 a 12 de maio, em Frankfurt, a Techtextil 2017 já tem 85% do espaço reservado, com cerca de 15% dos expositores a participarem pela primeira vez no certame. Até à data, 750 empresas de 39 países reservaram espaço, incluindo Portugal. O clima económico no sector é marcado pelo otimismo, de acordo com a Euratex, que anunciou ainda que a produção de não tecidos aumentou 3% e os têxteis técnicos e industriais subiram 6% de janeiro a maio de 2016. Já as exportações dos países europeus, cresceram 5% entre 2014 e 2015. Nos EUA, os têxteis técnicos são responsáveis por 37% da produção têxtil, enquanto as exportações chinesas deverão crescer 4% no sector dos têxteis técnicos, com o país a querer aumentar a sua produção para 22 milhões de toneladas em 2020. Por seu lado, a Índia antevê que a sua produção cresça dos atuais 18 mil milhões de dólares (aproximadamente 16,07 mil milhões de euros) para 26 mil milhões até 2017. «Os têxteis técnicos estão entre os mais importantes motores de crescimento na indústria têxtil», afirma Olaf Schmidt, vice-presidente de têxteis e tecnologias têxteis da Messe Frankfurt. «O facto de já haver tantas empresas inscritas na Techtextil 2017 é um sinal do dinamismo com que o sector está a desenvolver-se».

2Brilho da Gucci reflete-se nas receitas

O grupo Kering antevê um segundo semestre «agradável», com uma reviravolta no crescimento impulsionada pela performance da Gucci. O lucro atingiu os 465 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2016, comparativamente aos 423 milhões de 2015. Já a margem bruta aumentou de 61,7% para 63,3%. As receitas consolidadas do primeiro semestre subiram 3,3% para 69 mil milhões de euros, face ao no período homólogo de 2015, sendo ligeiramente atingidas pela oscilação das taxas de câmbio. O crescimento das vendas comparáveis, no entanto, manteve-se estável, quer nos mercados maduros do grupo Kering, liderado pela Europa Ocidental e Japão, quer nos mercados emergentes. Dentro das marcas do conglomerado francês, a Gucci teve os melhores resultados do primeiro semestre, com a atuação do diretor criativo Alessandro Michele a começar a surtir impacto nos números da casa. As vendas da Gucci cresceram 3,9% para 1,95 mil milhões de euros, graças a uma restruturação da imagem e da equipa de gestão. O desempenho da Puma também teve peso nos resultados da Kering. A marca desportiva arrecadou uma receita total de 1,69 mil milhões de euros, uma subida de 5,3%, com a margem bruta em crescendo motivada pelos aumentos de preços. «Estamos satisfeitos com as performances do primeiro semestre de 2016», resumiu François Henri Pinault, CEO do Kering.

3Consumidores britânicos perdem confiança

A confiança dos consumidores do Reino Unido caiu em julho, o declínio mais significativo em mais de 26 anos. O índice de confiança do consumidor da GfK baixou 11 pontos, de -1 para -12, no mês passado. Trata-se de uma queda de mais de três pontos em relação aos -9 anunciados logo depois do Brexit, com os cinco parâmetros usados para calcular o índice em queda durante o mês de julho. «Assistimos a uma descida muito significativa da confiança, resultado de uma queda em todas as nossas medidas, com a diminuição mais acentuada a ocorrer nas perspetivas para a situação económica geral nos próximos 12 meses (-19 pontos)», explicou Joe Staton, responsável pela análise à dinâmica do mercado na GfK. Apesar do cenário pessimista, Staton ressalva que o índice permanece num nível relativamente positivo para os padrões históricos. «A sua trajetória futura vai depender do facto de entrarmos num novo período de incerteza económica ou de restaurarmos a confiança adotando uma postura positiva na negociação de um novo acordo para o Reino Unido».

4Regresso às aulas impulsiona importações

O volume das importação nos principais portos de contentores americanos deverá revelar um «pequeno, mas significativo» aumento durante o mês de agosto, numa altura em que os retalhistas preparam o regresso às aulas. De acordo com o relatório da Global Port Tracker recentemente divulgado pela Federação Nacional do Retalho americana (NRF na sigla original) em conjunto com a Hackett Associates, prevê-se que os volumes das importações subam ainda mais no final do verão. «O regresso às aulas e a quadra natalícia são os dois melhores períodos de compras para os retalhistas e estes números refletem isso», analisa Jonathan Gold, vice-presidente da NRF para a cadeia aprovisionamento e política aduaneira. «Alguns números ainda estão abaixo do ano passado, mas o padrão de preparar as grandes estações voltou». Os números das importações não se correlacionam diretamente com as vendas, porque contabilizam apenas o número de contentores de carga, e não o valor da mercadoria dentro de cada um. No entanto, a quantidade de mercadoria importada possibilita um barómetro das expectativas dos retalhistas e agosto deverá ser o mês de pico de 2016. O primeiro semestre de 2016 deverá totalizar 8,99 milhões TEU (Twenty-foot Equivalent Unit – medida standard utilizada para calcular o volume de um contentor, sendo que um TEU representa a capacidade de carga de um contentor marítimo normal), um aumento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2015. No ano passado, o volume total foi 18,2 milhões TEU, um crescimento de 5,4% em relação a 2014.

5Primaloft e Patagonia unidas pela ecologia

A fabricante de isolamento sintético Primaloft desenvolveu recentemente uma versão ecofriendly da tecnologia Primaloft Gold Insulation, fruto de um desafio lançado pela marca americana de artigos de outdoor Patagonia. O novo Primaloft Gold Insulation Eco tem 55% de conteúdo reciclado, mas não compromete a performance da já conhecida Gold Insulation. A nova tecnologia será apresentada exclusivamente no casaco Nano Puff da Patagonia, resistente ao vento e à prova de água, durante 12 meses a partir do outono de 2016, antes de ficar disponível para toda a indústria. Segundo a Primaloft, o novo isolamento amigo do ambiente vai reutilizar dois milhões de garrafas de plástico de aterros sanitários só no primeiro ano. «Manter um negócio ético e ambientalmente saudável tem sido um dos valores fundamentais da PrimaLoft», afirma Mike Joyce, presidente e CEO da PrimaLoft. «A parceria com a Patagonia, uma empresa líder em práticas sustentáveis, para introduzir o Gold Eco é um ajuste natural. Com a mais recente inovação, acreditamos que conseguimos um equilíbrio entre a utilização de materiais reciclados e a alta performance que os clientes esperam da PrimaLoft e da Patagonia». O Primaloft Gold Insulation Eco preenche os rigorosos requisitos do produto e performance da Patagónia e cumpre a promessa da empresa: «liderar a indústria em termos de práticas de responsabilidade e sustentabilidade corporativa». Além disso, tem as mesmas características de performance do original PrimaLoft Gold Insulation em termos rácio calor-peso, humidade, suavidade, tempo de secagem, compressão e durabilidade – testadas tanto em laboratório, como no terreno. «O novo Nano Puff demostra os três pilares da nossa missão – construir o melhor produto, não causar danos desnecessários e, igualmente importante, ajudar a resolver a crise ambiental. Quando as empresas unem forças e trabalham em conjunto, os benefícios para o ambiente são superiores e todos ganhamos», acrescenta Jenna Johnson, diretora global de outdoor técnico da Patagónia.

6ITV vietnamita quer ser mais competitiva

O Vietname está a ponderar o congelamento de salários, tendo como objetivo aumentar a sua competitividade. A indústria têxtil e de vestuário do país prevê que a sua meta de exportação em 2016 seja gorada devido à desaceleração da procura por parte do consumidor e ao aumento da concorrência. Como medida, foi proposto o congelamento de salários. Nos primeiros seis meses do ano, as exportações de têxteis e vestuário vietnamitas somaram 12,6 mil milhões de dólares (aproximadamente 11,3 mil milhões de euros), um aumento de 5% em relação ao período homólogo de 2015. Todavia, representam apenas 41% do total previsto para o ano completo. A expectativa anual situa-se nos 30 mil milhões de dólares, mas Vu Duc Giang, presidente da Associação Têxtil e Vestuário do Vietname (Vitas na sigla original), declarou, numa conferência de imprensa recente, que o mais provável é que os números atinjam os 29 mil milhões de dólares. Entre os desafios, Giang apontou a queda nos preços das commodities, uma desaceleração na procura por parte do consumidor em muitas economias globais, a «concorrência feroz» no preço, tecnologia e produtividade do trabalho e as barreiras técnicas. Além disso, o presidente da Vitas referiu ainda a pressão dos prazos de entrega, cada vez mais curtos, e os crescentes custos com a mão-de-obra. Foi ainda analisado o valor das exportações da indústria, em grande parte impulsionado pelo investimento direto estrangeiro (IDE), o que cria dificuldades para as empresas locais na obtenção de novos contratos de exportação, especialmente para camisas, calças e casacos. Giang advertiu que esta situação poderia piorar, aumentando a possibilidade de muitas pequenas e médias empresas fecharem portas. A fim de enfrentar os desafios, Vitas propôs ao governo um congelamento de qualquer subida no salário mínimo em 2017, aumentando os ordenados somente a cada dois ou três anos de forma a criar condições favoráveis para o Vietname poder competir com os seus rivais. O salário mínimo vietnamita aumentou uma média de 26,4% ao ano para as empresas locais e de 18,1% ao ano para as empresas com investimento estrangeiro durante o período 2008-2016. O país é apontado como o maior potencial beneficiário da Parceria Trans-Pacífico (TPP) no sector dos têxteis e vestuário. Mas, a este propósito, Vu Duc Giang afirma que, a fim de aproveitar os benefícios do acordo, a indústria precisa de superar desafios como a capacidade de reposta a grandes encomendas ou os recursos humanos insuficientes.