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  1. Paquistão investe no têxtil
  2. Americanos aumentam compras de Natal
  3. BRICS empenham-se nas questões laborais
  4. Governo indiano restringe venda de algodão
  5. Stella McCartney revela primeiras contas ambientais
  6. Associações unem-se em torno dos direitos das mulheres

1Paquistão investe no têxtil

O governo do Paquistão vai investir mais de 60 mil milhões de rupias paquistanesas (cerca de 512 milhões de euros) na indústria têxtil do país numa tentativa de aumentar as exportações para 26 mil milhões de dólares (23,2 mil milhões de euros) até 2019. A ação, parte de uma política têxtil quinquenal, contempla um fundo para investir em novas tecnologias e ajudar a tornar as exportações do Paquistão mais competitivas em termos mundiais, segundo um press release da Radio Pakistan. Além disso, as importações de maquinaria têxtil sem o pagamento de taxas foram alargadas ao atual ano fiscal. O Paquistão viu o seu défice comercial aumentar significativamente no último ano fiscal, com as exportações a caíram mais acentuadamente do que as importações. De acordo com o gabinete de estatística do país, o défice comercial subiu 8,14% no ano fiscal 2015/2016, para 23,96 mil milhões de dólares, em comparação com 22,16 mil milhões de dólares no ano anterior. As exportações no período de 12 meses, que decorre de 1 de julho a 30 de junho, desceram 12,1%, para 20,8 mil milhões de dólares, enquanto as importações baixaram 2,3%, para 44,76 mil milhões de dólares. O comércio, contudo, melhorou para a UE, onde o Paquistão beneficia de importações sem taxas sob o programa GSP+. De acordo com os dados recentes da Euratex, as exportações de têxteis do Paquistão para a UE aumentaram 25%, para 2,28 mil milhões de euros, em 2015.

2Americanos aumentam compras de Natal

As vendas a retalho na épica de Natal nos EUA deverão aumentar 3,6%, refletindo o dinamismo atual da economia e das expectativas da indústria. Os números mais recentes da National Retail Federation (NRF) mostram que as vendas a retalho para novembro e dezembro deverão atingir 655,8 mil milhões de dólares (cerca de 585 mil milhões de euros) – um valor significativamente mais elevado do que a média de 10 anos de 2,5% e acima da média dos últimos sete anos de 3,4%, desde que começou a retoma em 2009. Adicionalmente, a NRF está a prever que as vendas fora das lojas físicas aumentem entre 7% e 10%, para 117 mil milhões de dólares. «Este ano não tem sido perfeito, a começar com um longo verão e um outono anormalmente quente, mas a nossa previsão reflete um dinamismo muito realista da economia e das expectativas da indústria. Continuamos otimistas que o ritmo da atividade económica vá recuperar a curto prazo», afirmou Matthew Shay, presidente e CEO da NRF. A previsão de um aumento de 3,6% para 2016 supera as vendas do ano passado, que aumentaram 3,2%. «A crescente incerteza geopolítica, o resultado das eleições presidenciais e o tempo anormalmente quente são os principais problemas em jogo com o maior potencial para abalar a confiança e ter impacto nos padrões de compra», apontou o economista-chefe da NRF, Jack Kleinhenz. «Contudo, o poder económico de consumo é resiliente e nunca deve ser subestimado», acrescentou. Os números estão em linha com o Holiday 2016 Briefing da Conlumino, que estima que os consumidores deverão gastar mais 3,1% em compras nesta época de Natal em comparação com o ano passado, o maior aumento desde 2013 e, em grande parte, graças a um crescimento de 13,6% das vendas online.

3BRICS empenham-se nas questões laborais

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelou-se satisfeita com a declaração conjunta das economias BRIC – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – onde afirmam o seu empenho em questões sociais, trabalho e emprego. Na cimeira realizada em Nova Deli na semana passada, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, afirmou que a declaração é crucial para permitir um crescimento forte, sustentável e inclusivo. Destacou ainda que a força de trabalho dos países BRIC representa 45% no total mundial e que, como tal, a declaração pode potencialmente ter significativos efeitos positivos para a economia mundial. O documento inclui o compromisso de continuar a promover o crescimento sustentável e inclusivo para todos com o objetivo de acabar com a pobreza em todas as suas formas nos BRIC até 2030, assim como a implementação de sistemas de segurança social abrangentes que sejam eficientes, justos, sustentáveis economicamente e respondam às necessidades da sociedade. Na sua intervenção na mesma cimeira, o subdiretor-geral da OIT, Gilbert Houngbo, sublinhou o desafio que os países BRIC enfrentam para manter uma política de inovação num ambiente económico difícil. «Promover o diálogo social e tripartismo é uma questão essencial para o sucesso do processo político, incluindo em alturas de turbulência económica. O diálogo social e o tripartismo traduz-se em resultados melhores, mais fortes e mais inclusivos», destacou.

4Governo indiano restringe venda de algodão

O governo indiano restringiu a venda de stocks de algodão detidos pela Cotton Corporation of India (CCI) a apenas micro, pequenas e médias empresas, após um recente aumento nos preços do algodão. A ação pretende compensar os custos mais elevados com as matérias-primas e aplica-se aos atuais stocks de algodão comprados sob o programa de preço mínimo apoiado. Um desequilíbrio na oferta e na procura do algodão está a aumentar as importações, enquanto a oferta está sob pressão por um atraso na nova colheita. O desequilíbrio, que deverá manter-se até novembro, levou a uma subida dos preços de cerca de 30% no mercado. A CCI começou um leilão no mês passado para as fiações registadas no Office of the Textile Commissioner e para as cooperativas governamentais. Numa nota no website, as fiações registadas podem comprar um máximo de 500 fardos a qualquer momento. Na sua mais recente previsão para a produção e consumo de algodão em 2016/2017, o International Cotton Advisory Committee revela que a área de cultivo de algodão na Índia diminuiu 8%, para menos de 11 milhões de hectares, devido à concorrência de outras colheitas, como milho. Contudo, um aumento de 9% na colheita média, para 526 kg/hectare deverá compensar as perdas de área e a produção deverá manter-se estável em 5,8 milhões de toneladas. O consumo de algodão na Índia deverá igualmente estabilizar em 5,2 milhões de toneladas, uma vez que as fiações estão a aumentar a quota de outras fibras em fios com misturas com algodão.

5Stella McCartney revela primeiras contas ambientais

A marca britânica de luxo Stella McCartney revelou as primeiras contas ambientais, que colocam um valor monetário aos custos e lucros ambientais do negócio, gerados pelas operações diretas da empresa. A marca nunca usou couro, pelo, peles ou penas nos seus produtos e usou a auditoria ambiental para avaliar diretamente o impacto dos materiais alternativos que usa em comparação com os impactos das peles. Nestas primeiras contas, o impacto de 5,5 milhões de euros dos lucros e prejuízos ambientais representa um crescimento de 7% no impacto nos últimos três anos. Simultaneamente, contudo, o impacto médio por quilograma de material usado caiu 35%, de 11,82 euros em 2013 para 7,69 euros em 2015, sobretudo devido a mudanças no sourcing. «A moda é uma indústria que tem um impacto significativo no planeta», afirma a fundadora e designer Stella McCartney. «O nosso sonho é melhorar, mas temos de começar em algum sítio para progredir. Por isso estamos aqui e este é o início da nossa viagem, e, como podem ver, não somos perfeitos mas alguma coisa é melhor do que nada. Espero partilhar e encorajar a indústria a juntar-se e avaliar a sua pegada ambiental pelo nosso futuro», acrescenta. Atualmente, o principal impacto ambiental da empresa está na cadeia de aprovisionamento (90%), com a maior concentração do impacto na fase de matérias-primas (57%). As operações diretas da arca representam apenas 10% do seu impacto. O kering, que detém a empresa, assim como marcas como a Gucci, a Saint Laurent e a Puma, está a usar as contas anuais para tomar decisões no design, sourcing e produção dos seus produtos.

6Associações unem-se em torno dos direitos das mulheres

O grupo mundial sem fins lucrativos Business for Social Responsibility está a fazer uma parceria com seis redes de sustentabilidade para um projeto de três anos para aumentar o poder das mulheres nas cadeias mundiais de aprovisionamento. A colaboração pretende colocar como central o poder das mulheres nas estratégias, diretrizes e práticas que dão um quadro legal para a gestão da cadeia de aprovisionamento. Como parte desta parceria, o Business for Social Responsability vai trabalhar com a Business Social Compliance Initiative da Foreign Trade Associations para desenvolver diretrizes para clarificar como e onde o sistema BSCI 2.0 pode ser reforçado para integrar uma «lente de género» que tem em conta os direitos e necessidades das mulheres na cadeia de aprovisionamento. «Inventar um código não vai ajudar a atingir a igualdade na cadeia de aprovisionamento», afirma Peder Michael Pruzan­Jorgensen, vicee-presidente sénior da Business for Social Responsability. «Para ser eficaz, as considerações sobre género têm de infiltrar os padrões existentes. Este código de género é um primeiro passo para considerações de género mais abrangente nas políticas e práticas no sector privado», acrescenta. Para além destas diretrizes, que serão tornadas públicas no início de 2017, serão desenvolvidas diretrizes específicas de auditoria para apoiar a identificação de práticas que impedem as mulheres de atingirem todo o seu potencial. Além disso, a Business for Social Responsibility vai colaborar com outras instituições para desenhar e implementar estratégias para dar poder às mulheres em parceria com associações da indústria locais na Índia e no Quénia para promover uma mudança mais profunda nesses países. «As mulheres têm um papel instrumental nas cadeias de aprovisionamento e experienciam desafios específicos em relação à igualdade de género, incluindo remuneração justa, representação e exploração», explica Jonathan Ivelaw-Chapman, CEO da Sedex, outro dos parceiros. «A Sedex, através do projeto em parceria com o Business for Social Responsability, vai apoiar e pretende voltar a abordar as questões de igualdade de género e melhorar as condições de trabalho das mulheres nas cadeias de aprovisionamento», acrescenta. A parceria faz parte de um projeto de três anos focado em mobilizar o sector privado para o poder para as mulheres, fundado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Holanda.