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  1. Viscose no centro de disputa entre UE e EUA
  2. Britânicos perdem confiança
  3. Macys’s pode ser comprada pela Hudson’s Bay
  4. Sul-coreanos fizeram mais compras online
  5. Ranking de algodão sustentável em expansão
  6. ITV do Paquistão em dificuldades

1Viscose no centro de disputa entre UE e EUA

O governo dos EUA está a considerar impor taxas em 85 importações da UE – incluindo fibra de viscose – em retaliação pelo que afirma ser a discriminação e proibição da UE de carne de bovino americana. A indústria de vestuário dos EUA já expressou preocupação com o impacto negativo que essas taxas podem ter, não só tornando a viscose pouco competitiva, como colocando também empregos e a própria cadeia de aprovisionamento têxtil em risco nos EUA. O país não produz viscose e, como não há fonte alternativa de aprovisionamento, pode levar até dois anos a mudar as especificações dos produtos com viscose da Europa. Fio com um peso igual ou superior a 85% em fibras artificiais, que não seja para retalho, está também na lista dos bens europeus visados para taxas de 100%. A ação, anunciada pela Administração Obama em dezembro, faz parte de uma disputa antiga que remonta a 1998, quando a UE perdeu um caso na Organização Mundial do Comércio (OMC) por proibir carne de vaca de origem americana. Em 2009, os EUA negociaram um acordo para permitir um acesso limitado ao mercado para a produção de carne bovina que correspondesse aos critérios dos EUA, mas o acordo não funcionou como o pretendido. A produtora austríaca de fibras Lenzing, uma grande fornecedora de fibra de viscose ao mercado de vestuário dos EUA, está a apelar para que a cadeia de aprovisionamento faça ouvir os seus argumentos contra a imposição das taxas. Para além de argumentar que ao dobro do preço a fibra não é comercializável, a empresa destaca ainda que a viscose com retardante de chama é também usada pelo exército dos EUA, ao mesmo tempo que o investimento nos EUA pode parar em resultado das taxas, devido à falta de matéria-prima. Uma ação do género, aponta a Lenzing, pode reforçar a vantagem em termos de custos da Ásia, sobretudo da Indonésia, China e Índia, colocando ainda em causa postos de trabalho.

2Britânicos perdem confiança

A confiança dos consumidores britânico está em queda. No último trimestre, de acordo com o Consumer Tracker da Deloitte, que inquiriu 3.000 consumidores entre 31 de dezembro e 2 de janeiro, a confiança caiu para -6% no período entre outubro e dezembro, em comparação com -5% no terceiro trimestre. A confiança no rendimento disponível baixou nos últimos três meses de 2016, para -14%, em comparação com -12% no trimestre anterior. A Deloitte destacou que pode marcar o início da pressão sobre o consumo das famílias. Ian Stewart, analista-chefe da Deloitte, advertiu que «o novo ano parece marcar a chegada de ventos contrários que podem desafiar as condições económicas amigas do consumo. A queda da confiança em relação ao rendimento disponível pode ser um sinal de que estamos a ver o início da pressão sobre os rendimentos das famílias. O aumento da inflação, em grande parte impulsionada pela desvalorização da libra nos últimos meses, vai ainda pressionar os rendimentos reais e o consumo em 2017». O índice de preços ao consumidor registou uma inflação de 1,6% em dezembro, o valor mais alto nos últimos dois anos e meio. A confiança na segurança no emprego manteve-se estável em -4% no quarto trimestre, enquanto a medida anual do crescimento do valor das vendas a retalho cresceu de -1,1% em dezembro de 2015 para uma leitura positiva de 7,1% no final de 2016. A confiança entre os jovens trabalhadores entre os 18 e os 34 anos atingiu um valor recorde no quarto trimestre, graças a um aumento da confiança no rendimento disponível, dívida, segurança no emprego, oportunidades de trabalho e progressão na carreira.

3Macys’s pode ser comprada pela Hudson’s Bay

A retalhista canadiana Hudson’s Bay Company terá alegadamente apresentado uma oferta para comprar a americana Macy’s, de acordo com várias notícias. As conversações entre as empresas estarão numa «fase preliminar» e incluem outras formas de colaboração, segundo o The Wall Street Journal. No mês passado, a Macy’s reviu em baixa as previsões de lucro para o ano completo e indicou que planeia cortar mais de 10 mil postos de trabalho através do encerramento de lojas. A retalhista indicou que irá despedir 3.900 pessoas em resultado do fecho de 68 lojas ao longo do ano. A gigante americana vai ainda perder o seu CEO. Terry Lundgren, que ocupava o cargo de diretor-executivo desde 2003 e de presidente do conselho de administração desde 2004, vai passar a posição de CEO ao atual presidente da Macy’s, Jeff Gennette, no primeiro trimestre de 2017. A Hudson’s Bay também reviu em baixa as previsões de volume de negócios em janeiro, devido a vendas inferiores às esperadas no Natal. Ambas as empresas afirmaram ao just-style.com que não fazem comentários «a rumores ou especulação».

4Sul-coreanos fizeram mais compras online

As vendas online na Coreia do Sul aumentaram 18% em termos anuais em 2016, de acordo com os dados do governo, com os consumidores a procurarem descontos devido ao abrandamento da economia. As vendas de comércio eletrónico nos 26 principais retalhistas subiram 8,5%, indicou o Ministério do Comércio, Indústria e Energia, em comparação com um aumento de 4,5% das vendas no retalho físico. A taxa de crescimento nas vendas físicas foi ainda superior aos 3,5% registados em 2015 e aos 1,9% em 2014, devido sobretudo ao forte crescimento das lojas de conveniência e aos festivais internacionais de compras, destacou o Ministério. Com um aumento constante das famílias com apenas uma pessoa, as lojas de conveniência registaram um crescimento de dois dígitos de 18%, em comparação com um aumento de 3,3% nos grandes armazéns. Em contrapartida, as vendas em grandes lojas discount e supermercados desceram 1,4% e 0,8%, respetivamente.

5Ranking de algodão sustentável em expansão

A segunda edição do ranking que avalia as empresas na utilização de algodão sustentável vai expandir-se este ano para incluir mais empresas e países, incluindo retalhistas online como a Zalando e a Amazon. O estudo independente, publicado pela Pesticide Action Network UK, pelo Solidaridad e WWF, irá agora incluir empresas de países como a China e Brasil, assim como de mercados emergentes. Vai ainda continuar a avaliar as empresas em relação à sua política, rastreabilidade e atual posição no algodão sustentável. A expansão faz parte de uma tentativa de ter uma representação mais global das empresas direcionadas ao consumidor, que se estima que usem mais de 10 mil toneladas de algodão anualmente. O primeiro Cotton Ranking foi publicado em 2016 e mostrou que a maioria das empresas que usam a maior parte do algodão estavam a ter dificuldade com a sustentabilidade do algodão, com apenas oito empresas em 37 a registarem progressos positivos. O ranking vai ser publicado em outubro de 2017 e terá em conta os dados públicos das empresas em relação à sua atividade em 2016. Irá ainda incluir uma atualização da oferta disponível e da visão para o algodão dos principais standards de sustentabilidade, nomeadamente orgânico, comércio justo, Cotton Made in Africa e Better Cotton Initiative. Embora cerca de 10% do algodão em todo o mundo tenha sido cultivado segundo estes padrões em 2014, menos de um-quinto desta quantidade está a ser comprado como algodão mais sustentável, com o resto a ser vendido como algodão convencional devido à falta de procura pelas principais marcas e empresas.

6ITV do Paquistão em dificuldades

O governo do Paquistão está a receber apelos para ajudar mais o sector têxtil e vestuário do país, através de medidas como a redução dos custos energéticos e o pagamento de devoluções. Numa nota após o anúncio de um novo pacote de ajuda no início de janeiro para impulsionar as exportações de têxteis e vestuário, os analistas da Pakistan Economy Watch (PEW) afirmam que o futuro parece pouco brilhante e que devem ser tomadas medidas urgentes para salvar a indústria do colapso. «Os têxteis são um sector muito importante da economia, é o maior angariador de receitas externas, que dá emprego a milhões em áreas urbanas, enquanto milhões de agricultores estão igualmente ligados», explica Murtaza Mughal, presidente da PEW, ao just-style.com. De acordo com os dados do gabinete de estatística do Paquistão, as exportações totais do país caíram mais de 12% entre 2013 e 2015, apesar do país ter conseguido o estatuto GSP+, que permite a entrada de bens na UE sem taxas, desde janeiro de 2014. Entre julho e dezembro, as exportações desceram 3,8%, para 9,9 mil milhões de dólares (9,3 mil milhões de dólares), face ao mesmo período de 2015. Em 2015, o país exportou 22 mil milhões de dólares, dos quais as exportações de vestuário não-malha representaram 2,1 mil milhões de dólares, as de vestuário em malha e acessórios atingiram 2,3 mil milhões de dólares e as de tecidos de malha somaram 41 milhões de dólares. A PEW afirma que enquanto o sector têxtil e vestuário tem vindo a cair no Paquistão, o Bangladesh e o Vietname «continuam a ficar com a quota do Paquistão no mercado internacional». Mughal indica que a maioria das fábricas que estão a fechar são pequenas e médias empresas que não são capazes de aguentar os custos extra de faltas de eletricidade prolongadas, enquanto as empresas maiores investiram na sua própria produção de energia, incluindo geradores a diesel, para lidar com os apagões.