Início Breves

Breves

  1. H&M soma vendas
  2. Retalho agridoce nos EUA
  3. Vestuário desilude britânicos
  4. Kering e Alibaba em mediação
  5. ITV de Myanmar prepara futuro
  6. Alessandro Michele homenageado

1H&M soma vendas

Pelo segundo mês consecutivo, a H&M registou um crescimento de dois dígitos das vendas em outubro, tornando este o 31.º mês consecutivo de crescimento. As vendas, incluindo IVA, aumentaram 12% em moeda local no mês de outubro, o que significa um crescimento superior aos 11% registados em setembro, apesar de ter ficado abaixo das expectativas dos analistas consultados pela Reuters, que esperavam uma subida de 13%. O analista da Stifel, Richard Jaffe, afirmou que «acreditamos que o regresso a condições meteorológicas mais normais para a estação, uma resposta favorável dos consumidores às tendências, produtos a preços certos e a influência positiva da desvalorização da coroa sueca face à moeda de grande parte dos outros países impulsionou as vendas durante o mês». Contudo, o analista refere que para novembro as previsões são «prudentes», devido, por um lado, à mudança na atitude dos consumidores – que estão mais voltados para outro tipo de produtos com valores mais altos, como eletrodomésticos, e para experiências – e, por outro lado, devido aos recentes ataques terroristas na Turquia e em França. A Stifel antecipa ganhos por ação para o quarto trimestre de 3,70 coroas suecas (0,40 euros), uma revisão em baixa face às 3,84 libras suecas previstas anteriormente. Além disso, prevê que o lucro por ação para o ano fiscal de 2015 e de 2016 seja de, respetivamente, 12,98 coroas suecas e 14,28 coroas suecas. A retalhista sueca, que além da H&M detém ainda a Cos, Monki, Weekday, Cheap Monday e a & Other Stories, operava 3.807 lojas no final de outubro, em comparação com 3.437 no ano passado.

2Retalho agridoce nos EUA

O mês de outubro trouxe resultados diferentes para os retalhistas de vestuário dos EUA, com as vendas a manterem-se estagnadas em comparação com o mês anterior, embora tenham crescido em termos anuais. Os números mais recentes do Departamento de Comércio dos EUA, que inclui automóveis, gasolina e restaurantes, mostram que as vendas a retalho permaneceram relativamente inalteradas desde setembro, mas subiram 1,2% em termos anuais. As vendas em lojas de vestuário permaneceram estagnadas em termos mensais e subiram 2,3% em comparação com outubro do ano passado. Nas lojas generalistas, as vendas caíram 0,4% em comparação com setembro, mas aumentaram 1,6% em termos anuais, enquanto as vendas em grandes armazéns cresceram 0,3% em termos mensais e aumentaram 0,5% em comparação com o ano passado. O analista da Conlumino, Neil Saunders, considera que a imagem geral é de uma economia de consumo que está a recuperar a um ritmo moderado, mas não a galope. «Muitos consumidores estão inseguros com o futuro e isso está a afetar os seus hábitos de consumo», refere. Dados independentes da National Retail Federation (NRF), que exclui automóveis, combustíveis e restaurantes, mostram que as vendas a retalho subiram 0,3% ajustados em termos sazonais em comparação com o mês anterior e cresceram 3,1% em termos anuais. O economista-chefe da NRF, Jack Kleinhenz, sublinhou que «pressões deflacionárias, temperaturas anormalmente quentes para a estação, comparações anuais fortes e uma mudança no consumo, mais direcionado para os serviços, são apenas algumas razões para os números das vendas de outubro se apresentarem um pouco estagnados. Dito isso, outubro acaba por ficar fora das nossas expectativas para a época de Natal e ainda estamos otimistas de um crescimento sólido das vendas nesta época festiva».

3Vestuário desilude britânicos

O mercado de retalho de vestuário no Reino Unido deverá crescer 20% nos próximos cinco anos, atingindo 64 mil milhões de libras (91,2 mil milhões de euros) em 2020, mas metade das mulheres britânicas com idades entre os 16 e os 44 anos ainda tem dificuldade em encontrar roupas com o corte certo. As conclusões, destacadas numa nova pesquisa da Mintel, também sugerem que, no geral, mais de um em cada três (38%) consumidores britânicos têm dificuldades com o fitting das roupas e quase dois em cada cinco (38%) não estão confiantes em relação às roupas que se adaptam melhor ao seu tamanho e às suas formas. No que a Mintel considera uma oportunidade perdida para os retalhistas e marcas, mais de metade (55%) afirma estar disposto a gastar mais em vestuário que se ajuste melhor ou que beneficie as suas formas. Três em cada quatro (76%) consumidores britânicos gostariam que houvesse uma melhor padronização dos tamanhos do vestuário entre marcas e retalhistas e 63% gostaria que mais lojas oferecessem uma variedade maior de tamanhos. «Há grandes variações entre retalhistas, com um tamanho 12, por exemplo, a ter um ajuste diferente dependendo do retalhista ou marca onde foi comprado, o que significa que os consumidores não conseguem saber automaticamente se uma peça de vestuário tem o tamanho certo sem a experimentarem», destaca Tamara Sender, analista sénior de moda na Mintel. «Há, por isso, a necessidade real dos retalhistas produzirem roupa de forma mais precisa para que haja uma consistência de tamanhos em todos os retalhistas e marcas», acrescenta. O estudo Clothing Retailing UK 2015 estima que o consumo de vestuário no Reino Unido irá atingir 53,5 mil milhões de libras em 2015, um aumento de 4% em comparação com 2014. As vendas online de vestuário também deverão registar um forte crescimento, com a Mintel a estimar que atinjam 12,4 mil milhões de libras em 2015 (+16% do que em 2014). Contudo, embora 65% dos britânicos já compre vestuário online, 37% devolve as peças, sendo a principal razão o facto de não servirem devidamente (43% dos consumidores que devolveram vestuário alegaram esta razão). «Num mercado cada vez mais competitivo, os retalhistas que tentem encontrar soluções para os consumidores fazerem compras tanto nas lojas como online irão diferenciar-se dos seus rivais», sublinha Tamara Sender.

4Kering e Alibaba em mediação

Diversas marcas de luxo, incluindo a Gucci e a Yves Saint Laurent, que estavam a processar o Alibaba Group por promover a venda de bens contrafeitos, voltaram ao processo de mediação, apesar da declaração do fundador do Alibaba, Jack Ma, que afirmou que prefere perder a causa do que fazer um acordo. As marcas detidas pelo grupo Kering aceitaram o pedido do juiz americano Kevin Castel para tentarem resolver as diferenças através de um mediador, informou o advogado Robert Weigel. As marcas, que incluem também a Balenciaga e a Bottega Veneta, acusam o maior retalhista online do mundo de violar as leis de marca registada por deixar 31 empresas vender bens falsificados, o que prejudica as vendas e a reputação das marcas. A 4 de novembro, a revista Forbes escreveu que Ma, cuja fortuna está avaliada em cerca de 23,4 mil milhões de dólares (21,9 mil milhões de euros), afirmou que «prefiro perder o caso, perder dinheiro» do que fazer um acordo. «Ganharemos a nossa dignidade e respeito», acrescentou. Isso levou as marcas do grupo Kering a afastar-se da mediação, mas o juiz pediu que reconsiderassem e apelou a ambas as partes para mudarem o tom das suas declarações. «Comentários públicos desnecessários podem minar as negociações», escreveu o juiz. «Além disso, posições públicas e posições em conversas privadas são muitas vezes diferentes», destacou. Na carta apresentada pelo advogado das marcas do grupo Kering, Robert Weigel referiu que «temos esperança de que seja esse o caso aqui» e que as marcas que representa vão «prosseguir de boa-fé» para a mediação.

5ITV de Myanmar prepara futuro

Com a vitória da Liga Nacional para a Democracia em Myanmar (antiga Birmânia), os executivos da indústria de vestuário esperam a normalização das relações comerciais, especialmente com os EUA. A América ainda não oferece acesso sem taxas ao seu mercado às exportações de Myanmar sob o Sistema Generalizado das Preferências (GSP), mas os líderes da indústria de vestuário já pediram a Washington para agir positivamente face à vitória do partido de Aung San Suu Kyi, que em janeiro deverá formar o primeiro governo democraticamente eleito desde os anos 60. «Tínhamos boas relações antes das sanções serem impostas», afirmou U Sai Maung, do RWT Garment, ao The Myanmar Times. «Se mais empresas americanas puderem envolver-se com o nosso sector de vestuário, isso vai ajudar na criação de emprego. Mas por agora, temos dificuldade em encontrar oportunidades para trabalhar com as empresas americanas», acrescentou. U Sai Maung afirmou ainda que o acesso preferencial é especialmente importante tendo em conta que Myanmar precisa de criar uma cadeia de aprovisionamento doméstico, que atualmente tem debilidades significativas na produção de fibras, fios e tecidos. «Os custos em Myanmar são elevados e não temos fábricas para transformar matérias-primas, como algodão», revelou. Já Aung Win, diretor-geral da Maple Trading, uma empresa de produção de vestuário focada no mercado japonês, sustenta que o aumento dos salários, dos preços da eletricidade e dos transportes levaram a uma redução do efetivo na sua empresa, embora se afirme otimista de que um novo governo possa ajudar ao crescimento do sector. «Temos muitos obstáculos a ultrapassar para nos tornarmos novamente competitivos, mas esperamos que as coisas melhorem agora», indicou. Myanmar perdeu os benefícios do GSP em julho de 1989 devido a problemas relacionados com o desrespeito pelos direitos dos trabalhadores. O gabinete do representante do comércio dos EUA lançou uma revisão em 2013 para determinar a elegibilidade para o GSP de Myanmar, um processo que foi colocado em pausa mas que estará de novo a ser analisado. Contudo, a maior parte dos têxteis, vestuário e calçado não são elegíveis para tratamento sem taxas para o GSP. A administração Obama em 2012 e 2013 deu passos significativos para reestabelecer laços comerciais com Myanmar em resposta às reformas feitas pelo regime militar que governa o país. Em particular, foram autorizados novos investimentos e foi levantada a proibição das importações.

6Alessandro Michele homenageado

O British Fashion Council vai homenagear Alessandro Michele com o International Designer Award na próxima edição de entrega de prémios British Fashion Awards, que terá lugar no próximo dia 23 de novembro, no London Coliseum. Michele vai receber o prémio pelo seu trabalho como diretor criativo da Gucci, cargo que ocupa desde janeiro. O designer, contudo, trabalha já há 13 anos na marca, tendo sido recrutado por Tom Ford em 2002, depois de uma passagem pela Fendi, onde era designer sénior de acessórios. «Alessandro Michele é um fenómeno na Gucci», justifica Natalie Massenet, presidente do conselho de administração do British Fashion Council. «A sua estética eclética e entusiasmante teve um impacto imediato nas tendências de moda mundiais. Não é só o facto de ter tornado a marca tão cobiçada e os produtos tão desejados. Ele também revigorou a experiência de retalho, trazendo de volta o divertimento e a magia às lojas flagship. Este é um homem que celebra e tem os seus clientes no coração», acrescenta.