Início Breves

Breves

  1. Preços e procura de lã em alta
  2. Bimba y Lola cresce em Portugal
  3. LVMH cria centro de artes aplicadas em Paris
  4. UE quer que Reino Unido compense evasão fiscal
  5. H&M promove pagamentos digitais nos fornecedores
  6. Vestuário soma vendas em 2016 nos EUA

1Preços e procura de lã em alta

A procura de artigos de lã continua a crescer nos principais mercados internacionais, como a Europa e os EUA. A procura deverá crescer mais acentuadamente na China – o maior produtor e exportador mundial de têxteis e vestuário com lã. Este aumento da procura levou a uma subida no preço da lã nos últimos anos, como referiu Caroline Gunning-Trant, economista sénior na Abares, na sua análise apresentada no Abares Outlook 2017, a principal conferência australiana sobre agricultura. «Nos dois anos desde o início de janeiro de 2015, os preços subiram cerca de 35%», revelou a economista. «O Australian Eastern Indicator (EMI) do preço da lã deverá subir 8% em 2016/2017, para cerca de 1,36 dólares australianos [0,97 euros] por quilo», apontou Caroline Gunning-Trant. «Os preços deverão atingir o pico no próximo ano em termos reais, à medida que a produção de lã aumenta… E até ao final de 2021-2022, os preços deverão ser ainda relativamente altos, cerca de 10% acima da média de 10 anos em termos reais», afirmou. A tendência em alta dos preços reflete a oferta restringida de vestuário em lã e a procura firme, sobretudo de lã fina. «Até ao final de 2016/2017, a produção de lã deverá ser 5% mais alta do que no ano passado, refletindo o aumento dos rebanhos no sector, apoiado por um bom crescimento dos pastos devido à chuva que caiu em 2016… E os rebanhos de ovelhas nacionais deverá aumentar para 73,6 milhões de cabeças em 2016/2017 e continuar a crescer para cerca de 833 milhões de cabeças até 2021/2022», acrescentou a economista. De acordo com Gunning-Trant, as exportações de lã deverão aumentar 4% e atingir 442 mil toneladas em 2017/2018, já que o aumento dos rebanhos nacionais resulta em novos aumentos de ovelhas tosquiadas. «Esta tendência deverá crescer a médio prazo e as exportações em 2021/2022 deverão crescer para cerca de 492 mil toneladas, avaliadas em 3,9 mil milhões de dólares, em termos reais», apontou a economista. O crescimento das exportações é suportado por um aumento lento mas constante na procura internacional, sobretudo nos mercados da UE, EUA e China.

2Bimba y Lola cresce em Portugal

As vendas a Bimba y Lola atingiram 152,4 milhões de euros no ano até 28 de fevereiro de 2017, o que representa um aumento de 31,7% em comparação com o ano anterior, de acordo com um comunicado publicado pela marca espanhola. Com este resultado, a Bimba y Lola, fundada pelas designers Uxia e Maria Dominguez, sobrinhas de Adolfo Dominguez, ultrapassou o objetivo que tinha traçado para o ano. As vendas subiram 31% em Espanha (21% em termos comparáveis), enquanto o segmento internacional teve igualmente uma forte performance, com aumentos de mais de 20% em Portugal, no México e em Singapura. No Chile e na Coreia do Sul, as vendas cresceram mais de 50% e em França e no Reino Unido as subidas foram superiores a 60%. As vendas internacionais representam atualmente 26% do volume de negócios da marca. Para suportar este crescimento, a Bimba y Lola continua a abrir novas lojas, tal como o previsto no seu plano de expansão internacional. Em 2016, a marca abriu 12 lojas, elevando o número de lojas e concessões que opera para 222. Nos próximos meses, a marca planeia acrescentar pelo menos 20 novos pontos de venda, incluindo em Portugal, mas também França, Reino Unido, Qatar e México. A expansão em Espanha vai ser realizada através de lojas independentes e concessões no El Corte Inglés. A marca está também a preparar a sua chegada aos mercados «mais atrativos» do mundo, mas não deu mais detalhes sobre o assunto. A Bimba y Lola está ainda a estudar a abertura de uma nova sede para apoiar o seu crescimento. Atualmente emprega mais de 1.000 pessoas, o que representa um aumento de 17,2% em comparação com o ano anterior.

3LVMH cria centro de artes aplicadas em Paris

O LVMH está novamente a contratar o arquiteto Frank Gehry para criar um centro de artes aplicadas ao lado da Fundação Louis Vuitton. O arquiteto, de 88 anos, terá como missão renovar e transformar um museu desativado, localizado perto do edifício da Fundação, projetado por Gehry, no Bois de Boulogne, em Paris. «O novo centro será dedicado a artistas, performances ao vivo e a artes aplicadas e savoir-faire francês», indicou o grupo de luxo e a Câmara Municipal de Paris num comunicado conjunto. O edifício atual de oito pisos, desenhado nos anos 70 pelo arquiteto Jean Dubuisson, albergou um museu de arte folclórica e tradições, que fechou em 2005. O novo centro, que será apelidado Maison LVMH – Arts, Talents, Patromoine será criado a um custo estimado de 158 milhões de euros. O projeto «envia uma mensagem forte às jovens gerações: o saber-fazer artesanal oferece um enorme potencial e oportunidades que os encorajamos a descobrir e aproveitar», sublinhou a presidente da câmara de Paris, Anne Hidalgo. O Presidente francês, François Hollande, esteve na conferência de imprensa de anúncio do projeto, juntamento com Anne Hidalgo, Frank Gehry e o CEO do grupo LVMH, Bernard Arnault. O centro vai incluir duas salas para concertos, exposições e workshops e um restaurante panorâmico no último andar. O projeto será desenvolvido em «colaboração próxima com os herdeiros de Jean Dubuisson», destacou o comunicado, que sublinha que o neto de Dubuisson, Thomas, também ele arquiteto, trabalhou para Gehry no gabinete de Los Angeles.

4UE quer que Reino Unido compense evasão fiscal

A Grã-Bretanha deve pagar quase 2 mil milhões de euros à União Europeia para cobrir a perda de receitas no orçamento da UE causado pela alegada fraude envolvendo a importação britânica de têxteis e calçado da China, de acordo com a Olaf, a agência antifraude da UE. A quantia é, de longe, a mais alta alguma vez recomendada pela Olaf. Anualmente, o valor total recuperado fica abaixo dos mil milhões de euros por múltiplas fraudes. Em 2015, recomendou a recuperação de 888 milhões de euros no total, dos quais apenas 97,9 milhões de euros relacionados com fraudes alfandegárias. Alguns políticos e analistas no Reino Unido sugeriram que o anúncio da Olaf faz parte de uma abordagem punitiva pelo Brexir ou como uma medida de troca antes de Theresa May, a Primeira-Ministra britânica, ter ido a Bruxelas para se encontrar com os líderes da UE. Os resultados da investigação foram tornados públicos numa altura em que a Grã-Bretanha inicia as conversações para sair da UE, adicionando potencialmente uma nova dor de cabeça para os negociadores. Uma das questões mais controversas será o valor que a Grã-Bretanha terá de pagar para sair do bloco. Sob as regras da UE, Bruxelas recebe uma parte dos impostos sobre bens importados pelos seus 28 estados-membros, com as receitas a integrarem o orçamento da UE. «A Olaf calculou uma perda de 1.987 milhões de euros no orçamento da UE em termos de perda de impostos alfandegários em têxteis e calçado importado da China através do Reino Unido entre 2013 e 2016», afirmou a agência europeia numa nota enviada aos jornalistas. Em Londres, um porta-voz do HMRC, o departamento responsável pela coleta de impostos, afirmou que «isto não é uma conta, é uma estimativa da Olaf de evasão do imposto e não algo que tenha sido reconhecido pelos nossos especialistas, que vão contrapor a Olaf com os seus cálculos».

5H&M promove pagamentos digitais nos fornecedores

A retalhista sueca H&M está a encorajar os seus fornecedores a pagarem aos trabalhadores através de meios digitais para assegurar a transparência, travar a exploração e dar mais autonomia às mulheres. A ação surge após a retalhista se ter tornado na primeira marca de moda a juntar-se à The Better Than Cash Alliance – uma iniciativa das Nações Unidas que pretende promover a passagem para a economia digital de governos e empresas. «Os pagamentos digitais são uma forma eficiente e acessível de melhorar a vida dos trabalhadores dos nossos fornecedores», considera Gustav Loven, diretor de sustentabilidade social na H&M. «Oferecem uma forma rápida, mais segura e mais transparente de receber o seu salário, aumentar a inclusão financeira e apoiar a independência económica das mulheres», acrescentou em comunicado. Cerca de 65% dos trabalhadores das empresas de vestuário que fornecem a H&M são mulheres, muitas das quais com acesso muito limitado a serviços financeiros. Um sistema de pagamento digital também beneficia os empresários, referiu Loven, uma vez que reduz os custos, aumenta a segurança e fornece dados mais precisos sobre os salários. A H&M, que se aprovisiona em fábricas espalhadas por 25 países que empregam 1,6 milhões de pessoas, acredita que um sistema de pagamento digital irá impulsionar a inclusão financeira ao assegurar que os trabalhadores, especialmente as mulheres, têm contas bancárias. O acesso a uma conta bancária é essencial para a autonomia económica das mulheres, uma vez que, segundo especialistas que tratam questões de género, lhes dá um local seguro para guardar o dinheiro e abre um canal de crédito que pode ser usado para investir em educação, numa propriedade ou num negócio.

6Vestuário soma vendas em 2016 nos EUA

As vendas de vestuário de homem, senhora e criança subiram 3% nos EUA em 2016, para 218,7 mil milhões de dólares (cerca de 207,2 mil milhões de euros), segundo um estudo do The NPD Group, que indica ainda que a indústria americana de vestuário tem tido dificuldades para ultrapassar o crescimento de 3% desde 2013. O crescimento das vendas online foi uma das mudanças mais destacadas em 2016. Em 2011, o online representava apenas 11% do total das vendas de vestuário de homem, senhora e criança, mas em 2016 esse número subiu para 19%. «A indústria de vestuário está a ser puxada e empurrada em diferentes direções pelos consumidores, que estão a exigir algo de diferente e a procurar canais de compra menos tradicionais para o encontrar», aponta Marshal Cohen, analista-chefe da indústria no The NPD Group. O desejo dos consumidores de uma combinação de conforto e estilo sustentou o crescimento do movimento athleisure nos últimos anos. Este tipo de vestuário, de resto, continuou a ser o segmento com maior crescimento em 2016, registando um aumento de 11%, para 45,9 mil milhões de dólares. Apesar da força do activewear, as vendas de vestuário formal subiram 5%. Os vestidos mantiveram a sua posição como a categoria com melhor performance nas vendas e no crescimento, com um aumento de 5%, para 15,6 mil milhões de dólares. O ano passado foi ainda positivo para os jeans, um segmento importante que sentiu uma retoma e registou um crescimento alinhado com a indústria de vestuário no geral de 3%, para 15,3 mil milhões de dólares. «Os consumidores podem estar a conduzir as tendências recentes no vestuário, mas o retalho tem de responder e apropriar-se novamente do negócio para captar as grandes oportunidades de crescimento que existem», conclui Cohen.