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Breves

  1. Givenchy substitui Riccardo por Clare
  2. Retalho americano abranda ritmo
  3. PETA entra na Canada Goose
  4. Boom nas exportações do Bangladesh
  5. Guess prepara-se para fechar lojas
  6. O têxtil no feminino

1Givenchy substitui Riccardo por Clare

A Givenchy confirmou ontem, 16 de março, Clare Waight Keller como diretora criativa da casa, substituindo Riccardo Tisci, que desempenhava esse papel desde 2005. Tisci deixou os corredores da Givenchy em janeiro e os rumores apontam-no já para a casa Versace. Waight Keller é a segunda mulher a assumir a liderança criativa de uma casa de alta-costura do conglomerado de luxo francês LVMH, seguindo os passos de Maria Grazia Chiuri na Christian Dior. Antes de Tisci, a casa de moda teve John Galliano, Alexander McQueen e Julien Macdonald como diretores criativos. A Givenchy confirmou a notícia no Instagram, informando primeiramente os seus 7,7 milhões de seguidores. De acordo com o Business of Fashion, a nomeação de Clare Waight Keller pode vir a assinalar uma mudança drástica para a casa francesa, que abraçou a cultura do hip-hop e da celebridade sob a alçada criativa de Riccardo Tisci. Sob a sua direção criativa, a Givenchy também se transformou num negócio significativo, avaliado em mais de 500 milhões de euros em receitas, com uma margem EBIT de 10% a 15%. Waight Keller, em contraste, é conhecida pela presença calma e afável e pelo seu interesse pelas artes. De resto, o sucesso da designer britânica na Chloé enraizou-se na sua capacidade de sugerir vestuário usável e desejável e calçado e acessórios com margens altas. O seu talento nos acessórios será por isso bem-vindo na Givenchy, que não propõe uma bolsa de sucesso desde a “Nightingale”, pouco depois da chegada de Tisci. Embora não tenha experiência na alta-costura, Clare Waight Keller será provavelmente atraída pela rica herança da casa, fundada por Hubert de Givenchy em 1952 e que vestiu mulheres como Audrey Hepburn, Wallis Simpson e Jackie Kennedy. Waight Keller formou-se no Royal College of Art em Londres e mudou-se para Nova Iorque para trabalhar para a Calvin Klein. Posteriormente supervisionou o design de menswear da Purple Label da Ralph Lauren, trabalhou com Tom Ford na Gucci e permaneceu na marca até que ser nomeada como diretora criativa da Pringle of Scotland, em 2005.

2Retalho americano abranda ritmo

A economia dos EUA viu o seu início de ano forte desvanecer em fevereiro, com as vendas no retalho a registarem o ganho mais baixo em seis meses, de acordo com os últimos números do governo. As vendas no retalho dos EUA subiram apenas 0,1% em janeiro, representando no entanto um crescimento de 5,9% em relação a igual período do ano passado. Os resultados foram dificultados por uma queda de 0,5% nas vendas das lojas de vestuário e acessórios, em comparação com um aumento de 1,6% em fevereiro do ano passado. Para as lojas de mercadoria geral, as vendas desceram 0,2% em relação a janeiro, comparadas a um aumento de 1,5% em fevereiro do ano passado, enquanto as vendas dos grandes armazéns caíram 1,1% em relação ao mês anterior, face a 5,6% no ano passado. Já as vendas de artigos desportivos e de lazer desceram 0,4% em relação ao mês anterior, em comparação com uma queda de 3,6% em 2016. «Depois de um sólido início de ano, o retalho está agora de volta a um território de crescimento mais suave», afirmou Neil Saunders, diretor-gerente da Global Data Retail. Saunders acrescentou que um fator a considerar é que 2016 foi um ano bissexto. «Isso não é contabilizado nos números não ajustados sazonalmente e, portanto, reduz o crescimento», explicou. No entanto, Saunders observou que seria imprudente não reconhecer que existem algumas pressões no retalho que podem vir a limitar o crescimento dos próximos meses. O aumento dos preços dos combustíveis é o primeiro, combinado com os descontos que, segundo Saunders, são outra das características do mercado que vão amortecer o crescimento. «Isso é algo que tem vindo a afetar os atores do vestuário há algum tempo e agora está a começar a impactar nos retalhistas de produtos alimentares de uma forma mais significativa. Em suma, espera-se um ano de crescimento razoável, mas em que as margens estarão sob pressão», concluiu.

3PETA entra na Canada Goose

A Canada Goose poderá ter o grupo defensor dos direitos dos animais como seu sócio quando a empresa entrar em bolsa, com a PETA a anunciar esta semana os planos de compra de uma quota da especialista em vestuário de outdoor. A marca evelou no mês passado os seus planos de entrar em bolsa, com listas duplas planeadas para Nova Iorque e Canadá. Espera-se que a IPO (Oferta Pública Inicial) angarie até 300 milhões de dólares (aproximadamente 282 milhões de euros). No entanto, numa declaração efetuada esta semana, a PETA afirmou a sua intenção de estar entre os primeiros acionistas da empresa. «Quando a retalhista oferecer ações como parte da IPO esta semana, a PETA vai comprar ações e levar a sua luta pela defesa dos animais diretamente para a sala de reuniões», divulgou o grupo. «As ações compradas serão no valor mínimo necessário para dar à PETA o direito de assistir e participar em reuniões anuais», acrescentou a PETA, que censura a utilização de pelo de coiote nos blusões da marca de outdoor. No ano passado, mais de 50 ativistas da PETA participaram na inauguração da loja-sede de Nova Iorque para protestar contra os «casacos produzidos de forma cruel». A PETA tem vindo a apostar no “ativismo acionista” de empresas como a Hermès, Lululemon, Prada e LVMH.

4Boom nas exportações do Bangladesh

O Bangladesh exportou vestuário no valor de 18,44 mil milhões de dólares (aproximadamente 17,34 mil milhões de euros) nos primeiros oito meses do atual ano fiscal de 2016-2017, crescendo à volta de 2,8% em relação ao ano passado. Dados divulgados pelo Export Promotion Bureau (EPB) esta semana mostram que o Bangladesh exportou bens no valor de mais de 22,83 mil milhões de dólares no período de julho de 2016 a fevereiro de 2017, cerca de 3,2% a mais do que no ano anterior, mas falhou a meta governamental de 5,1% de crescimento. O sector de vestuário do país contribuiu com cerca de 82% para o total de receitas de exportação, crescendo quase 3%. Mais uma vez, no entanto, falhou a meta de 6% de crescimento do governo. Nos meses julho-fevereiro, o Bangladesh exportou couro e artigos de couro no valor de 827,6 milhões. As exportações no último ano financeiro, que terminou em junho de 2016, atingiram um recorde de 34,24 mil milhões de dólares, um aumento de 9,7% em relação ao ano anterior, devido à força das vendas de vestuário. Contudo, o sector de vestuário do Bangladesh enfrenta vários desafios, como a incerteza sobre o Brexit, os novos contornos do comércio global com a administração de Donald Trump nos EUA e um incentivo do governo indiano para ajudar o sector têxtil do país.

5Guess prepara-se para fechar lojas

A retalhista de moda norte-americana Guess vai fechar 60 lojas no próximo ano fiscal e continuar a implementar iniciativas na cadeia de aprovisionamento sob um plano anunciado recentemente para melhorar os lucros nas Américas, depois de a empresa ter visto os seus lucros caírem no quarto trimestre e no ano. Para os três meses encerrados a 28 de janeiro, os lucros baixaram 86,3% para os 6,6 milhões de dólares (aproximadamente 6,2 milhões de euros), contra 47,8 milhões. A receita líquida, entretanto, aumentou 3,2% para os 679,3 milhões de dólares, face aos 658,3 milhões no trimestre anterior. As receitas na Europa cresceram 11,4% em dólares e 13,5% em moeda constante, enquanto na Ásia as vendas também subiram 26,6% em dólares e 27,9% em moeda constante. «À medida que nos formos dirigindo para o ano fiscal de 2018, vamos aproveitar o bom momento que estamos a experimentar na Europa e na Ásia e continuaremos o nosso plano de expansão de retalho lá», adiantou o CEO Victor Herrero. «Nas Américas, onde o ambiente de retalho continua desafiante, estamos focados em melhorias de rentabilidade. Continuaremos a negociar reduções de rendas sempre que possível e planeamos fechar 60 lojas no ano fiscal de 2018. E, finalmente, continuaremos focados na implementação de iniciativas na cadeia de aprovisionamento que deverão impulsionar os lucros no ano fiscal de 2018». Os encerramentos foram mencionados no ano passado como parte de um plano de quatro pontos delineado pela Guess em dezembro e projetado para «impulsionar o valor» no negócio nas Américas. Para o ano fiscal de 2018, a marca prevê que a receita líquida consolidada aumente entre 2% e 4% em dólares, a margem operacional entre 2,2% e 3% e o lucro diluído por ação entre 0,28 e 0,40 dólares. A Guess continua focada em «produtos de alta qualidade, oferecendo experiências digitais e em loja, mantendo a sua abordagem de construção de marca de longo prazo, ancorada em investimentos em publicidade e marketing, cadeia de aprovisionamento e na plataforma digital», confirmou Herrero.

6O têxtil no feminino

Até ao dia 7 de maio, a galeria Turner Contemporary, em Margate, Inglaterra, tem patente a exposição “Entangled: Threads and Making”, que explora o trabalho de 40 artistas, todas mulheres, e a sua relação com a têxtil. Portugal estará representado pela obra de Joana Vasconcelos. A mostra reúne mais de 100 obras de 40 artistas internacionais desde a década de 1940 até ao presente. No entanto, o resultado é muito mais do que uma apresentação de peças têxteis artesanais produzidas por mulheres. Originalmente não se pretendia que esta fosse uma exposição exclusivamente feminina, mas à medida que o processo de seleção progrediu tornou-se evidente que algumas das experiências mais notáveis e extraordinárias neste campo foram – e continuam a ser – realizadas por mulheres. Em “Entangled: Threads and Making” há esculturas, instalações, tapeçarias, têxteis e joalharia e a exposição tem a curadoria da escritora e crítica Karen Wright. Wright ficou fascinada com os processos de produção que conheceu nas muitas visitas de estúdio que fez a artistas para a coluna “In the Studio” para o jornal The Independent. A ideia de “Entangled: Threads & Making” evoluiu a partir dessas visitas.