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Breves

  1. H&M Foundation distingue couro de uva
  2. Stefanel muda estratégia
  3. Sportswear prospera na China
  4. LVMH supera expectativas
  5. Valentino aposta online com a YNAP
  6. Consumidores preferem experiências

1H&M Foundation distingue couro de uva

A H&M Foundation entregou o primeiro prémio da segunda edição do Global Change Award aos produtores de uma inovadora pele vegetal batizada “Grape Leather”, que é feita a partir dos resíduos resultantes do processo de produção de vinho. A iniciativa, lançada em 2015 pela fundação sem fins lucrativos da retalhista sueca H&M, tem como objetivo distinguir os conceitos tecnológicos que tornam a indústria da moda mais sustentável. Uma bolsa de um milhão de euros foi dividida entre um total de cinco vencedores selecionados pela fundação após uma votação online que teve lugar de 27 de março a 2 de abril, com o ranking dos prémios a ser determinado de acordo com o número de votos. A “Grape Leather” recolheu o maior número de votos e foi anunciada como a vencedora do concurso, com a italiana Rossella Longobardo – que lidera a equipa por detrás da inovação – a receber o prémio de 300 mil euros numa cerimónia realizada em Estocolmo. O restante valor do prémio ficou dividido entre os restantes quatro vencedores, que incluem um têxtil biodegradável feito a partir de estrume de vaca, denim tingido com um pó derivado de denim usado, poliamida feita a partir de água, resíduos vegetais e uma etiqueta digital que facilita a reciclagem.

2Stefanel muda estratégia

Dois fundos de private equity concordaram em assumir o plano para relançar e vender a empresa italiana de vestuário Stefanel nos próximos cinco anos. Segundo uma fonte de um dos fundos, a Stefanel chegou a acordo no final de março para vender uma quota de 75% à Oxy Capital e a Attestor Capital e recebeu imediatamente 10 milhões de euros num financiamento de emergência para evitar a bancarrota. Os novos proprietários estão a tentar reposicionar o grupo italiano, direcionando a marca para mulheres entre os 35 e os 50 anos em vez de consumidoras mais jovens, num segmento de mercado ligeiramente acima da Benetton e da Zara, revelou uma fonte da Oxy Capital, que pediu anonimato. «Um dos problemas da Stefanel foi elevar demasiado o seu target, apontando para o luxo, sem fazer o mesmo com a qualidade oferecida e, como tal, levando à perda de clientes», explicou a fonte. A Oxy e a Attestor pretendem ainda reduzir o número de lojas Stefanel e vender mais através de lojas de terceiros, como grandes armazéns. O grupo de moda acumulou mais de 170 milhões de euros em prejuízos na última década, provocada pela forte concorrência de marcas da high street como a H&M e a Zara. A Oxy e a Attestor esperam concluir a compra no verão, depois de obterem a aprovação da autoridade da concorrência italiana e do tribunal de Treviso que está a gerir o processo de insolvência.

3Sportswear prospera na China

A indústria de sportswear deve continuar a sua expansão na China nos próximos anos, com o segmento a manter-se resiliente entre o difícil ambiente de retalho do país devido a uma mudança no comportamento do consumidor e à preferência por conceitos de compras diferenciados, afirma a Fitch Ratings. Tanto as marcas internacionais como domésticas beneficiaram da expansão da indústria de sportswear na China, que a Fitch atribui a um aumento do investimento e uma maior participação no desporto, depois dos problemas de excesso de lojas e de inventário terem sido resolvidos desde 2012. O Conselho de Estado pretende desenvolver a indústria de desporto na China para 5 biliões de yuans até 2025 e aumentar a área disponível para a prática de desporto. O maior interesse em fitness e desporto também se tornou mais evidente, com mais pessoas a interessarem-se em corrida – o China Daily indicou que foram registadas 328 maratonas através da Chinese Athletic Association em 2016, atraindo quase 2,8 milhões de participantes e representando um aumento de 85% em comparação com o ano anterior. A agência noticiosa Xinhua, por seu lado, indica que o número de inscritos em ginásios particulares nas 70 maiores cidades chinesas tem aumentado quatro a cinco milhões por ano desde 2011. O mercado chinês é liderado pelas marcas internacionais Adidas e Nike. A Adidas reportou um crescimento superior a 20% na China em 2016 e a Nike também registou um crescimento a dois dígitos na Grande China. Contudo, a Fitch acredita que as marcas locais podem também beneficiar, uma vez que oferecem aos consumidores uma proposta de valor competitiva. Por exemplo, a marca local 361 Dregress International Limited registou um aumento de 7% das vendas comparáveis em termos anuais em 2016. A Fitch vê, por isso, espaço para o crescimento. A expansão pode moderar ligeiramente em 2017 devido a comparações mais difíceis, mas uma maior diferenciação e diversificação do produto em novas áreas de desporto pode ajudar ao crescimento da marca. A 361 Degrees sentiu o aumento da procura por produtos funcionais alinhados com atividades específicas, como corrida, e outra marca chinesa, a Li Ning, registou mais vendas em categorias funcionais, como basquetebol e corrida, em 2016. As marcas estão igualmente a desenvolver novas categorias, como outdoor e desportos de inverno. Pequim ganhou a corrida para acolher os Jogos Olímpicos de Inverno em 2022, o que pode alimentar o interesse em desportos relacionados. As marcas locais têm procurado aproveitar este interesse, com a 361 Degrees a potencialmente usar a sua joint-venture com a One Way, uma marca nórdica de desportos de outdoor, para captar mais procura. Anta Sports também anunciou uma proposta de joint-venture com a marca coreana de outdoor Kolon em fevereiro de 2016.

4LVMH supera expectativas

O LVMH registou um aumento das vendas no primeiro trimestre que ultrapassou as previsões dos analistas, embora a empresa francesa de bens de luxo tenha advertido que o ambiente de retalho continua incerto. As vendas subiram para 9,88 mil milhões de euros, um aumento de 15% em termos anuais. Uma sondagem da Inquiry Financial para a Reuters junto dos analistas apontava para um valor médio de 9,55 mil milhões de euros. A principal divisão do grupo, de moda e artigos em couro – impulsionada pela marca Louis Vuitton – totalizou vendas de 3,4 mil milhões de euros, um aumento orgânico de 15% (em comparação com 4% para o ano completo de 2016). O LVMH, cujas ações registaram um valor recorde este ano, afirmou ter sentido um crescimento sólido nos seus principais mercados da Ásia, Europa e EUA, mas acrescentou que «a tendência atualmente observada não pode ser, de forma razoável, extrapolada para o ano completo». Em janeiro, o LVMH anunciou valores recorde nas vendas e lucros de 2016, mas deixou uma nota de cautela para 2017, tendo em conta as incertezas geopolíticas atuais, desde o impacto do Brexit à nova Administração Trump. «Num ambiente particularmente incerto, o LVMH vai continuar a centrar os seus esforços no desenvolvimento das suas marcas, em manter um controlo restrito sobre os custos e direcionar os seus investimentos para a qualidade, excelência e inovação dos produtos e da sua distribuição», acrescentou o LVMH em comunicado.

5Valentino aposta online com a YNAP

A casa de moda Valentino juntou forças com a gigante de comércio eletrónico Yoox Net-A-Porter para lançar um modelo de negócio omnicanal que vai permitir aos consumidores um acesso global à sua oferta. O negócio prevê a parceria das duas empresas para criar uma superloja online batizada Next Era, que vai incorporar «todas as vantagens de todos os modelos de negócio, desde o inventário em lojas físicas aos oito centros de distribuição [da Yoox Net-A-Porter] do Dubai a Xangai e Milão, dando origem à maior loja da Valentino do mundo», segundo o CEO da Valentino, Stefano Sassi. A Next Era vai ainda permitir aos consumidores da Valentino usarem ferramentas móveis quando estão numa loja, como o pagamento fácil, informação completa do produto e disponibilidade do inventário online, assim como entregas mais rápidas. «Quer queiram comprar online, levantar na loja ou ter os artigos entregues em localizações separadas, as opções são infinitas», afirma Frederico Marchetti, diretor-executivo da Yoox Net-A-Porter. O site da Valentino será ainda remodelado em termos de imagem, juntamente com a adição de uma nova funcionalidade, que tem por base inteligência artificial, como a personalização do site e a pesquisa contextual, que permite que os consumidores usem uma linguagem natural para interagirem com a loja digital. A Next Era deverá ser lançada no início de 2018.

6Consumidores preferem experiências

Um estudo recente destacou uma mudança do consumo, em que as compras se estão a afastar das marcas de designer em favor de experiências e produtos que atraiam mais atenção social. O estudo do NPD Group, intitulado “Retail Reborn: How the Aspirational Purchase Has Shifted”, sugere que os consumidores já não estão dispostos a arriscar a sua classificação de crédito para gastarem em artigos de designer e preferem gastar mais em algo único, evitar dívidas e ganhar seguidores. Mais especificamente, o estudo concluiu que o declínio do rendimento discricionário durante a Grande Recessão levou os consumidores a mudarem os seus hábitos, com as pessoas a estarem mais ansiosas em relação a dívidas. As prioridades são agora artigos artesanais, procurar a individualidade em detrimento da moda tradicional, valorizar as experiências em relação a produtos materiais e, cada vez mais, investigar a opção mais fotogénica para informar da sua compra. De acordo com a investigação, os millennials, em particular, estão também a aderir às compras em promoções, com os números a mostrarem que os millennials que ganham mais de 100 mil dólares anuais visitam as lojas de “discount” (como as que vendem tudo a um euro) quase 13 vezes por ano.