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  1. Primark lucra com a expansão
  2. Preços mais altos travam consumo
  3. Swimwear chama pelo verão
  4. Iris van Herpen em retrospetiva
  5. Segunda mão sobe online
  6. Zara envolta em polémica

1Primark lucra com a expansão

A Primark aumentou os lucros no primeiro trimestre graças a vendas mais altas, sobretudo no Reino Unido, e a um aumento «substancial» na área de venda. Para o período de 24 semanas terminado a 4 de março, o lucro operacional atingiu 323 milhões de libras, em comparação com 313 milhões de libras há um ano, representando um aumento de 3%. As margens operacionais, contudo, baixaram, tal como previsto, refletindo a valorização do dólar nos custos. O efeito total desta valorização deverá continuar a sentir-se no segundo semestre. As vendas totais aumentaram 11% em comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionadas por um aumento de 12% na área de venda. Em termos comparáveis, as vendas subiram 12%, o equivalente a 22% a taxas de câmbio atuais. A retalhista abriu 16 lojas no período em oito países no primeiro semestre do ano fiscal. A Primark afirma ainda que registou uma boa performance no mercado britânico «altamente competitivo», com o crescimento das vendas comparáveis de 2% e um «forte» aumento na sua quota de mercado. As vendas totais no mercado britânico aumentaram 7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A retalhista continuou ainda a expandir-se nos EUA e afirma-se encorajada com a sua loja mais recente no mercado, em Staten Island, que abriu em março e está com uma performance «muito boa». Na Europa Continental, as vendas e as quotas de mercado cresceram fortemente, sublinha a Primark. «O crescimento subjacente do grupo a câmbios constantes foi forte no primeiro semestre», destaca George Weston, diretor-executivo da empresa-mãe Associated British Foods. «A Primark registou um aumento substancial no espaço de venda o que, juntamente com a sua forte oferta para o consumidor, contribuiu para mais um aumento na nossa quota total no mercado de vestuário», acrescenta. Kate Ormrod, analista de retalho na GlobalData, considera, citada pelo just-style.com, que a Primark teve um primeiro semestre «decente», apesar do declínio da margem de lucro. «A expansão rápida nunca foi a estratégia da Primark, que tem uma abordagem comedida e quase cautelosa, sobretudo em novos mercados. Embora isso signifique que não vai desafiar a liderança do mercado nos EUA em breve, a expansão lenta e constante é uma aposta segura. Contudo, com as oportunidades de expansão no mercado doméstico a esgotarem-se, será necessário fazer uma aposta mais forte no estrangeiro e sobretudo na Europa Continental, a não ser que mude a sua posição em relação ao comércio online», afirma Ormrod.

2Preços mais altos travam consumo

O consumo nos EUA contraiu ligeiramente pelo segundo mês consecutivo em fevereiro, fruto de uma subida dos preços no retalho. O Índice de Confiança dos Consumidores do The Conference Board subiu 9,5 pontos no mês passado, de acordo com uma atualização da Cotton Incorporated, tornando a atual leitura de 125,6 não apenas o valor mais alto desde a recessão, mas também o valor mais alto em mais de 15 anos. Os ganhos recentes no otimismo do consumidor foram impulsionados por uma melhoria na perceção em relação a condições de negócio atuais e futuras, assim como uma expectativa positiva para o mercado de trabalho. Contudo, mesmo com o aumento do salário e um nível elevado de confiança, o consumo baixou ligeiramente em termos ajustados à inflação pelo segundo mês consecutivo em fevereiro. No geral, o consumo baixou 0,1% em termos mensais, tendo subido 2,6% em termos anuais. O consumo de vestuário caiu 1,3% em termos mensais, embora tenha aumentado 0,3% na comparação anual. A subida dos preços pode ser um dos fatores que está a afetar o consumo de vestuário, sugere a Cotton Incorporated. Os preços no retalho aumentaram mais de 1% pelo segundo mês consecutivo em fevereiro (+1,7% em janeiro e +1,1% em fevereiro). Os aumentos nos últimos dois meses mais do que reverteram o declínio nos preços médios do vestuário em novembro e dezembro. Em termos sazonalmente ajustados, o custo médio por metro quadrado das importações de vestuário maioritariamente composto por algodão manteve-se praticamente inalterado em fevereiro em termos mensais e apesar do ligeiro aumento desde novembro, os custos do sourcing continuam perto dos níveis mais baixos registados fora da última recessão. «Vários grandes retalhistas americanos têm tido problemas a mover a mercadoria e essa dificuldade traduziu-se na colocação mais lenta de encomendas», explica a Cotton Incorporated. «Para os 12 meses terminados em fevereiro, as importações totais de vestuário (de todas as fibras) desceram 2,8% em comparações anuais em termos de volume. Com menos encomendas a serem colocadas, provavelmente houve um aumento da concorrência pelas encomendas entre os produtores. Isto deve ter reforçado o poder negocial dos retalhistas e pode ter ajudado a uma diminuição dos custos de sourcing», resume a organização.

3Swimwear chama pelo verão

Quando as temperaturas sobem, de imediato são resgatadas as peças mais estimadas da estação – biquínis e fatos de banho. Há muito que os artigos de swimwear deixaram de ser sinónimo de praia e piscina e passaram a visitar a cidade, por isso, nunca as tendências de moda praia foram tão importantes como agora. No verão de 2017, há silhuetas novas e materiais e cores inesperados que obrigam a uma atualização. Os fatos de banho com pormenores laterais são uma das silhuetas vencedoras da estação e, até agora, as argolas metálicas e os laços têm-se assumido como as aplicações favoritas das amantes de moda. A t-shirt de tamanho mini que substitui a parte superior do biquíni é outra das grandes tendências da estação e os quadrados e as riscas dominam nos padrões. A par das silhuetas, também novos materiais invadem o mercado de swimwear em 2017. O crochet, o veludo e o denim são dos mais populares, mas as rendas e o couro também convidam a um mergulho. As cores primárias que resultam em peças de estética minimalista são outra das tendências da moda praia, vindo substituir os tons néon e estampados que fizeram furor no verão passado. Os fatos de banho com apenas uma alça são a maior novidade, podendo ser usados não só na praia, como também num evento no final do dia.

4Iris van Herpen em retrospetiva

Nos últimos anos, o génio criativo de Iris van Herpen ficou mundialmente conhecido por se materializar em coordenados que fundem ciência, tecnologia e trabalho artesanal. Agora, o Dallas Museum of Art revê o trabalho da criadora de moda holandesa em 43 peças de alta-costura na exposição “Transforming Fashion”, patente de 21 de maio a 20 de agosto. O próximo ano assinala o 10º aniversário da marca epónima da designer, sendo que, neste hiato temporal, Van Herpen causou um impacto significativo na forma como os indivíduos pensam sobre moda e tecnologia – do vestido impresso no corpo da atriz Gwendoline Christie durante o desfile da semana de moda de Paris à sua primeira linha de alta-costura, “Chemical Crows”, que chegou à passerelle durante a Amsterdam Fashion Week em 2008 e começou como uma experimentação de formas, usando um guarda-chuva partido. Agustín Arteaga, atual diretor do Dallas Museum of Art, antecipa que a exposição «atraia não apenas a moda, mas também aqueles interessados nos mundos da ciência, tecnologia e inovação». Depois de ter estudado na prestigiada Artez Art Academy, Iris Van Herpen estagiou com Alexander McQueen, em Londres, onde foi introduzida ao intrincado trabalho manual que pode ser encontrado em quase todas as suas criações.

5Segunda mão sobe online

O crescimento do comércio eletrónico de artigos em segunda mão está a superar o das vendas offline do segmento, bem como o das cadeias off-price e do próprio retalho como um todo, de acordo com um novo relatório. Apesar de o comércio eletrónico de segunda mão ser um espaço competitivo, as empresas que sobreviveram foram capazes de crescer rapidamente. Nomes como Vestiaire Collective, The Real Real e Thredup, três dos maiores atores na revenda, já arrecadaram (cada um) mais de 100 milhões de dólares (aproximadamente 93,3 milhões de euros) em capitais de risco. Atualmente, o segmento está avaliado em 18 mil milhões de dólares nos EUA – abrangendo tanto o offline como o online (incluindo o eBay) – e deverá alcançar os 33 mil milhões em 2021. A revenda online está também a crescer mais rapidamente do que os seus antecessores offline. Enquanto a revenda offline tem crescido a 8% ao ano, a revenda online tem crescido a uma taxa de 35%. Naturalmente, parte deste rápido crescimento deve-se ao facto das novas empresas, quando têm êxito, crescerem mais rapidamente do que as suas homólogas já presentes no mercado. O relatório sublinha que os millennials estão entre os mais propensos a comprar artigos em segunda mão. No entanto, curiosamente, 36% dos clientes mais ativos da Thredup ganham entre 250.000 e um milhão de dólares por ano, enquanto 10% ganham mais de 1 milhão de dólares. Segundo a Thredup, a crescente insatisfação dos consumidores em relação ao retalho tradicional também está a contribuir para o crescimento da revenda.

6Zara envolta em polémica

Megan Fredette, uma escritora sediada em Chicago, recorreu à rede social Twitter esta semana para comunicar que a Zara tem à venda uma saia bordada com imagens de “Pepe the Frog”, uma ilustração de um sapo que começou por ser inócua mas que acabou por ser associada a posições antissemitas. Na opinião de Fredette, quem desenhou a peça da coleção de primavera da marca espanhola só pode estar na ignorância sobre as conotações ofensivas de “Pepe the Frog”. Pepe não foi inicialmente criado como símbolo de ódio, Matt Furie criou-o como personagem de uma banda desenhada, já em 2005. Porém, nos anos que se seguiram e especialmente durante a corrida presidencial de 2016, Pepe foi usado por grupos de ódio para perpetuar ideologias racistas e xenófobas. A Liga Antidifamação, organização não-governamental judaica internacional com sede nos EUA, considerou oficialmente Pepe como símbolo de ódio em setembro passado. «À medida que o meme proliferou em plataformas online como o 4chan, 8chan e Reddit, que têm muitos utilizadores que se divertem a criar memes e imagens racistas, um subconjunto de memes de “Pepe The Frog” acabou por centrar-se em temas racistas», pode ler-se no website da liga. A Liga Antidifamação esclarece que «é importante analisar o uso do meme no contexto. O simples facto de se publicar uma imagem de Pepe não significa que alguém é racista ou xenófobo», continua. Todavia, revendo as controvérsias passadas da Zara, os consumidores consideram que a empresa precisa de se esforçar mais por evitar todas as imagens com potencial de gerar má publicidade. Recorde-se que a Zara já esteve envolvida em acusações do género em 2014, quando lançou um pijama de criança com aquilo que os consumidores defenderam parecer uma estrela de David. Face à atual polémica, a Zara decidiu retirar a saia do seu portal de comércio eletrónico.