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  1. Luxo continua mais caro na China
  2. Hermès começa o ano em força
  3. Vestuário alavanca o retalho britânico
  4. Zalando pondera abrir lojas físicas
  5. T-shirts passam a mensagem este verão
  6. UGG à venda

1Luxo continua mais caro na China

Os preços médios de artigos de luxo na China são 20% superiores à média mundial, a câmbios constantes, de acordo com uma nova pesquisa realizada por Luca Solca, diretor de artigos de luxo no Exane BNP Paribas. Embora as diferenças de preço na China tenham permanecido estáveis nos últimos meses – com o mercado asiático a registar valores mais altos do que os EUA e a Europa –, a diferença diminuiu em algumas marcas no último ano, como na Balenciaga (para cerca de 25%) e na Dolce & Gabbana (para cerca de 50%). No entanto, a desigualdade aumentou na Brunello Cucinelli (para cerca de 45%) e na Armani (para cerca de 75%). «Várias marcas ainda têm de trabalhar para posicionarem a sua margem na gama considerada sustentável de 30% a 40%», aponta o estudo. As marcas de luxo continuam conservadoras em relação a reduzir as diferenças de preço em termos mundiais porque as compras realizadas fora dos países de origem representam 30% do mercado, ajustado em termos de câmbio, e os hábitos de compras dos turistas estão muito correlacionados com taxas de câmbio. As compras por estrangeiros representam mais de 70% das vendas em Itália e em França e mais de 50% no Reino Unido e na Suíça. Um interesse continuado entre os consumidores de classe média, que se informam das diferenças de preços online, vai continuar a impulsionar a redução das diferenças, destaca o estudo. «Contudo, a redução da disparidade de preços só pode avançar tão rapidamente quanto as lojas europeias encolhem o mix de redes de retalho de bens de luxo – isso deverá acontecer em câmara lenta», indica. Em termos mundiais, os preços dos bens de luxo não aumentaram significativamente nos últimos nove meses, com a Ferragamo a registar a maior subida, com um crescimento de 4%, seguida da Coach, da Gucci e da Moncler, com 1%, a câmbios constantes. «Esperamos que as marcas se mantenham prudentes em relação ao aumento dos preços comparáveis», refere o estudo, «aproveitando volumes mais altos graças a mais consumidores de classe média, maior produtividade no retalho e alavancagem operacional», conclui.

2Hermès começa o ano em força

A forte procura por malas, pronto-a-vestir e perfumes deu um forte impulso à Hermès International no primeiro trimestre. O volume de negócios da casa de moda francesa aumentou 13,5%, para 1,35 mil milhões de euros, alavancado por um forte crescimento na Ásia e nas Américas. A câmbios neutros, as vendas subiram 11,2% no trimestre terminado em março. Os artigos em pele registaram um crescimento de 15% «graças à riqueza das coleções e à diversidade de modelos», enquanto no pronto-a-vestir e acessórios, que registou um aumento de 8%, as estrelas principais foram a joalharia e o calçado. As sedas e têxteis, cujas vendas aumentaram 9%, beneficiaram de uma procura sustentada, depois de terem sido penalizados pelos eventos na Europa e por um abrandamento das vendas na China no início do ano passado. Geograficamente, as vendas na Ásia (excluindo o Japão) «conseguiram uma performance impressionante», tendo aumentado 16%, lideradas pela China Continental, enquanto no Japão as vendas subiram 2%. Nas Américas, o crescimento foi de 14%, graças «a um bom crescimento das vendas apesar de um ambiente económico incerto», e na Europa (excluindo França), «prosseguiu um crescimento extraordinário», tendo aumentado 9%, e em França as vendas subiram 4%, impulsionadas pelos resultados nas lojas do grupo. «A forte performance da Hermès continua graças à solidez de um modelo de crescimento bem equilibrado, com base na atratividade de uma oferta diversificada e uma saudável distribuição geográfica das vendas», indicou em comunicado. No entanto, nem tudo é positivo na mais recente declaração de resultados da casa de luxo, que embora continue a assumir «o objetivo ambicioso de crescimento do volume de negócios» a médio prazo, também admitiu que a sua performance no primeiro trimestre, que beneficiou de comparações favoráveis, «não pode ser projetada para o ano completo de 2017».

3Vestuário alavanca o retalho britânico

O crescimento das vendas a retalho do Reino Unido acelerou no ano até abril, com os volumes a aumentarem mais rapidamente do que o esperado, de acordo com o mais recente Distributive Trades Survey da CBI. O inquérito a 112 empresas, das quais 57 retalhistas, mostrou que o volume de vendas cresceu ao ritmo mais acelerado desde setembro de 2015 no ano até abril. As encomendas colocadas nos fornecedores também subiram à taxa mais forte em 18 meses. No geral, as vendas para a altura do ano foram consideradas ligeiramente acima do habitual. Olhando para o futuro, contudo, o crescimento em volume deverá abrandar em maio e as vendas devem regressar à média para a altura do ano, com as encomendas a deverem ficar inalteradas. Dentro do sector do retalho, as vendas de vestuário e de mercearia tiveram uma performance particularmente forte, enquanto os retalhistas de mobiliário tapetes e as lojas especializadas em alimentação e bebidas registaram uma queda das vendas pelo segundo mês consecutivo. Já as vendas online continuam a crescer a um forte ritmo no ano até abril, em linha com a média a longo prazo, e deverão aumentar a um ritmo semelhante em maio. Ben Jones, analista principal da CBI, afirmou que «as vendas a retalho aguentaram-se melhor do que o esperado, sobretudo tendo em conta que o estudo não cobriu o período da Páscoa. O tempo mais quente no início de abril pode de alguma forma explicar o aumento, com as vendas em lojas de vestuário e supermercados a alavancar o crescimento no geral. Contudo, os retalhistas ainda estão cautelosos em relação às previsões, esperando um crescimento mais lento no ano até maio, à medida que o aumento da inflação afeta o consumo das famílias. Com a concorrência pelo preço a manter-se acérrima e com a subida dos custos a esmagar as margens, os retalhistas vão enfrentar uma pressão crescente nos próximos meses».

4Zalando pondera abrir lojas físicas

A retalhista online Zalando está a ponderar abrir lojas em grandes cidades como Londres, Paris ou Berlim, revelou o co-CEO Rubin Ritter à revista alemã Manager Magazin. «Temos fãs nas metrópoles que gastam muito tempo connosco e encomendas muito», afirmou Ritter. «Pode ser interessante para eles experienciar a marca offline», indicou. Fundada em Berlim em 2008, a Zalando cresceu rapidamente para se tornar uma das maiores empregadoras da capital alemã, entregando 1.500 marcas em 15 países a partir de grandes armazéns na periferia das cidades. A compra da Zalando da feira de moda Bread & Butter, em 2015, marcou um primeiro passo para oferecer serviços que vão além do comércio eletrónico puro, recordou Rubin Ritter, citando ainda a aquisição da retalhista de streetwear Kickz. A Zalando está ainda a introduzir a impressão 3D para marcas de moda pequenas e médias, revelou o co-CEO, sublinhando que seria mutualmente benéfico usar a tecnologia para reimprimir os ténis mais vendidos em Berlim.

5T-shirts passam a mensagem este verão

Slogans, palavras de ordem e mensagens vão encher as t-shirts da primavera-verão 2017, tanto nas versões masculinas como femininas. Embora a tendência não seja propriamente nova, tendo vindo a desenvolver-se nas últimas estações, as eleições americanas parecem ter dado um novo impulso para que as marcas se manifestassem através das t-shirts. A t-shirt “We Should All Be Feminists” da Dior tem sido uma das preferidas, mas Prabal Gurung também revelou uma série de t-shirts no desfile da coleção outono-inverno 2017 com slogans como “I Am An Immigrant” (“Sou Imigrante”), “Love Is The Resistance” (“O Amor é a Resistência”) e “R.E.S.P.E.C.T” (“Respeito”) que já estão disponíveis para os consumidores. Mas nem todas as mensagens são políticas e algumas têm um toque de humor, com expressões bem conhecidas a serem trabalhadas de forma diferente. A marca francesa tbs tem uma coleção cápsula de cinco t-shirts com mensagens ligadas à náutica como “J’peux pas j’ai transat” (que se pode traduzir como “Não posso, tenho um encontro com uma espreguiçadeira”). Já a camisola oversized com corte poncho “MAD 2”, da Madluv combina a elegância da caxemira (100%) com slogans divertidos, como “Mad”, “Bam”, “Luv” e “Make more sound”. Já a Timezone lançou uma gama de t-shirts com slogans inspirados pelo próprio verão, como “Hot Summer Nights”, “Life is a Beach” e “Life is so much better at the beach”, enquanto a colaboração da Uniqlo com o artista plástico André Saraiva tem várias t-shirts com referências a Nova Iorque e Paris, assim como com o icónico “Monsieur A”.

6UGG à venda

A Deckers Outdoor Corp, que detém a marca UGG, revelou estar a explorar alternativas estratégicas, incluindo a venda da empresa, cerca de um mês depois da investidora Red Mountain Capital Partners LLC, que detém 3,3% das ações extraordinárias da Deckers, ter incitado a empresa de vestuário e acessórios a colocar-se à venda, afirmando que as ações da Deckers Outdoor Corp tiveram uma má performance em todos os principais índices nos últimos três a cinco anos. Em fevereiro, a Marcato Capital Management LP, outra investidora, que detém uma quota de 6% da empresa, indicou que pretendia discutir a estratégia e opções com a Deckers. As vendas das botas em pele de carneiro da UGG, populares em cidades americanas e junto de estudantes universitárias, subiram para 1,52 mil milhões de dólares (1,39 mil milhões de euros) no ano fiscal de 2016, em comparação com apenas 37 milhões de dólares em 2003. Mas o crescimento abrandou e as ações da Deckers perderam mais de um terço do seu valor desde o final de 2014. Em fevereiro, a empresa reportou lucros abaixo do esperado para o terceiro trimestre, devido a um abrandamento das vendas das marcas UGG e Sanuk, e reviu as suas previsões de volume de negócios para 2017.