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Breves

  1. Homens dominados pelo rosa
  2. Mais velhos gastam mais
  3. Pais querem regresso às aulas ecológico
  4. ADN das tendências de moda
  5. Manolo Blahnik em documentário
  6. A raça negra do calendário Pirelli

1Homens dominados pelo rosa

Depois de algumas aparições mais discretas, chegou a vez da cor rosa recuperar a conotação unissexo há muito perdida. Esta tonalidade começou a ser praticamente um reduto de peças para menina apenas em meados do século XX, sendo que, até lá, não tinha qualquer conotação de género. Este verão, depois das muitas batalhas travadas a favor de um guarda-roupa unissexo, o rosa domina os coordenados para mulher e homem com igual vigor. No segmento masculino, a tendência começou pelo contributo de marcas como a Gucci, cujo diretor criativo Alessandro Michele explorou o rosa em diferentes gradações e combinado com tons como o amarelo num look policromático e geek. Marcas como a J.W. Anderson, Xander Zhou, Haider Ackermann ou Topman Design também aplicaram a cor nas respetivas coleções de moda para homem, usando-a em coordenados tão distintos como um fato ou um hoodie.

2Mais velhos gastam mais

Os consumidores baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) estão a assegurar grande parte dos gastos nos EUA. A tendência tem implicações significativas, não só para as marcas que estão a perder um público lucrativo, mas também para uma economia que continua a avançar a um ritmo moderado. Contribui, também, para os problemas de retalhistas como a Macy’s e a Sears, que estão a fechar centenas de lojas. «A população com mais de 50 anos está claramente a desempenhar um papel importante nos gastos dos consumidores e os consumidores mais velhos revelam-se mais significativos à medida que essas tendências se intensificam», reconheceu Wayne Best, economista da Visa. No primeiro trimestre, os americanos de 55 anos ou mais representaram 41,6% dos gastos dos consumidores, face aos 41,2% no final do ano passado e 33,5% no início de 2007, de acordo com os dados da Moody’s. Os anunciantes, todavia, têm concentrado as suas campanhas quase exclusivamente nas gerações mais jovens, sublinhou Marshal Cohen, analista do sector no NPD Group, uma consultora de comportamento do consumidor e retalho. Não obstante, os boomers têm padrões de gastos distintos – estão a comprar menos carros, roupas e televisões e a despender mais em serviços de saúde, viagens e entretenimento. As compras de vestuário representaram 2,7% de todas as despesas dos consumidores entre os 55 e os 64 anos em 2015, abaixo dos 3,6% para essa faixa etária em 2005 e dos 5,6% em 1995, segundo a Moody’s.

3Pais querem regresso às aulas ecológico

Na temporada de regresso às aulas de 2017, muitos pais – e filhos – estão a revelar preocupações ecológicas, preferindo artigos amigos do ambiente. As preocupações com o meio ambiente, por exemplo, estão a levar os pais a procurar vestuário em segunda mão ou artigos produzidos a partir de materiais reciclados. Porém, o preço continua a ser importante. Os consumidores querem qualidade, ecologia e estilo em mochilas e jeans, entre outros bens, sem precisarem de gastar mais dinheiro. Retalhistas como a H&M, Target e J.C. Penney têm vindo a apresentar coleções amigas do ambiente, apostando em denim reciclado ou produzido a partir de garrafas de plástico recicladas. James Reinhart, CEO e fundador da plataforma online de vestuário em segunda mão Thredup, afiançou ter vindo a descobrir que muitos dos clientes do website não são motivados apenas pelo preço, mas também por preocupações ambientais. «Se estivesse indecisa entre dois itens, escolheria algo mais ecológico», reconheceu Ellen Abramson, mãe de uma menina de 11 anos e de duas gémeas de 16 anos. «Mas o preço tem de ser comparável», ressalvou. Muitos retalhistas estão a reciclar. Na Nike, 71% do calçado e vestuário contêm materiais reciclados e a H&M está a oferecer jeans fabricados com tecido reciclado, sendo que a retalhista sueca afirma que mais de 26% das suas roupas provêm de fontes sustentáveis como o algodão orgânico ou materiais como o couro e o denim reciclados. Até 2030, o objetivo é que todos os seus produtos sejam ecológicos. Deborah Weinswig, diretora-geral da empresa de pesquisa Fung Global Retail & Technology, prevê que mais marcas venham a introduzir produtos sustentáveis nas suas coleções. No entanto, salvaguarda que a tendência deve ser devidamente balançada. «As compras de regresso às aulas continuam motivadas, em grande parte, pela moderação», afirma. «Por isso, os retalhistas devem continuar a oferecer preços baixos ao lado de produtos mais sustentáveis». Contudo, as expectativas de estilo e qualidade dos consumidores continuam a pressionar os retalhistas a manter os preços, mesmo que a produção possa ser mais cara.

4ADN das tendências de moda

O livro “The Anatomy of a Trend” mostra como o reputado portal WGSN prevê as tendências, assumindo-se como uma preciosa ferramenta para as empresas que pretendam estar na crista da onda. Os consumidores conhecem as tendências que rodeiam e redefinem o seu quotidiano. Porém, muitas vezes, não percebem o que esteve na sua origem. Os espaços de co-working, por exemplo, emergiram para responder às novas necessidades de uma “classe criativa” e os batidos detox destacaram-se num mundo onde o bem-estar é mais importante do que nunca. As macrotendências duram anos ou décadas. Por isso, considera o WGSN, ao identificarem as tendências antes destas atingirem a massa crítica, as empresas podem aproveitar um crescimento potencialmente ilimitado. Para tal, devem conectar os pontos entre influências para identificar as tendências macro, filtrá-las para o seu ADN e inovar no momento certo, apresentando-as aos seus clientes. Ter sucesso na previsão pode erguer ou derrubar as maiores empresas da atualidade. O WGSN deixa a propósito o exemplo clássico da Amazon: em menos de duas décadas, a Amazon evoluiu a partir de uma pequena startup, que tentava convencer os consumidores a confiarem na Internet, para uma das maiores empresas do mundo. Desde as raízes do comércio eletrónico até ao lançamento do Kindle, passando pelo seu investimento atual em inteligência artificial, a empresa investiu corajosamente em tendências, mesmo quando uma visão de curto prazo sugeria que poderia estar a arriscar demasiado. O livro “The Anatomy of a Trend” já está disponível online para download.

5Manolo Blahnik em documentário

Com estreia agendada para setembro, o documentário “Manolo: The Boy Who Made Shoes for Lizards” retraça a vida e obra do reputado designer de calçado Manolo Blahnik. O documentário conta com a realização de Michael Roberts e faz referência a uma curta-metragem, também dirigida por Roberts, lançada em 2014, que retratava Blahnik em criança, quando percorria a folhagem nas Canárias com uma missão em mente: criar sapatos para os répteis locais. A produção reúne ainda testemunhos e entrevistas a personalidades que adoram as suas criações, como Rihanna, Anna Wintour, André Leon Talley, Isaac Mizrahi, John Galliano e Naomi Campbell, entre outras. O documentário tem início nas Canárias, onde Manolo Blahnik nasceu em 1942. Já em 1970, durante uma visita a Nova Iorque, o designer conheceu Diana Vreeland, então editora da Vogue americana, que sugeriu que se concentrasse na criação de sapatos. Blahnik assim fez, tendo-se sediado em Londres. O nome do designer atingiu as massas depois do sucesso da série televisiva “O Sexo e a Cidade” e da paixão da personagem Carrie Bradshaw (interpretada pela atriz Sarah Jessca Parker) pelos “manolos”.

6A raça negra do calendário Pirelli

Na semana passada foram divulgadas as primeiras imagens da edição de 2018 do calendário Pirelli, marcadas pela diversidade. Naomi Campbell, Sean “Diddy” Combs, Whoopi Goldberg, Lupita Nyong’o, Adwoa Aboah, Slick Woods, Lil Yachty e Djimon Hounsou emprestam o rosto à edição inspirada pelo conto “Alice no País das Maravilhas”, num elenco de raça negra. Publicado desde 1964, esta não é a primeira vez que uma edição do calendário Pirelli envolve um elenco exclusivamente negro. Tal aconteceu também em 1987. Tim Walker foi o fotógrafo, Edward Enninful, editor da Vogue britânica, foi o responsável criativo e Shona Heath assinou os cenários.