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  1. Algodão GOTS indiano sob suspeita
  2. Uniqlo recupera consumidores
  3. Nike abre as portas ao design colaborativo
  4. Vietname explora negócios na Arménia
  5. Género neutro na John Lewis gera polémica
  6. Moda de outono alimenta retalho britânico

1Algodão GOTS indiano sob suspeita

A marca alemã orgânica Cotonea está a pedir ao Global Organic Textile Standard International Working Group para investigar as alegações de que o algodão GOTS da Índia contém organismos geneticamente modificados (OGMs). O algodão OGM começou a ser cultivado na Índia em 2002, com a percentagem a atingir agora mais de 90%, de acordo com a Cotonea. Mas a marca afirma que estes OGMs estão a chegar aos fios de algodão com certificação GOTS. «Há muito que estamos a avisar, em algum ponto não vai haver nem algodão sem organismos geneticamente modificados, nem sementes limpas na Índia, à medida que a manipulação genética atinge plantas não manipuladas da mesma espécie através da polinização, tornando-se assim parte da semente», sublinha a Cotonea. «A suspeita que o algodão orgânico certificado contém OGMs foi vocalizada pela organização estatal indiana de exportação Apeda em abril de 2009. Durante o seu tempo na organização, o diretor Sanjay Dave falou sobre um caso de fraude de “proporções gigantes”», acrescenta a marca. A Cotonea refere-se a um estudo do Financial Times na Alemanha que afirma que dezenas de aldeias introduziram grandes quantidades de algodão geneticamente modificado no mercado, juntamente com empresas de certificação ocidentais. Também destaca que a investigação levada a cabo pela revista suíça Saldo sobre fios de algodão com certificação GOTS na Índia detetou elevadas quantidades de contaminação de OGMs. Uma porta-voz do GOTS, contudo, refutou os resultados, afirmando que «os OGMs só podem ser detetados no algodão em bruto, não em fio de algodão». De acordo com o website do GOTS, «a utilização de organismos geneticamente modificados – incluindo as suas enzimas – é incompatível com a produção de têxteis rotulados como “orgânicos” ou “feitos com orgânicos” sob o GOTS». Contudo, a Cotonea afirma que embora monitorize rigorosamente o cumprimento de todos os critérios orgânicos, o GOTS não estipula quaisquer testes para detetar OGMs. A marca está agora a exigir que o GOTS investigue «imediatamente e de forma consciente» as acusações que estão a ser feitas, acrescentando que «a reputação de toda a indústria têxtil está em jogo».

2Uniqlo recupera consumidores

A redução de preços e o lançamento de novos produtos permitiram à Uniqlo recuperar o tráfego nas suas lojas japonesas, depois de quatro anos em queda. A Fast Retailing, que detém a marca, revelou que o número de clientes nas lojas abertas há pelo menos um ano no Japão subiu 2,9% no ano terminado a 31 de agosto, enquanto o valor gasto por cliente baixou 1,8%. Contudo, as vendas no geral subiram 1,1%, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento. O aumento dos preços em 2014 e 2015 levou o número de clientes a diminuir, por isso a Fast Retailing baixou os preços em alguns produtos em fevereiro de 2016, ajudando a retalhista a reconquistar os consumidores, com os números a atingirem o valor mais baixo em maio desse ano, de acordo com o The Nikkei. Além da redução de preços, alguns produtos novos registaram fortes vendas, incluindo os soutiens sem aro, lançados em fevereiro de 2016, e as calças casuais desenvolvidas em colaboração com um jogador profissional de golfe e a produtora têxtil Toray Industries. A Fast Retailing quer atingir, a médio prazo, vendas consolidadas de 3 biliões de ienes (cerca de 23 mil milhões de euros) a médio prazo, 70% mais do que no ano fiscal de 2016. Aumentar o tráfego nas lojas e o valor por consumidor será essencial para atingir esse objetivo, acredita a retalhista japonesa.

3Nike abre as portas ao design colaborativo

Em breve, os consumidores vão poder desenhar os seus próprios ténis Nike e recebê-los em 90 minutos, graças ao Nike By You Studio, que irá abrir a 16 de setembro no SoHo, em Nova Iorque. O serviço estará disponível para uma lista exclusiva de convidados da Nike+ e com uma visita ao estúdio poderão criar a sua própria versão dos Nike Prest X, um novo modelo criado especialmente para esta experiência de design. Depois de escolher entre uma versão clássica com cordões ou uma sem cordões, os consumidores podem customizar o modelo com diferentes opções de cor e padrões. «O objetivo do projeto é dar vida à experiência de design colaborativo que oferecemos aos nossos atletas», explicou Mark Smith, vice-presidente de inovação e projetos especiais. «Eles adoram produtos que contam a sua história, por isso quisemos combinar a ideia com um novo processo de design e produção em tempo real que permite que os nossos convidados venham ao espaço, trabalhem em colaboração connosco e saiam com um produto especial em menos de 90 minutos», resumiu.

4Vietname explora negócios na Arménia

O grupo vietnamita de têxteis e vestuário Vinatex revelou que está a considerar usar empresas arménias com redes de distribuição na União Europeia e na Rússia para oportunidades de produção. Numa reunião no final de agosto, o governo arménio manifestou a vontade de cooperar com «uma unidade grande com vasta experiência de gestão de produção como o Vinatex» para acelerar o crescimento das suas exportações têxteis. A indústria têxtil e vestuário da Arménia inclui 94 empresas. De acordo com o Vinatex, o sector exportou 50 milhões de dólares (aproximadamente 41,8 milhões de euros) em 2014 e importou 170 milhões de euros. Alguns dos seus clientes incluem grandes marcas de moda italianas, como a La Perla e a Montcler. O Vinatex adiantou, contudo, que o desafio é que a indústria têxtil da Arménia está «ultrapassada», tendo falta de tecnologia moderna e uma «fraca gestão de produção e formação», assim como más redes de distribuição. O grupo indicou que vai começar por tentar investir em maquinaria e gestão de produção. O porta-voz do governo arménio acrescentou que o país pretende encorajar o investimento estrangeiro de investidores vietnamitas e irá pôr em prática «mecanismos especiais», incluindo políticas de cooperação e acordos, assim como regimes especiais e aprovações especiais de vistos.

5Género neutro na John Lewis gera polémica

Os grandes armazéns britânicos John Lewis estão surpreendidos com a reação que teve a sua decisão de avançar com “género neutro” no vestuário para menino e menina. Várias notícias deram conta das iniciativas da retalhista para acabar com os rótulos de género nas suas linhas de vestuário de criança, com algumas a afirmarem ser uma atitude pioneira no Reino Unido. Um artigo publicado no The Independent na passada segunda-feira, 4 de setembro, dava conta de que «um exército de utilizadores do Twitter zangados» condenava a retalhista, citando tweets em que pais «expressavam o seu horror perante a ideia de vestir os seus filhos com vestuário de género neutro». Um porta-voz da John Lewis afirmou ao just-style.com que a retalhista está surpreendida com as reações a estas mudanças, uma vez que as mesmas foram introduzidas já há um ano, sublinhando ainda que não afirma ser pioneira nesta área. «No início de 2016 introduzimos etiquetas sem especificar o género na nossa marca própria de vestuário de criança» e isso foi seguido pela eliminação de sinalética “menino” e “menina” nas nossas lojas, que foi substituída por crianças a vestirem a roupa», explicou a John Lewis. «Nas nossas lojas, o vestuário para rapaz e rapariga ainda está posicionado da mesma forma que sempre esteve e os consumidores online podem fazer a pesquisa por “menino” ou “menina” se quiserem», acrescentou. A retalhista adianta que continua a vender uma grande variedade de vestuário de criança, incluindo peças tradicionais para rapaz e rapariga e afirma não ter efetuado mudanças no seu website mas que continua a rever a forma como apresenta os produtos online para tornar a pesquisa o mais fácil possível. «Queremos dar uma maior escolha e variedade aos nossos consumidores, para que os pais ou crianças possam escolher o que querem vestir», conclui.

6Moda de outono alimenta retalho britânico

As compras para o regresso às aulas e a introdução das coleções de outono contribuíram para o crescimento de 1,3% das vendas comparáveis no retalho britânico em agosto, face à queda de 0,9% registada no mesmo mês do ano passado, segundo os dados do British Retail Consortium (BRC) e da KPMG. As vendas totais também aumentaram (+2,4%) no mês passado, em comparação com um declínio de 0,3% em agosto de 2016, altura em que os retalhistas foram afetados pelo voto no Brexit. As vendas de bens não-alimentares subiram 0,6% em agosto, enquanto os produtos alimentares registaram um crescimento de 1,8% das vendas, ajudado pela inflação. Nos pagamentos com cartão bancário, o Barclaycard revela que o consumo de vestuário subiu 3% em termos anuais em agosto, apesar de um abrandamento generalizado nas vendas, com o crescimento a ficar nos 2,9%, abaixo da média de 2017 de 3,8%. «Agosto trouxe uma bem-vinda recuperação nas vendas a retalho em todos os canais, com os bens não-alimentares a regressarem ao crescimento, à medida que a atenção dos consumidores se voltou para os artigos para a casa, vestuário de outono e o novo ano letivo», confirmou a diretora-executiva do BRC, Helen Dickinson, deixando, contudo, o alerta de que o futuro para os retalhistas poderá ser difícil se os consumidores apertarem o cinto. «Estes números contam uma história menos positiva sobre o consumo do que parece à primeira vista. As vendas de produtos não-alimentares apenas recuperaram para os níveis registados há dois anos, depois de um mau agosto de 2016», frisou.