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  1. Colômbia perde na OMC
  2. Falso bambu dá multa nos EUA
  3. Lucros do Arcadia em ascensão
  4. Consumidores querem histórias
  5. Vestuário soma e segue no Reino Unido
  6. Adidas prepara-se para aumento dos custos

1Colômbia perde na OMC

Um painel de disputa na Organização Mundial de Comércio (OMC) decidiu contra a Colômbia em relação a uma taxa imposta sobre a importação de têxteis, vestuário e calçado. Num caso levantado pelo Panamá há dois anos, a taxa composta de importação foi considerada injustificada e incompatível com as obrigações da Colômbia no âmbito da OMC. O Panamá alegou que a taxa, que consistia numa taxa fixa de 10% e uma taxa variável, violava o máximo permitido de 35% a 40% sobre esses produtos. Em resposta, a Colômbia argumentou que necessitava de impor esta taxa porque as importações constituíam «comércio ilícito» uma vez que eram produtos importados «a preços artificialmente baixos» para fazer lavagem de dinheiro. Na decisão, o painel da OMC sublinhou que a taxa composta foi aplicada pela Colômbia a todas as importações dos produtos em causa, sem distinção de que importações constituem comércio «lícito» ou «ilícito» ou quais estão a ser usadas para lavagem de dinheiro. Também concluiu que o país não conseguiu demonstrar que a taxa foi pensada ou necessária para lutar contra a lavagem de dinheiro – e afirmou que este tipo de defesa não pode ser usado para aumentar as taxas acima das já impostas pelo país.

2Falso bambu dá multa nos EUA

Quatro retalhistas americanas, incluindo a JC Penney, a Nordstrom e a especialista em vestuário de outdoor Backcountry.com, foram multadas num total de 1,3 milhões de dólares (1,2 milhões de euros) por rotularem e publicitarem indevidamente têxteis em viscose como sendo de bambu. Segundo as queixas apresentadas pela Comissão Federal de Comércio (FTC na sigla original) e o Departamento de Justiça dos EUA, as quatro empresas violaram a lei ao continuarem a apresentar erradamente os produtos de viscose como bambu apesar de terem recebido cartas de aviso da FTC em 2010. As empresas foram acusadas de violar a legislação relativa a têxteis e de identificarem erradamente o conteúdo de fibras na etiqueta e publicidade, assim como por venderem de forma consciente produtos mal rotulados, apesar de saberem que a prática é ilegal e sujeita a penas civis. A JC penney Company foi multada em 290 mil dólares, a Nordstrom Inc tem de pagar 360 mil dólares, a Bed Bath & Beyond Inc recebeu uma multa de 500 mil dólares e a Backcountry.com terá de desembolsar 150 mil dólares. «É enganador chamar bambu que foi transformado quimicamente em viscose como simplesmente bambu», explica Jessica Rich, diretora do Gabinete de Proteção do Consumidor. «Com os consumidores no meio das suas compras de Natal, é importante para eles saber que os têxteis comercializados como alternativas amigas do ambiente podem não ser tão “verdes” como são levados a crer», acrescenta. A FTC está ainda a enviar cartas a outros retalhistas a pedir para verificarem os inventários e assegurar uma rotulagem e publicidade correta dos produtos têxteis de viscose.

3Lucros do Arcadia em ascensão

O grupo britânico de retalho Arcadia, que detém as marcas Topshop, Dorothy Perkins e Wallis, revelou um aumento no lucro operacional anual para 251,6 milhões de libras (346,6 milhões de euros), em comparação com 238,4 milhões de libras no ano anterior. As vendas totais aumentaram ligeiramente, de 2,03 mil milhões de libras para 2,07 mil milhões de libras, embora as vendas comparáveis tenham caído 0,7%. As vendas através da Internet, contudo, subiram 23,9%. «O número de canais através dos quais os consumidores escolhem fazer compras e envolver-se connosco continua a evoluir, aumentando assim a complexidade das nossas operações. Daí a continuação do investimento no negócio, à medida que a nossa necessidade de eficiência e rapidez no mercado domina», afirma o proprietário do grupo, Philip Green. O Arcadia abriu cinco novas lojas Topshop/Topman nos EUA durante o ano fiscal, elevando o total para nove. Foram ainda inaugurados cerca de 34 pontos de venda franchisados no estrangeiro. «A gestão rigorosa de stocks continua a ser uma prioridade para o grupo, juntamente com uma cadeia de aprovisionamento eficaz e bem auditada», realça Green. «Continuamos empenhados em entregar gamas de produto relevantes, excitantes e com bons preços – dando ao consumidor novidades de produto e de conteúdo digital constante», sublinha. Nas primeiras 10 semanas do atual ano fiscal, as vendas comparáveis, incluindo IVA, desceram 2,3% em comparação com o ano passado.

4Consumidores querem histórias

A moda e o conforto, a juntar a um preço razoável, já não são suficientes para promover as vendas – os consumidores exigem, cada vez mais, saber a história do produto. A conclusão foi retirada durante a terceira sessão aberta da 74.ª Reunião Plenária do International Cotton Advisory Committee (Icac), que teve lugar em Bombaim, na Índia, na semana passada. «Os nossos consumidores gostam de tudo no algodão. Contudo, as suas preocupações com a sustentabilidade não vão desaparecer. As pessoas querem saber a história por detrás dos produtos que compram: de que são feitos, de onde vêm e que impacto têm no ambiente», sublinhou Pascal Brun, diretor de cadeia de aprovisionamento da H&M. Pramod Singh, responsável de algodão na Ikea, concordou. «Ser capaz de falar sobre sustentabilidade não é suficiente para ganhar consumidores, mas não ser capaz de o fazer é suficiente para os perder», afirmou. Os oradores advertiram que, em última análise, todos os intervenientes na cadeia de valor do algodão têm um papel a cumprir no que diz respeito a uma maior transparência e rastreabilidade. Contudo, o foco não deve ser 100% interno porque convidar o consumidor final para ser um participante ativo no processo pode trazer grandes dividendos a longo prazo. «A indústria de algodão tem de aproveitar a fome de conhecimento dos consumidores ao envolvê-los no movimento de sustentabilidade, considera Pascal Brun. «Por exemplo, educar os consumidores sobre os benefícios de reciclar o seu vestuário e têxteis não é apenas benéfico para o ambiente, faz com que as pessoas se sintam bem quando compram produtos feitos de algodão», acrescentou.

5Vestuário soma e segue no Reino Unido

O crescimento das vendas nos retalhistas de vestuário continuou no ano até novembro, mas a um ritmo mais baixo do que no mês anterior, enquanto as cadeias de calçado e artigos em couro registaram uma aceleração no aumento dos volumes de vendas. O mais recente estudo trimestral Distributive Trades Survey da Confederation of British Industry (CBI) registou um aumento das vendas nos retalhistas de vestuário, com um saldo de 21% a darem conta de um crescimento anual, em comparação com 36% no mês passado. O crescimento no sector de calçado e artigos em pele continuou a acelerar, com um saldo de 53% a registar ganhos, em comparação com 45% em outubro. Os volumes de vendas para o sector de retalho como um todo aumentaram, com 38% dos inquiridos a dar conta de uma subida em comparação com o ano passado, enquanto 31% afirmou ter diminuído, dando um saldo positivo de 7%. Isto representa um abrandamento no crescimento face ao mês anterior (+19%) e ficou abaixo das expectativas (+24%). O crescimento deverá recuperar no próximo mês (+31%), com 48% dos inquiridos a esperar um aumento das vendas e 17% a antecipar uma quebra. O volume de vendas pela Internet aumentou a um ritmo constante no ano até novembro (+35%), com o crescimento a dever aumentar em dezembro (+51%). «Depois de um forte início de ano, os retalhistas estarão naturalmente desapontados pelo inesperado abrandamento no crescimento das vendas em novembro, que pode estar relacionado com as temperaturas amenas no início do outono», considera Rain Newton-Smith, diretora de economia da CBI. «No entanto, é encorajador que os retalhistas tenham aumentado o emprego e esperamos que essa tendência continue. As condições da high street continuam concorrenciais, com muitos sectores ainda a reduzir preços para atrair consumidores, mas as melhorias atuais nos salários em combinação com uma inflação baixa devem continuar a apoiar o consumo os agregados familiares», acredita.

6Adidas prepara-se para aumento dos custos

O grupo Adidas advertiu para um aumento «significativo» dos custos de sourcing nos próximos cinco anos devido a preços mais elevados com a mão de obra e com as matérias-primas, mas acredita que pode mitigar estas contrariedades através de uma maior eficiência na cadeia de aprovisionamento, aumento de preços e poupança de custos. Entre as ações delineadas, anunciadas num evento para os investidores, a Adidas indicou que está a planear uma «redução agressiva das operações» de produção de vestuário na China, mantendo as suas principais plataformas de sourcing no Camboja, Vietname e Indonésia. A empresa, que aprovisiona a maior parte dos seus produtos em mais de 30 países, afirmou que os atuais aumentos de dois dígitos nos custos laborais na maior parte dos mercados emergentes, juntamente com custos mais elevados de matérias-primas como algodão, poliamida e acetato de vinil etileno (EVA), estão a pressionar os custos de produção para o futuro. Em combinação com efeitos cambiais, as margens brutas deverão cair 50 a 100 pontos base. Para contrabalançar isso, a Adidas revelou que vai continuar a trabalhar para «melhorar as suas eficiências de produção». O grupo alemão espera ainda compensar a maioria dos efeitos negativos com aumentos de preço em várias regiões, crescimento em mercados com margens mais altas e uma mistura mais favorável de categorias, produtos e canais. «Estamos bem preparados para lidar com a pressão de custos que toda a indústria irá enfrentar no próximo ano», acredita o diretor financeiro Robin Stalker. «Por um lado, as nossas marcas e produtos estão a ter um forte dinamismo. Por outro lado, estamos a otimizar os nossos processos em todo o grupo, juntamente com a nossa cadeia de aprovisionamento, para gerar mais ganhos de eficiência. Por isso, temos todas as alavancas na mão que nos vão permitir manter o caminho de crescimento em 2016 e além», sublinha. Para apoiar os seus planos de cortar os custos do trabalho e aumentar a produção e a flexibilidade, a empresa revelou que a sua primeira “Speedfactory” na Alemanha vai abrir no próximo ano, utilizando tecnologia robótica para fazer os primeiros 500 pares de ténis de corrida (ver Calçado nas mãos de robots).