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  1. Ásia campeã nos abusos às trabalhadoras
  2. O couro que brilha no escuro
  3. Novo TPP assinado em março
  4. Tod’s lança projeto Factory
  5. Têxtil polui, dizem millennials
  6. Néon está em alta

1Ásia campeã nos abusos às trabalhadoras

Salários baixos, maus tratos, assédio sexual. A força de trabalho asiática, que produz muito do vestuário mundial trabalha muitas vezes em condições sub-humanas, sem acesso a serviços básicos e com vencimentos que não chegam para viver. Um relatório publicado recentemente, da responsabilidade da campanha de transparência Fashion Revolution e da Fundação C&A, ligada ao universo da cadeia de lojas com o mesmo nome e em parceria com a Fundação Thomson Reuters, deu conta do dia-a-dia de várias funcionárias asiáticas, que é a maioria da força de trabalho desta área. O documento, que estudou ao longo de um ano mais de 500 trabalhadores do Camboja, Índia e Bangladesh, descobriu que as mulheres trabalham horas extra frequentemente e mesmo assim recorrem a empréstimos para conseguir pagar as contas. «Se comêssemos muito, o dinheiro não chegava», afirmou Chenda, uma cambojana que trabalha na indústria, num país em que a maioria das trabalhadoras está na casa dos 20, é casada, tem uma educação básica e ganha 45 dólares por uma semana de 48 horas de trabalho. Este relatório aparece numa altura em que os fabricantes estão debaixo de fogo devido ao acidente no Rana Plaza, que se desmoronou no Bangladesh e matou mais de 1.300 pessoas em várias fábricas. Entre os países analisados, o documento concluiu que na as melhores condições estão na Índia e os salários mais baixos no Bangladesh.

2O couro que brilha no escuro

A empresa britânica Evolution Leather criou um couro que brilha no escuro, chamado GloTech Leather, que, segundo os responsáveis da organização, combina um acabamento de alta qualidade com propriedades sustentáveis, incluindo uma redução do consumo de eletricidade. O material brilha no escuro depois de exposto a uma luz natural ou artificial, continuando a armazenar energia enquanto está a ser “carregado”. Quando retirado do alcance da fonte de luz, o couro começa a brilhar imediatamente e mantém-se durante horas. Evrim Kadioglu, diretor da Evolution Leather Consulting garante que esta característica dura 40 anos, o que «assenta que nem uma luva num material resistente como o couro, que é fabricado para durar muito tempo». A chave para o sucesso da ideia, explicou Kadioglu, foi encontrar a fórmula química perfeita para o pigmento foto luminescente usado no processo. As peças podem ser de várias cores e, mesmo assim, o material continua a brilhar no escuro, acrescentou o diretor. Este couro luminescente pode ser aplicado tanto à moda como ao calçado, sector automóvel, acessórios, design de interiores e produtos para a casa.

3Novo TPP assinado em março

A versão final do Acordo Transpacífico de Cooperação Económica (TPP), que fez correr muita tinta no ano passado quando Donald Trump retirou os EUA do grupo das negociações, foi anunciada no final deste mês de fevereiro depois de várias alterações. Segundo a Reuters, mais de 20 pontos foram suspensos ou alterados no documento final, a tempo da assinatura do pacto em março, incluindo regras sobre propriedade intelectual originalmente incluídas a pedido de Washington. A versão original do TPP ficou em standby no ano passado, quando os EUA se retiraram com o objetivo de dar prioridade à proteção de empregos americanos. Os 11 países que ficaram, liderados pelo Japão, resolveram ressuscitar o acordo em janeiro e deverão assiná-lo a 8 de março, no Chile, tendo mudado o nome para Comprehensive and Progressive Agreement for Trans-Pacific Partnership (CPTPP). Entre as medidas mais importantes a aplicar está a redução de tarifas em economias que representam 13% do total do PIB mundial, mas que caso os EUA tivessem permanecido, atingiriam os 40%. Entre as medidas que saíram do acordo original consta uma maior proteção intelectual dos medicamentos, exigida por Washington, mas que os restantes países receavam ser indutora de aumentos nos preços. O novo CPTPP pretende ser um “antídoto” contra os ímpetos protecionistas dos EUA. Mais recentemente, Trump deixou em aberto um regresso ao pacto, mas o primeiro-ministro da Nova Zelândia, David Parker, disse que era «muito improvável que tal acontecesse». O acordo deverá entrar em vigor entre o final de 2018 e a primeira metade de 2019.

4Tod’s lança projeto Factory

O grupo de luxo italiano Tod’s resolveu avançar com várias coleções por ano para melhor chegar aos consumidores, segundo adiantou o presidente da empresa, Diego Della Valle, numa altura em que várias marcas estão a alterar as suas estratégias para se adaptarem ao atual ritmo do mercado. O projeto, denominado Factory, numa homenagem ao estúdio nova-iorquino de Andy Warhol nos anos 60, iniciou-se há sete meses com o objetivo de apresentar mais coleções durante o ano, assim como coleções únicas e limitadas criadas por diferentes designers. A marca não revelou, no entanto, se iria abandonar de vez os desfiles de moda. «O modelo de negócios mudou, é tudo mais rápido, ainda que de uma certa forma, mais controlável», salientou Della Valle. O presidente da Tod’s explicou que não era possível «dar notícias apenas de seis em seis meses», com duas coleções por ano, além de que é necessário trabalhar as redes sociais em conjunto com produtos de luxo. A empresa registou uma redução de 3,1% nas receitas em 2017, uma tendência contrária a casas rivais como a LVMH. A marca, conhecida pelos seus mocassins Gommino, irá concentrar-se mais em linhas clássicas de vestuário e acessórios.

5Têxtil polui, dizem millennials

Os millennials encaram a indústria têxtil como sendo uma grande poluidora a nível mundial, de acordo com um estudo da organização Oeko-Tex. O relatório, resultante de um inquérito a mais de 11.000 pessoas, revela que esta geração está muito mais informada das falhas ambientais da indústria do que as anteriores e preocupa-se com as substâncias perigosas no vestuário e nos têxteis-lar. A organização concluiu ainda que quando os inquiridos são pais, as preocupações aumentam perante estes produtos, face aos que não têm filhos. Além disso, o conhecimento e a compra de têxteis mais amigos do ambiente é maior do que no caso dos millennials que não são pais. Paralelamente, estes consumidores procuram roupa certificada, sendo que as marcas e as entidades que atribuem estas certificações têm um papel importante em comunicar a informação que os ajude a tomar decisões assertivas quando querem efetuar uma compra. Os resultados mostraram também que as alterações climáticas são uma preocupação maior para os quem compra roupa do que era sugerido em relatórios anteriores, surgindo em terceiro lugar numa lista de 16 pontos. Os inquéritos foram realizados na segunda metade de 2017 aos dois grupos mais importantes de consumidores, os millennials e quem tem filhos, e que irão influenciar decisivamente os mercados têxteis nas próximas décadas.

6Néon está em alta

O cabelo néon parece ter tomado de assalto os desfiles de moda da estação outono-inverno 2018/2019. De Nova Iorque a Londres, nos desfiles assiste-se ao regresso desta tendência, com cortes ousados e maquilhagem colorida. O primeiro a avançar com esta tendência foi Jeremy Scott, que, no desfile em Nova Iorque, colocou as modelos Gigi Hadid, Stella Maxwell e Jasmine Tookes com perucas cor de lavanda, azul, laranja e rosa e maquilhagem em tons néon. Dias depois, Marc Jacobs organizou um espetáculo inspirado nos anos 80 com cortes geométricos e apontamentos de cores brilhantes, em tons de vermelho, azul e verde. Mais recentemente, na London Fashion Week, a marca Nicopanda trouxe à passerelle cabelos cor de lima, rosa choque e lavanda. Óculos de sol coloridos e batons a condizer completavam o look. Esperam-se mais novidades em futuros desfiles de moda.