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Breves

  1. Falso pedido de ajuda na Primark
  2. ChAFTA efetivo 10 anos depois
  3. Nike de vento em popa
  4. ITV sul-africana dá emprego
  5. A revolução da membrana GoreTex
  6. Vestuário acelera e calçado abranda

1Falso pedido de ajuda na Primark

A retalhista irlandesa garante que a nota que denunciava «abuso físico e psicológico» numa peça de roupa da marca, e supostamente escrita por um trabalhador, não passa de um embuste. A missiva encontrada na loja Primark de Newcastle, Inglaterra, em mandarim, terá sido escrito por um homem detido no centro prisional de Lingbi County, na província de Anhui. Na carta encontrada num par de meias pretas, o homem explica que foi feito prisioneiro depois ter sido acusado falsamente por «fraude e chantagem», pelo que a marca considera que o seu nome terá sido usado unicamente para angariar publicidade para a causa daquele individuo. «O meu corpo e a minha mente têm sido submetidos a tortura e danos extremos», continua o bilhete, pedindo a quem o leia que o passe ao presidente Xi Jinping, ao primeiro-ministro Li Keqiang ou que o «exponha» através dos media. Entretanto, um porta-voz da Primark advogou que «não foi encontrada nenhuma ligação entre essa pessoa e qualquer uma das fábricas dos nossos fornecedores na China», acrescentando que a Primark considera «provável que a nota tenha sido adicionada depois da produção». Na semana passada, uma outra cliente da Primark partilhou na rede social Instagram que o seu pai teria encontrado um bilhete semelhante de um prisioneiro chinês de 39 anos chamado Ting Kun Ding, também num par de meias, na loja da retalhista em Huddersfield, Inglaterra. Estes acontecimentos voltaram a centrar as atenções na retalhista de fast fashion, que no ano passado já havia sido notícia por motivos semelhantes, quando alegados trabalhadores denunciaram as más condições de trabalho vigentes nas fábricas onde a Primark se aprovisiona.

2ChAFTA efetivo 10 anos depois

A China­ e a Austrália colocaram finalmente o acordo bilateral de comércio livre em andamento, uma década depois do arranque das negociações. O ChAFTA (China­ Australia Free Trade Agreement), assinado em Camberra, Austrália, em junho, começou a surtir efeito na semana passada e prevê um conjunto de vantagens competitivas para exportadores e investidores dos dois países. Para a Austrália, desbloqueia oportunidades significativas na China, o seu maior mercado exportador para bens e serviços, que representa quase um terço do total das exportações, e uma fonte crescente de investimento estrangeiro. Inicialmente, o acordo permitirá que cerca de 65 mil milhões de dólares (aproximadamente 59 mil milhões de euros) do valor das exportações australianas sejam expedidas para a China, representando mais de 86% do total das suas exportações. Com o acordo concluído em quatro anos, cerca de 96% dos produtos australianos poderão entrar livremente em território chinês, sendo que 100% das exportações chinesas para a Austrália vão beneficiar do fim das taxas aduaneiras. Atualmente, a China aplica taxas até 47% nalguns dos produtos fabricados na Austrália, incluindo vestuário. Por outro lado, a Austrália comprometeu-se a eliminar as suas taxas sobre as importações provenientes da China e vai abolir gradualmente a taxa de 5% sobre o vestuário e calçado, entre outros sectores, no prazo de dois a quatro anos, «para permitir que a indústria se adapte». Em particular, o ChAFTA significa que a China terá fácil acesso à lã australiana, enquanto a Austrália receberá têxteis e vestuário chineses a preços mais baixos. O ministro do Comércio e do Investimento da Austrália, Andrew Robb, explicou que os consumidores irão beneficiar de produtos chineses a preços mais acessíveis, como roupas, eletrodomésticos e outros artigos, com a eliminação das taxas. «Este acordo histórico com o nosso maior parceiro comercial vai fomentar o crescimento económico futuro, criar emprego e qualidade de vida através do aumento de bens e serviços e do investimento. A China, com uma população de 1,4 mil milhões de pessoas e uma classe média em crescimento, representa consideráveis oportunidades para as empresas australianas», acrescentou. A entrada em vigor do ChAFTA inclui uma carteira de acordos comerciais selados pela Austrália com três dos seus quatro maiores mercados de exportação – China, Japão e Coreia – em pouco mais de um ano, cobrindo 49% das suas exportações.

3Nike de vento em popa

A marca desportiva Nike viu as suas encomendas futuras crescerem no segundo trimestre graças ao incremento da procura por parte da China e do Japão, assistindo também a um crescimento quer nas receitas, quer nas vendas. O lucro líquido nos três meses terminados em novembro cresceu 20%, para 785 milhões de dólares (aproximadamente 716 milhões de euros), em comparação com os 655 milhões no mesmo período do ano anterior. As vendas do grupo aumentaram 4%, para os 7,67 mil milhões de dólares, e subiram 12% em moeda neutra. As vendas da marca Nike cresceram 13% para os 7,3 mil milhões de dólares em moeda neutra, impulsionadas pelo crescimento de dois dígitos em cada geografia e na maioria das categorias-chave. As receitas na América do Norte, o maior mercado da Nike, subiram 9% no último trimestre, para 3,55 mil milhões de dólares, enquanto as vendas da China aumentaram 24%, para 938 milhões de dólares, graças às novas lojas e ao tráfego online. As receitas da Europa Ocidental, no entanto, caíram 1%, para 1,3 mil milhões de dólares. As encomendas futuras globais da Nike, com entrega prevista a partir de dezembro e até abril, subiram 20%, excluindo os impactos cambiais. Estas foram lideradas por uma subida de 31% em encomendas futuras da China e um salto de 32% do Japão. «O nosso forte crescimento e lucro no segundo trimestre mostram que a Nike continua a conduzir um importante momentum na categoria – ao aproximar-se do consumidor pelo desporto e ao servi-lo de forma completa», afirmou o CEO Mark Parker. «E o nosso poderoso portfólio global de negócios, combinado com uma forte disciplina financeira, continuará a representar significativo valor para os acionistas. Vemos uma tremenda oportunidade pela frente à medida que entramos num ano de campeonatos olímpicos e europeus, com um ciclo de inovação inspirador para os atletas», acrescentou Parker.

4ITV sul-africana dá emprego

O sindicato dos trabalhadores da indústria têxtil e vestuário da África do Sul (SACTWU, na sigla original) revelou recentemente números otimistas, que mostram um incremento no emprego nos sectores têxtil, vestuário, calçado e couro. De acordo com os dados estatísticos do Quarterly Employment Survey (QES), o emprego situou-se em pouco acima dos 90.100 trabalhadores nos três meses terminados em setembro. Ao longo dos últimos 12 meses, o emprego na indústria aumentou 1,8%, números estes que terão sido impulsionados pelo crescimento no sector têxtil (1197 novos postos de trabalho), no sector do vestuário (676 novos postos de trabalho) e no sector de couro (268 novos postos de trabalho). Os números do emprego para o terceiro trimestre são os mais altos dos últimos 30 meses, revelou o SACTWU, com números relativos ao emprego em março do ano passado um pouco acima dos 87.300 trabalhadores. «Apesar de os recentes aumentos no emprego continuarem pequenos, estão em contraste com os acentuados níveis de desemprego que dizimaram a indústria há mais de duas décadas», afirmou o sindicato. «Também é favorável se comparado com as fortunas em declínio da indústria como um todo, onde o emprego diminuiu 0,3% em relação ao mesmo período recente de 12 meses. Isso reforça a opinião do SACTWU de que indústria têxtil, vestuário, calçado e couro está a entrar num novo período de maior estabilidade e, espera-se, de níveis mais elevados de crescimento», acrescentou. Grande parte dos números positivos do emprego são resultado de um forte apoio à indústria por parte do governo sul-africano, encetado desde 2009, juntamente com a campanha «agressiva» “Save Jobs”, promovida pelo sindicato para salvar os postos de trabalho, revelou o SACTWU, que destacou ainda que «este é o segundo trimestre consecutivo em que o emprego na nossa indústria tem crescido, na sequência do aumento de 3% registado no trimestre anterior».

5A revolução da membrana GoreTex

A empresa norte-americana WL Gore & Associates, especialista em tecnologia de tecidos outdoor, apresentou recentemente uma tecnologia “revolucionária” para obter o mais leve e respirável produto da gama GoreTex. Desenhados para atividades como corridas de montanha ou ciclismo de estrada, os novos produtos GoreTex, desenvolvidos com uma superfície impermeável são os mais leves e mais respiráveis apresentados pela empresa até à data. A peça é à prova de água e vento, devido à membrana GoreTex, e tem reduzido volume. «Projetamos esta tecnologia para utilizadores que praticam ciclismo, corrida, montanhismo e trail, uma vez que recebemos feedback de praticantes dessas atividades para melhorar ainda mais o seu conforto», explicou Johannes Ebert, especialista de produtos na Gore. Os novos produtos GoreTex Active já estão disponíveis na Castelli, Gore Bike Wear, Gore Running Wear, Arc’teryx e The North Face.

6Vestuário acelera e calçado abranda

O crescimento das vendas nos retalhistas de vestuário do Reino Unido acelerou no ano terminado em dezembro, enquanto as cadeias do calçado assistiram a uma quebra, de acordo com os números divulgados pela Confederation of British Industry (CBI). De acordo com o relatório da CBI, relativo ao último trimestre, o volume de vendas nos retalhistas de vestuário cresceu 21% no mês anterior. Não obstante, o sector do calçado e do couro sofreu uma quebra nas vendas, com um declínio de 93% de declínios, contra os ganhos de 53% no ano terminado a novembro. O volume de vendas para o sector do retalho como um todo cresceu, com 43% dos retalhistas inquiridos a referirem que cresceram no ano passado, enquanto 24% afirmaram ter caído, num balanço positivo de 19%. Isto representa um aumento em relação ao mês anterior (+7%), mas abaixo das expectativas (+31%). O crescimento deverá subir no ano terminado a janeiro, com 22% dos inquiridos a preverem um aumento das vendas e 14% a anteverem um declínio, num saldo positivo de 9%, mas o mais baixo desde maio de 2012 (­+6%). A par da Black Friday, o volume de vendas na Internet aumentou ao seu ritmo mais rápido desde abril, com um saldo positivo de 55%, sendo que se espera que o ritmo de crescimento se mantenha globalmente estável em janeiro. Rain Newton­Smith, diretor de economia da CBI, acredita que a recuperação das vendas não seja surpreendente nos últimos dias de compras desta quadra. «Seria ideal se a indústria pudesse manter esse momento até ao Ano Novo, mas os retalhistas sabem que 2015 foi difícil e esperam que 2016 comece em iguais termos», revelou Newton­Smit. «Ainda assim, os retalhistas estão a ajudar a que os consumidores gastem mais e os preços mais baixos deverão dar um incremento adicional aos gastos dos consumidores durante o Ano Novo», concluiu.