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  1. Sourcing de algodão sob ameaça
  2. H&M lança holograma para vendas online
  3. Ética nas marcas é um desafio
  4. Adidas desloca produção da China para o Vietname
  5. Geração Z adora lojas físicas, como todas
  6. Ombros largos? Sim… e não

1Sourcing de algodão sob ameaça

A terceira época consecutiva de crescimento na procura de algodão, em conjunto com um declínio na produção mundial e com más condições meteorológicas tanto na China como nos EUA estão a adicionar preocupações e incertezas no mercado desta matéria-prima. No período 2017/2018, a produção de algodão está estimada em 26,6 milhões de toneladas, para um uso mundial de 25,5 milhões de toneladas. Por consequência, os stocks irão descer para 18,3 milhões de toneladas, ou seja, a quarta época consecutiva de redução de reservas globais, de acordo com a ICAC (International Cotton Advisory Council). A queda ocorre dentro do mercado chinês, com stocks de apenas 8 milhões de toneladas, associados a problemas com o tempo na região de Xinjiang, que pesa 75% nesta área de cultivo daquele país asiático. Nos EUA, uma seca potencial no Texas poderá afetar 25% da colheita. Por isso, a ICAC está preocupada com falhas de qualidade no aproviionamento de algodão para o próximo ano. As previsões apontam para um aumento do consumo para 26,7 milhões de toneladas, face a uma produção de 25,7 milhões de toneladas.

2H&M lança holograma para vendas online

A retalhista fechou uma parceria com a empresa de software HoloMe para o desenvolvimento de hologramas humanos, que permitirão aos compradores online ver roupas da sua marca Monki em 3D, usando um aparelho smart. Segundo a cadeia sueca, com esta tecnologia, os clientes serão capazes de monitorizar as peças em grande detalhe e experimentar os hologramas como se estivessem presentes no local. Paralelamente, a H&M está a trabalhar com a Google naquilo que diz ser uma das primeiras aplicações de voz para o segmento da moda. Em causa está a H&M Home Stylist, uma aplicação de voz do Google Assistant, que ajuda com sugestões de personal styling.

3Ética nas marcas é um desafio

Os consumidores exigem que as marcas tenham atitudes éticas, mas nem sempre o alinhamento com uma causa dá bons resultados. Um trabalho de investigação da MediaCom deu conta de alguns desafios, com o exemplo de uma campanha da MasterCard, para doar 10 mil refeições a crianças com fome sempre que Lionel Messi e Neymar Jr marcassem um golo até março de 2020. A ideia deu polémica no Twitter, com os utilizadores daquela rede social a sugerirem que a empresa entregasse o dinheiro na mesma, independentemente dos golos marcados. A MasterCard acabou por cancelar a iniciativa, afirmando que será entregue mais um milhão de refeições este ano, sem nenhuma condição. O mesmo trabalho da MediaCom indica que, enquanto o preço e qualidade se mantinham como prioridades no momento de efetuar uma compra, a ética da marca estava também a subir em termos de importância. Mais de 80% dos consumidores acreditam que as empresas devem prestar contas pelo seu impacto ambiental, 67% estão preparados para pagar mais por produtos amigos do ambiente e 60% afirmam que gastariam mais dinheiro em marcas que contribuem para a comunidade local.

4Adidas desloca produção da China para o Vietname

Kasper Rorsted, CEO da Adidas, prevê uma mudança no aprovisionamento de calçado da China para o Vietname, embora tenha desconsiderado as preocupações sobre uma potencial imposição de tarifas norte-americanas sobre o calçado fabricado na China. As fábricas no Vietname aumentaram de 31% em 2012 para 44% em 2017 (31% em 2012) em termos de volume de calçado da Adidas, enquanto os fornecedores chineses desceram de mais de 30% em 2012 para 19%, revelou Rorsted numa reunião anual de acionistas no passado mês de maio. «Não vou descartar que esta tendência continue» afirmou, acrescentando que «a China ainda é um importante mercado de compras, independentemente das taxas comerciais». O CEO da Adidas reconheceu que ainda havia muita incerteza sobre os sectores que poderão sofrer novas tarifas por parte dos EUA. «Podemos ser atingidos por taxas de importação, mas estas também se aplicarão aos nossos concorrentes», sublinhou. A rival alemã Puma, que produz cerca de um terço de seus produtos na China, anunciou m abril último estar a trabalhar em planos de contingência para transferir parte da produção da China para outros mercados asiáticos se as tarifas dos EUA avançarem.

5Geração Z adora lojas físicas, como todas

É corrente ouvir-se que a presença da geração Z é forte nas lojas físicas, mas não estão sozinhos e vale a pena lembrar que estas continuam sendo o maior canal do retalho e assim deverão continuar para clientes de todas as idades. Os consumidores, desde os adolescentes aos reformados, estão a exigir cada vez mais experiências e entretenimento, embora não haja como negar que a geração Z está na linha da frente quando se trata de abraçar novas experiências nas velhas lojas físicas. Quem diz isso? O mais recente estudo da PwC, intitulado “Canadian Consumer Insights: Retail Evolution Report”, que conclui que esta geração está a usar a experiência de retalho física para socializar, interagir e divertir-se. Oferecer essas experiências é certamente importante, e ainda mais tendo em conta que o canal online está a crescer rapidamente, ainda que representa somente 8,1% das vendas de retalho no Canadá. A PwC inquiriu 1.000 consumidores de todas as idades e descobriu que eles «continuam a gastar o seu orçamento disponível em lojas físicas, onde podem ter uma experiência pessoal mais envolvente, em comparação com a compra online». Enquanto 58% dos consumidores de todas as faixas etárias preferem gastar em produtos, 42% gosta de despender em experiências, o que significa que os retalhistas precisam de proporcionar mais experiências para atraí-los para suas lojas e fazê-los desembolsar dinheiro também em produtos. Os membros da geração Z que escolhem gastar dinheiro em experiências apontam a convivência com familiares e amigos (71%), eventos (55%) e viagens/férias (51%) como categorias-chave. Os retalhistas podem certamente desempenhar um papel nas duas primeiras experiências e a PwC revela que os compradores da geração Z indicam que, com as lojas que trocam prateleiras de roupa por «espaços de entretenimento divertidos e envolventes», eles continuarão fiéis às suas marcas prediletas, por causa da experiência em loja. «Quanto mais os retalhistas desenvolverem as valências tecnológicas, mais facilmente serão capazes de crescer. Seja através da Inteligência Artificial, análise de dados, economia comportamental ou combinação de muitas destas tecnologias, os retalhistas precisam de compreender os seus clientes, às vezes melhor do que eles próprios, e oferecer-lhes uma experiência que estes desejarão repetir», assegura Sonia Boisvert, partner da PwC Canada.

6Ombros largos? Sim… e não

O recente desfile da coleção resort 2019 da Louis Vuitton mostrou o pouco consenso que existe na moda de uma mesma estação. Os ombros largos foram o fio condutor das novas propostas assinadas por Nicolas Ghesquière. Blusões e tops vieram com igual nível de detalhe, que marcava o ombro como a zona de tendência para a casa francesa. Combinado com minissaias ou calções, o ombro realmente colocou o foco na metade superior do corpo. E a bota pela coxa, como se tratasse de uma meia, e com sola de sapatilha, usada com quase tudo, dava uma amplitude ainda maior ao ombro. Havia uma clara inspiração anos 80, embora seja restritivo dizer que se tratava de uma coleção retro, já que havia muito mais em termos criativos – estampados fortes, denim pintado, decorações com logótipos, uma abordagem especial de camadas sobrepostas, o peculiar calçado meio bota-meio sapatilha e bolsas com desenhos de gatos e cães da autoria de Grace Coddington. Tudo muito diferente do que Maria Grazia Chiuri tinha proposto alguns dias antes em nome da casa Dior. Inspirada por cowboys mexicanas, a coleção pautou-se sobretudo por influências latino-americanos. Mas a silhueta era tipicamente Dior – com destaque dado à metade inferior do corpo, na medida em que as saias de estilo New Look revelaram-se as estrelas do desfile. Combinada com camisas e blusões justos, corpetes e cintos largos de couro, esta coleção assumiu-se claramente mais comercial que a da Louis Vuitton. Já Pierpaolo Piccioli transportou a italiana Valentino para a Roma dos anos 70, com todas as “principessas” e celebridades da Cinecittà. Óculos de sol gigantes, mocassins discretos com meio-salto, lenços estampados, capas e blazers simples, jeans e vestidos boho para programas balneares ou bucólicos. Três visões muito diferentes em praticamente o mesmo número de dias… Quem disse que a moda tinha limites?