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  1. Chanel fatura 10 milhões de euros em 2017
  2. Algodão indiano atinge pico nas exportações
  3. Microsoft junta-se à M&S para projeto de IA
  4. Lenzing investe no Brasil
  5. Melania Trump envolve Zara em polémica
  6. Robôs que leem mentes já não são ficção

1Chanel fatura 10 milhões de euros em 2017

Pela primeira vez na sua história, a Chanel revelou os resultados do negócio e confirmou que, apesar dos seus mais de 100 anos, continua a aumentar as vendas e os lucros. De acordo com o comunicado, o volume de negócios cresceu 11% em 2017 a câmbios constantes, tendo atingido 9,62 mil milhões de euros. O lucro operacional, por seu lado, aumentou 18,5%, para 1,79 mil milhões de euros. Apesar dos rumores que apontam que a casa de moda francesa poderá estar a preparar-se para uma venda, o diretor financeiro Philippe Blondiaux garantiu que o objetivo deste anúncio é simplesmente mostrar a força da marca, que supera as rivais Louis Vuitton (cujas vendas ultrapassaram os 8 mil milhões de euros em 2017) e a Gucci (vendas anuais de 6,2 mil milhões de euros, com o objetivo de chegar aos 10 mil milhões de euros). «Percebemos que está na altura de colocar os factos na mesa em relação a quem somos exatamente: uma empresa de 10 mil milhões de dólares, com resultados financeiros muito fortes, e com todos os meios e munições ao nosso dispor para continuarmos independentes. Reconhecemos que estamos muitas vezes sujeitos a especulação e que as pessoas não têm os factos, levando à circulação de informação falsa ou ambígua. Estava na altura de deixar a força da nossa folha de balanço falar por si», afirmou Blondiaux em entrevista ao New York Times. Com a divulgação dos resultados, a Chanel afirmou ainda estar otimista em relação a este ano e anunciou uma reorganização interna.

2Algodão indiano atinge pico nas exportações

As exportações de algodão da Índia na época 2017/2018 deverão aumentar quase 30% em comparação com o ano anterior, para um valor máximo em quatro anos, à medida que os preços mundiais e uma rupia mais débil contribuem para aumentar a procura. «Podemos acabar a época com exportações de 7,5 milhões de fardos», afirmou à Reuters Atul Ganatra, presidente da Associação de Algodão da Índia, acrescentando que os preços internacionais mais elevados deverão impulsionar os envios. O país exportou 6,3 milhões de fardos de 1 de outubro até agora, de acordo com os dados do gabinete estatal responsável. A rupia caiu mais de 6% em 2018, tornando o algodão indiano mais barato para os compradores estrangeiros, sublinhou, por seu lado, Nayan Mirani, sócio na principal exportadora de algodão Khimji Visram & Sons. «Há procura de exportação mas o fornecimento de algodão de boa qualidade está limitado à medida que a época se aproxima do fim», ressalvou. O Paquistão, o Bangladesh, a China e o Vietname são os principais países compradores da fibra indiana. O algodão indiano está a ser vendido a 0,84 a 0,86 dólares por libra a compradores no Bangladesh e no Vietname, em comparação com um valor de 0,92 dólares para o algodão dos EUA e Brasil. Ao mesmo tempo, as importações de algodão do país podem descer para 1,2 mil milhões de fardos em 2017/2018, em comparação com 3 milhões de fardos no ano anterior, apontou Atul Ganatra. O país importa habitualmente algodão de fibra longa dos EUA e do Egito. O consumo de algodão da Índia deverá aumentar 5,3% em 2017/2018, para 32,4 milhões de fardos, estima a Associação de Algodão da Índia. O país poderá terminar a época com os stocks abaixo dos 2 milhões de toneladas, o que representa o valor mais baixo em décadas, segundo Ganatra.

3Microsoft junta-se à M&S para projeto de IA

A Microsoft fez um acordo com a Marks & Spencer (M&S) para desenvolver inteligência artificial (IA) para o ponto de venda. Segundo a Reuters, a empresa fundada por Bill Gates estará também a trabalhar em tecnologia que irá permitir acabar com as caixas em lojas físicas. A Microsoft estará a desenvolver o seu próprio sistema para saber o que os consumidores colocam no cesto de compras e depois automaticamente cobrar esses itens quando os clientes saem da loja. A confirmar-se, a Microsoft estaria em concorrência direta com os retalhistas que já estão a fazer isto (como a Amazon Go), assim como com os especialistas em pagamentos que estão a seguir na mesma direção. Em relação ao acordo com a Marks & Spencer, as duas empresas afirmam que a parceria pretende transformar a experiência de retalho através do poder da inteligência artificial. Mas acrescentaram que vão «investigar e testar as capacidades da tecnologia e da inteligência artificial num ambiente de retalho», com os engenheiros de inteligência artificial da Microsoft a trabalharem com a equipa de tecnologia da Marks & Spencer. Por enquanto, contudo, a gigante britânica do retalho afirma que é um passo importante na sua estratégia de transformação “Digital First” (digital primeiro). «A Marks & Spencer está a transformar-se num retalhista Digital First numa altura em que o sector está a passar por uma revolução promovida pelo consumidor. Queremos estar na vanguarda a introduzir valor na experiência do consumidor usando o poder da tecnologia», afirma Steve Rowe, CEO da Marks & Spencer. «Trabalhar em conjunto com a Microsoft para compreender todo o potencial de como a tecnologia e a inteligência artificial pode melhorar a experiência em loja para os nossos consumidores e as eficiências das nossas operações mais vastas pode mudar o jogo para a Marks & Spencer e para o retalho», acrescenta. Já Cindy Rose, CEO da Microsoft UK, sublinha que «acreditamos firmemente que a inteligência artificial tem o poder de amplificar a ingenuidade humana. O sector do retalho é um dos cenários mais desafiantes no Reino Unido atualmente e estamos muito entusiasmados por trabalhar com a Marks & Spencer para explorar como a inteligência artificial pode ajudar uma marca tão icónica a transformar a experiência do consumidor e melhorar as operações no geral».

4Lenzing investe no Brasil

A produtora austríaca de fibras celulósicas Lenzing e a produtora brasileira de painéis de madeira Duratex planeiam construir uma fábrica de dissolução de polpa de madeira, no valor de mil milhões de dólares, no Brasil. A Lenzing, que em 2017 registou um Ebitda de 503 milhões de euros, irá deter 51% da joint-venture com a Duratex, que irá operar a fábrica no estado de Minas Gerais. A decisão de criar uma unidade no Brasil está em linha com a estratégia da Lenzing de expandir a sua presença internacional e ficar mais perto dos locais onde fatura, afirmou o CEO Stefan Doboczky, citado pela Reuters. A Duratex, que contribui com os seus ativos florestais, espera que o projeto reduza a sua exposição ao mercado interno e à construção civil, indica no seu website. O grupo brasileiro registou um volume de negócios de 4 mil milhões de reais (cerca de 908 milhões de euros) em 2017. A conceptualização da nova unidade, com capacidade para processar 450 mil toneladas de polpa de madeira, está concluída e os processos de aprovação deverão começar em breve, anunciou Doboczky. A decisão final do investimento para aquela que será a maior unidade produtiva mundial com uma linha de produção única deverá ser tomada no segundo semestre do próximo ano, com o arranque programado para 2022. O investimento, «acima dos mil milhões de dólares» será dividido de acordo com as quotas de cada empresa na joint-venture, acrescentou o CEO da Lenzing.

5Melania Trump envolve Zara em polémica

A controvérsia causada pelo casaco da Zara da coleção de 2016 usado por Melania Trump na visita aos centros de detenção de imigrantes no Texas apanhou a Inditex de surpresa. A primeira dama americana usou um casaco da retalhista, que já não é vendido há dois anos, com a frase “I really don’t care, do U?” (que pode ser traduzido como “não quero saber, e tu?”). A polémica estalou online e a normalmente discreta retalhista – o seu fundador, Amancio Ortega, raramente apareceu em público enquanto liderou a empresa – foi apanhada. «Melania Trump tem uma enorme abrangência e torna difícil para a Inditex ou a Zara controlar a mensagem e responder a isto», considera Jaime Castello, professor de marketing e vendas na espanhola ESADE. «A Zara e o resto das marcas da Inditex são muito meticulosas e cuidadosas em relação a com quem se associam. Nesta altura, a opção mais segura será deixar passar a controvérsia», acredita o professor. Uma posição que a retalhista espanhola parece estar a tomar, já que uma porta-voz se recusou a comentar o tema para uma reportagem da Bloomberg.

6Robôs que leem mentes já não são ficção

Uma nova investigação do Laboratório de Ciências da Computação e Inteligência Artificial do MIT permite que uma pessoa controle um braço robótico apenas com ondas cerebrais e gestos manuais subtis. A pesquisa, que está a ser apresentada a partir de hoje na conferência Robotics: Science and Systems em Pittsburgh, nos EUA, tem como objetivo criar uma ligação natural entre humanos e máquinas. A ideia é criar uma interface que funcione como uma extensão da vontade de uma pessoa, sem qualquer treino ou aprendizagem de comandos mentais. A diretora do Laboratório de Ciências da Computação e Inteligência Artificial e supervisora do projeto, Daniella Rus, afirma em comunicado que a meta é «afastar-nos de um mundo onde as pessoas se têm de adaptar às restrições das máquinas para desenvolver sistemas robóticos que são uma extensão mais natural e intuitiva». O trabalho combina as ondas cerebrais com a chamada eletromiografia, uma técnica que monitoriza a atividade elétrica do sistema musculoesquelético – neste caso, o braço. Este método híbrido permite que a pessoa comunique com o robô tanto através do pensamento como de gestos, tornando o controlo mais eficiente, passando de uma precisão de 70% (com apenas o controlo por ondas cerebrais) para 97%. De acordo com o colíder do estudo, Joseph DelPreto, é «mais como comunicar com outra pessoa». A equipa demonstrou a investigação através da utilização de um robô humanoide batizado Baxter e produzido pela empresa de Boston Rethink Robotics. A equipa de MIT acredita que um dia este tipo de tecnologia pode ser «útil para os mais velhos ou para trabalhadores com problemas de fala ou mobilidade limitada».