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  1. Produção na Zona Euro surpreende em Agosto
  2. Retalho britânico em apuros
  3. Yoox prepara marca própria com IA
  4. Brasileiros falham na sustentabilidade
  5. Noiva real veste… Peter Pilotto
  6. Substitutos do pelo não convencem

1Produção na Zona Euro surpreende em Agosto

A produção industrial na Zona Euro aumentou mais do que o esperado em agosto, revertendo a tendência negativa dos dois meses anteriores no que pode revelar-se como um impulso para o crescimento económico do bloco económico no terceiro trimestre. O Eurostat, o gabinete de estatística da União Europeia, revelou que a produção da indústria subiu 1% em termos mensais e 0,9% em termos anuais. Ambos os números são uma surpresa positiva, após os economistas consultados pela Reuters anteciparem um aumento de apenas 0,4% em termos mensais e uma queda de 0,2% em termos anuais. O crescimento registado em agosto compensou os declínios sentidos em junho e julho, que reforçaram a ideia de um abrandamento na economia da Zona Euro no terceiro trimestre, afetada por tensões comerciais e uma descida na confiança. A Zona Euro cresceu 0,4% nos primeiros dois trimestres do ano. O crescimento de agosto foi impulsionado por um aumento de 1,9% na produção de energia, com a produção de bens duráveis, como automóveis e frigoríficos, a evidenciarem igualmente um aumento de 1,5%. Mas a produção de bens de consumo, como vestuário, e de bens de capital, como maquinaria, fo a que mais surpreendeu, com um aumento de 1,4%. O crescimento geral surgiu apesar de não ter havido expansão da produção industrial na Alemanha, a maior economia da Zona Euro.

2Retalho britânico em apuros

O retalho no Reino Unido teve o pior registo de sempre desde que a empresa de consultoria BDO começou o High Street Sales Tracker há oito anos. As vendas em lojas físicas caíram em oito dos nove meses até à data, com as vendas comparáveis de moda a verificarem uma quebra de 2,8% no mês passado. No total, em setembro, as vendas em lojas físicas desceram 2,7% em termos anuais, sendo o oitavo mês consecutivo de queda e o 12.º mês desde que o crescimento das vendas subiu mais de 1% para os retalhistas da high street. Os resultados foram parcialmente compensados pelo crescimento das vendas online, que aumentaram 11,6% em termos anuais – ainda assim, o terceiro crescimento mais baixo deste ano e a pior performance no mês de setembro dos últimos oito anos. Sophie Michael, diretora de retalho e vendas por grosso da BDO, afirma que «2018 tem sido um ano incrivelmente difícil para os retalhistas e não há sinais de melhoria. O declínio em curso das vendas de artigos para a casa e de artigos de preço elevado reflete o nervosismo do consumidor britânico, sobretudo com a incerteza sobre o Brexit que ainda persiste. O tráfego na high street tem descido a um ritmo crescente, o que será uma grande preocupação à medida que os retalhistas entram na importante época de Natal. De alguma forma, esse declínio no tráfego tem de ser revertido. A inovação vai ser fundamental para criar uma experiência de compra atrativa e chamar os consumidores de volta às lojas, ao mesmo tempo que mantêm controlo sobre os custos numa altura em que as margens são curtas». A BDO pediu também ao Governo britânico para aliviar alguma pressão sobre a high street, solicitando medidas novas no Orçamento de Estado que será apresentado a 29 de outubro. «Com o Brexit a assombrar, o Governo vai querer esperar e reunir dinheiro para cobrir os custos associados com a nossa saída. Mas o retalho é uma parte extremamente importante da economia britânica e não pode ser ignorado. [O Ministro das Finanças Philip] Hammond tem de avançar e tomar medidas para apoiar a high street», considera Sophie Michael.

3Yoox prepara marca própria com IA

A Yoox está a preparar o lançamento de uma marca própria no futuro próximo, concebida por uma equipa de designers com apoio de análise de dados e inteligência artificial (IA), que irá informar a empresa sobre o que os consumidores estão a comprar e o que querem no seu carrinho de compras. A Yoox revelou os planos desta marca que será «gerada por dados mas desenhada pela nossa equipa criativa». Esta não será a primeira vez que a Yoox se lança nas marcas, tendo já criado a Mr.Porter, ainda antes da fusão que deu origem ao gigante Yoox Net-a-Porter. Federico Marchetti, CEO da Yoox, explicou na conferência Wired Smarter, em Londres, que «não queríamos criar uma coleção que fosse simplesmente desenhada pelos dados, mas ao usar os dados acreditamos que a equipa criativa pode interpretar melhor as necessidades dos nossos consumidores». Para o CEO, o importante é «fazer escolhas para chegarmos ao equilíbrio certo» entre o homem e a máquina, algo que, no caso da Yoox, se traduz numa cadeia de aprovisionamento muito automatizada mas com uma ligação humana no serviço ao cliente, «porque a entrega final deve ser um momento quase infantil de antecipação e alegria», sublinhou Marchetti. O CEO da Yoox prevê um futuro em que as marcas de vestuário como as que ostentam o “made in Italy” vão evoluir, à medida que novos valores emergem. Com a produção a tornar-se cada vez mais automatizada, «o toque humano será a sinal último de uma marca de luxo. Acredito que no futuro vai haver uma etiqueta que irá transmitir qualidade – e essa será “made by Humans”», garantiu.

4Brasileiros falham na sustentabilidade

Os 20 maiores retalhistas de moda do Brasil – onde o trabalho escravo é ainda um grave problema – tiveram má classificação num índice que avalia as suas práticas sociais e ambientais, com quase metade a não revelar qualquer informação. De acordo com o primeiro estudo da Fashion Revolution à indústria têxtil na maior economia da América Latina, os brasileiros registaram uma pontuação média de 17%, com a retalhista de origem holandesa C&A a ficar em primeiro lugar, com 53%. Oito das 20 retalhistas tiveram uma pontuação de zero porque os seus websites e relatórios não revelam qualquer informação e não responderam a um questionário sobre áreas como rastreabilidade da cadeia de aprovisionamento e políticas. «A informação sobre cadeias de aprovisionamento está muitas vezes escondida nos websites ou alojada em websites externos que são difíceis de encontrar, em relatórios anuais com mais de 300 páginas ou simplesmente não estão disponíveis», constata Eloisa Artuso, diretora de projeto da Fashion Revolution Brazil. «Como é que podemos tomar melhores decisões sobre o que compramos quando a informação está completamente ausente ou se apresenta em formas tão diferentes ou aborrecidas?», questiona a diretora de projeto. Uma porta-voz do Ministério do Trabalho e Emprego recusou fazer comentários por não conhecer o estudo, mas adiantou, citada pela Thomson Reuters Foundation, que o Ministério resgatou este ano mais de 1.200 trabalhadores de condições semelhantes à escravatura. O Brasil tem a quarta maior indústria de vestuário do mundo, com 1,5 milhões de trabalhadores diretos, sobretudo mulheres, refere a Fashion Revolution. A indústria é fragmentada e informal, com milhares de emigrantes subcontratados na Bolívia e no Paraguai a costurarem as roupas em fábricas sem condições para retalhistas brasileiros conhecidos. Segundo a Fashion Revolution, foram encontradas fábricas sem condições que produziam vestuário para a Zara – que surge no terceiro lugar neste índice – em 2011, depois de um fornecedor ter sido acusado de trabalho escravo. O Brasil reconheceu oficialmente a utilização de trabalho escravo em 1995 e começou a lançar investigações surpresa que libertaram cerca de 50 mil pessoas de condições semelhantes à escravatura, nomeadamente na indústria madeireira e da cana-de-açúcar. «Somos a favor da transparência global, não apenas na indústria têxtil mas em todos os sectores», assegura Fernando Pimentel, presidente da ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

5Noiva real veste… Peter Pilotto

A escolha da Princesa Eugenie, neta de Isabel II de Inglaterra, pela Peter Pilotto para criar o seu vestido de noiva colocou a casa de moda, cujos destinos criativos são liderados por Peter Pilotto e Christopher de Vos, sob as luzes da ribalta. Eugenie, de 28 anos, a filha mais nova do Príncipe Andrew e Sarah Ferguson, Duquesa de York, deu o nó com Jack Brooksbank na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor, na passada sexta-feira, 12 de outubro, envergando um vestido de linhas simples, com mangas compridas e corte princesa e, deliberadamente, com um profundo decote nas costas que mostrava a cicatriz da operação a que foi submetida em criança para corrigir a coluna devido à escoliose. Pilotto e de Vos, que se conheceram quando estudavam na Royal Academy of Fine Arts em Antuérpia, na Bélgica, são conhecidos pela sua estética gráfica e colorida, que esteve bem patente na mais recente coleção, para a primavera-verão 2019, apresentada recentemente na Semana de Moda de Londres. Ao contrário de Sarah Burton, da Alexander McQueen, e de Clare Waight Keller, da Givenchy, que criaram os vestidos de noiva de Kate Middleton e Meghan Markle, nenhum dos dois designers da Peter Pilotto é britânico, tornando a escolha de Eugenie num exemplo de potenciais complicações que podem advir do Brexit. Os designers são austro-italiano (Pilotto) e belga-peruano (de Vos). Apesar de estarem sediados em Londres desde o lançamento da marca, em 2007, Pilotto já referiu que 70% da sua equipa nasceu fora do Reino Unido e que, dependendo dos termos negociados para a saída do país da União Europeia, «as pessoas vão ter de migrar novamente».

6Substitutos do pelo não convencem

A cidade de Los Angeles é um dos casos mais recentes a proibir a utilização e a venda de pelos, depois de dois sites de comércio eletrónico detidos pela Yoox Net-a-Porter e marcas como a Burberry e Gucci estarem a abandonar os pelos naturais. «Acham que usar pelos hoje ainda é moderno? Não creio. E é por isso que não estamos a fazê-lo», afirmou o CEO da Gucci, Marco Bizarri, numa intervenção no ano passado na London College of Fashion. A alternativa têm sido os pelos falsos, cuja origem remonta a 1860, quando tentativas de mimetizar pelos animais em vestuário de criança foram noticiados na Harper’s Bazaar. No início do século XX, o pelo falso usa pelo de alpaca da América do Sul. O que chamamos hoje de pelo falso começou nos anos 40 do século passado e tem como origem polímeros acrílicos. Mais recentemente, o pelo falso que surge em casacos da H&M, Zara e outras retalhistas da fast fashion é feito com polímeros de modacrílico. Mas estes produtos levantam igualmente questões de sustentabilidade. Os modacrílicos são produtos à base de petróleo, por isso são poluentes na sua produção. Tal como outras fibras sintéticas, também libertam microfibras nas lavagens – um casaco polar de poliéster, por exemplo, pode libertar um milhão de fibras por lavagem, cada uma delas com um comprimento inferior a um milímetro e que, na maioria das vezes, acabam no oceano. E quando acaba a vida útil, não pode ser reciclado, acabando num aterro, onde não se degrada, aponta um artigo da Quartz. Quando se compara a pegada ambiental do pelo real, não é evidente, por isso, qual é realmente melhor para o planeta. «Se estivermos a falar de um quilo de pelo de coelho versus um quilo de poliéster, o pelo de coelho é capaz de ganhar», refere um artigo da Refinery 29. Há atualmente em curso tentativas de criar pelo a partir de células estaminais em laboratório – que é semelhante ao movimento de “carne falsa” que está a criar hambúrgueres em laboratório – e usar mais ingredientes de plantas para pelos falsos, mas ainda não há uma solução perfeita.