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  1. Burberry lança novos produtos mensalmente
  2. Chineses inovam no controlo de qualidade
  3. Walmart compra retalhista online de roupa interior
  4. Camboja continua a crescer nas exportações
  5. VF Corp quer contrariar guerra comercial
  6. É preciso ir mais longe nos direitos humanos!

1Burberry lança novos produtos mensalmente

A marca de luxo britânica vai lançar novo produtos todos os meses, juntando-se, deste modo, a numerosos rivais de gama alta na experimentação de ciclos de produção curtos, numa aposta que visa manter os consumidores ligados à Burberry. Os novos produtos serão lançados no dia 17 de cada mês, com o objetivo de «entusiasmar os consumidores com novos lançamentos e comunicação constante». Os lançamentos mensais, desenhados pelo diretor criativo Riccardo Tisci, batizados B Series, vão variar na escala e disponibilidade. O primeiro lançamento contou com a edição limitada de uma t-shirt unissexo branca e uma camisola com o novo monograma da Thomas Burberry a vermelho. A primeira B Series foi disponibilizada à meia noite do dia 17 de outubro e esteve disponível durante 24 horas, exclusivamente no Instagram da Buberry, nas contas WeChat, e, pela primeira vez, nas plataformas Line e Kakao. A iniciativa B Series foi apresentada como parte de uma série de lançamentos anunciados por Tisci, antes do seu desfile de estreia na Burberry. A próxima B Series estará disponível a 17 de novembro. A casa de moda segue, deste modo, uma prática já adotada por várias marcas de gama alta. De acordo com a Reuters, a Moncler abandonou as passerelles, no ano passado, para se focar precisamente em lançamentos mensais, nas suas próprias lojas, enquanto que a marca de streetwear Supreme usou os seus chamados «product drops» para transformar hoodies em artigos de culto. A Burberry explicou em setembro que o seu plano de criação de coleções mais específicas poderá ajudar a limitar os desperdícios. Isto depois de estar sob fogo por destruir, no ano passado, quatro milhões de dólares em stock (cerca de 3,5 milhões de euros). Segundo o seu relatório anual, o valor monetário de produtos acabados que a marca destruiu em 2018 subiu 6,3%, de 26,9 milhões em 2017 para os 28,6 milhões de libras (30,46 milhões de euros) em 2018, incluindo 10,4 milhões de libras ne destruição do seu inventario de beleza. A casa britânica defendeu a sua decisão em julho, referindo que os produtos foram destruídos de uma «forma responsável», garantindo mais tarde que iria colocar um ponto final na prática de destruir produtos que não são vendidos, com efeito imediato.

2Chineses inovam no controlo de qualidade

A Universidade Politécnica de Hong Kong (PolyU) desenvolveu um sistema inteligente que deteta defeitos nos tecidos, usando tecnologias avançadas, incluindo Inteligência Artificial e Deep Learning. O WiseEye foi pensado para ajudar no processo de controlo de qualidade dos têxteis. O sistema minimiza eficazmente as possibilidades de produzir tecido de qualidade inferior em 90%, diminuindo consequentemente as perdas e desperdícios na produção. A PolyU garante que a inovação ajuda a reduzir a mão de obra, assim como a melhorar a gestão automática da produção têxtil. «O WiseEye é um sistema único de inspeção, baseado em IA, que satisfaz as exigências dos produtores têxteis», afirmou o docente Calvin Won. «É um sistema integrado com várias componentes que executam diferentes funções no processo da inspeção», explicou. O sistema incorpora a tecnologia LED e uma câmara para capturar imagens de toda a amplitude do material tecido durante o processo de tecelagem. As imagens são capturadas e processadas por um algoritmo baseado em IA, para detetar defeitos no tecido. A informação recolhida em tempo real no processo de deteção é posteriormente enviada para o sistema informático. As estatísticas analíticas e o alerta podem ser gerados e demonstrados como tal e quando necessário. Suportado por uma tecnologia baseada em IA, o WiseEye pode ser instalada num tear para permitir detetar defeitos instantemente no processo produtivo. Atualmente, os produtores de tecidos confiam nas capacidades humanos para inspecionar o tecido a olho nu. Devido a fatores humanos, como a negligência ou fadiga física, a deteção de defeitos é normalmente inconsistente e não confiável, refere a PolyU. Os produtores também tentaram usar outros sistemas de inspeção dos tecidos, mas essas soluções não foram capazes de responder as necessidades da indústria. A equipa de investigação aplicou tecnologias de Big Data e Deep Learning no WiseEye. Ao colocar informação de milhares de jardas de tecido no sistema, os cientistas programaram o sistema para detetar cerca de 40 defeitos comuns no tecido, com uma precisão de alta resolução até a 0,1 mm/pixel.

3Walmart compra retalhista online de roupa interior

O gigante do retalho norte-americano expandiu o seu portefólio de comércio eletrónico com a aquisição da retalhista líder de roupa íntima online Bare Necessities. A aquisição encaixa na estratégia comercial do grupo, que inclui dois tipos de empresas: líderes de categoria com conhecimentos especializados e uma gama de produtos que podem melhorar a experiência do consumidor no Walmart.com e na Jet.com e marcas digitais que ofereçam produtos únicos que os consumidores não podem encontrar em mais nenhum lugar. A Bare Necessities encaixa-se no primeiro, segundo a Walmart. A empresa oferece mais de 100 mil artigos em stock de mais de 160 marcas, incluindo uma gama extensa de lingerie, roupa de banho, shapewear e pijamas. «A roupa interior é uma categoria que está a crescer significativamente online, tem produtos complexos e altamente especializados», afirma Denise Incandela, chefe do departamento de moda na Walmart US e-commerce. «A Bare Necessites traz um conhecimento profundo no segmento, uma oferta desenhada para educar compradores de roupa interior, assim como uma relação muito forte entre as marcas e capacidades operacionais», acrescentou. A Bare Necessities vai continuar a funcionar no seu website, como até agora, vai ser uma marca independente e complementar outras plataformas de comércio eletrónico da Walmart. A empresa assegura que irá trabalhar de modo a integrar a gama de produtos da Bare Necessities na Walmart.com e Jet.com, de forma a que conquiste mais clientes. Como parte da aquisição, Noah Wrubel, CEO e cofundador do Bare Necessities, vai liderar a categoria de roupa íntima tanto na Walmart.com como na Jet.com, enquanto continua a liderar a Bare Necessities. Esta foi a segunda aquisição da Walmart numa semana, poucos dias depois de anunciar a compra da Eloquii, marca de modelos grandes, à medida que explora um sector em crescimento do mercado.

4Camboja continua a crescer nas exportações

As exportações de vestuário, calçado e artigos de viagem no Camboja aumentaram 16,1% no primeiro semestre do ano, em comparação com 2017, num crescimento consecutivo nos últimos dois anos. De acordo com o relatório “East Asia and Pacific Economic Update” do World Bank, as exportações de vestuário, calcado e artigos de viagem subiram 8,3% no final de 2017. Consistente com esta tendência, as importações de tecido, em grande medida usadas como material para produção de vestuário, cresceram 37,1% durante os primeiros seis meses de 2018, registando-se, assim, três anos de crescimento consecutivo. As empresas de Camboja compram cerca de 30% dos seus materiais localmente e uma grande parte destes são adquiridos a empresas internacionais que operam no país, revela o relatório.
A economia do Camboja também continua a crescer fortemente, e em contraste um cenário de “melhor do que era esperado” nas exportações, o aumento do consumo e o sentimento otimista dos investidores fazem com que o World Bank aumentasse a sua previsão de crescimento. Tendo como base as exportações e gastos do Governo, é expectável que o crescimento do Camboja acelere ligeiramente para 7% em 2018, comparado com os 6,9% de 2017, mas irá abrandar para 6% em 2019 e 2020. «As expetativas de crescimento em economias mais pequenas são geralmente favoráveis, refletindo uma procura doméstica forte a médio prazo», refere o relatório. «As previsões de crescimento mantêm-se fortes no Camboja, Laos, Mongólia e Birmânia, estimando-se que as taxas de crescimento anual em cada país sejam, em média, de 6%, para o biénio 2018-2020. Uma procura externa forte no início de 2018 foi a fonte essencial do crescimento para países com sectores ligados a exportação com maior dimensão, como o turismo e o vestuário, incluindo no Camboja, Tailândia e Vietname. Olhando para uma visão geral do Camboja, no re:source, a industria de vestuário local cresceu rapidamente desde o início de 1990 e é agora o maior sector de produção do pais, valendo 6,8 mil milhões de dólares, o que representa cerca de 80% das exportações. O Camboja é um dos maiores beneficiários do plano de isenção de impostos “Everything But Arms” da UE, mas a Comissão Europeia lançou um procedimento para retirar o acesso do país ao programa comercial devido às violações dos direitos humanos.

5VF Corp quer contrariar guerra comercial

O gigante do vestuário norte-americano quer diminuir a perceção de que a guerra comercial entre os EUA e a China poderia ser preocupante para o seu negócio. A proprietária da Timberland e da The North Face revelou os resultados anuais a 19 de outubro, anunciando um aumento no lucro líquido de 31%, para 507,1 milhões de dólares (aproximadamente 444 milhões de euros), e de 15% nas receitas, para 3,9 mil milhões de dólares. O grupo também superou as suas estimativas anuais, antevendo receitas de «pelo menos» 13,7 mil milhões de dólares. Aos investidores, no momento de divulgação dos resultados, a VF Corp adiantou que está a «monitorizar de perto» a situação comercial ente a China e os EUA, já que 11% do seu custo total de produtos vendidos vão diretamente para os EUA a partir da China. Recentemente, a China implementou tarifas de 60 mil milhões de dólares em produtos norte-americanos, em retaliação à imposição do presidente dos EUA, Donald Trump, de taxas no valor de 200 mil milhões de dólares sobre os artigos chineses. Stephen Rendle, CEO e presidente da VF Corp, garantiu aos investidores que a empresa está numa posição favorável, apesar das tarifas, graças à força da sua cadeia de aprovisionamento global. «Ao potenciar a nossa cadeia de aprovisionamento, posicionamo-nos para atendermos a mudanças adicionais no clima de negociações com a China. Além disso, temos a capacidade de reposicionar a nossa presença global nas aquisições, no imediato, para atenuar o impacto potencialmente negativo que tarifas adicionais podem representar», afirmou Rendle. Numa altura em que mais empresas procuram fornecedores em países vizinhos, em detrimento da China, o CEO foi questionado sobre uma eventual previsão de aumento de preços e, também, se os vendedores chineses estavam a fazer algum tipo de concessões para manter o negócio no seu país. «Até a data… não vimos nenhum aumento de preços e a nossa cadeia de aprovisionamento procura gerir a nossa presença mundial nas aquisições», respondeu. «Não significa que não haverá no futuro. Acho que, como trabalhamos tão bem com o nosso grupo de vendedores em todo o nosso negócio, seremos capazes de realmente igualar a produção por país, baseados nos lugares onde as tarifas estão mais favoráveis, por onde entram os produtos. Nada na China nos traz alguma preocupação, que não vamos ser bem tratados. Acho que isto está relacionado com a força das nossas relações». Rendle acrescentou que a empresa continua a «monitorizar de perto a situação» e está «ativamente envolvida no planeamento de possíveis cenários». «Temos trabalhado para reduzir a nossa exposição à China há muitos, muitos anos. Com 11% das nossas importações, podemos baixar esse número se necessário ou podemos mantê-lo». O CEO admitiu ainda que a VF está «satisfeita» com o recente acordo comercial entre os EUA, México e Canadá para substituir o NAFTA – que agora se chama United States-Mexico-Canada Agreement (USMCA). «Conversámos sobre os benefícios mais significantes do NAFTA e o impacto no nosso negócio prevê-se mínimo», assegurou.

6É preciso ir mais longe nos direitos humanos!

São cada vez mais os investidores que começam a tomar conhecimento dos riscos da não aplicação dos direitos humanos e a pressionar as empresas para que se esforcem na prevenção de abusos, mas há ainda há um longo caminho pela frente, revela um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Muitas empresas estão a priorizar o lucro em relação aos direitos humanos, ignorando as suas obrigações, enquanto os Governos «falham na regulação e em dar o exemplo», afirma um grupo de especialistas das Nações Unidas. Num relatório publicado pela ONU, as empresas estão a ser encorajadas a cumprir os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, que fornecem uma estrutura em como os Estados e os investidores devem abordar lacunas nas salas de reuniões e nas práticas empresariais, a todos os níveis. O presidente do Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, Dante Pesce, explicou que a diligência dada aos direitos humanos foi «fundamentalmente no sentido de prevenir os impactos negativos nas pessoas», refere o just-style.com. O responsável esclareceu que identificar e ser transparente quanto a riscos é o primeiro passo na prevenção de abusos. «Garantir que os direitos humanos são respeitados no interior das suas atividades e cadeias de valor é a contribuição mais significativa que as empresas podem dar, rumo a um desenvolvimento sustentável», acrescenta. O relatório do Grupo, apresentado na assembleia geral da ONU, adianta que cada vez mais investidores estão a analisar e a pressionar empresas para que lidem com os riscos dos direitos humanos e previnam abusos, mas também que há mais investidores que deveriam tomar a mesma atitude. O relatório aponta que algumas empresas, em várias indústrias, estão a liderar o caminho, mas que a maioria dos negócios parece estar alheia às suas responsabilidades ou é incapaz de implementar a diligência devida dos direitos humanos. Na performance governativa, o grupo de especialistas descobriu um desenvolvimento político e legal promissor, mas também que mais ações são necessárias. «Apesar de uma imagem geral de progresso lento, as boas notícias são que as devidas diligências aos direitos humanos podem ser feitas», afirma Dante Pesce, insistindo que as empresas já não podem culpar a falta de conhecimento para a inação. «As provas sugerem claramente que fazer a coisa certa é também ser inteligente», garante. O respeito das empresas pelos direitos humanos e a aplicação dos direitos humanos estarão em foco no Fórum sobre Negócios e Direitos Humanos da ONU, que acontecerá em Genebra, na Suíça, de 26 a 28 de novembro.