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  1. Riccardo Tisci dá nova energia à Burberry
  2. Vestuário inteligente mais próximo do quotidiano
  3. ITV da Índia perde para a concorrência
  4. Grupo chinês Ruyi quer destronar LVMH
  5. Retalho online vai dominar no Reino Unido
  6. PrimaLoft desenvolve tecido sintético degradável

1Riccardo Tisci dá nova energia à Burberry

O rebranding da Burberry está a ser um sucesso, tendo em conta os resultados do primeiro semestre do ano. «O reposicionamento da marca está em curso, com uma forte resposta inicial», revela a casa de luxo, acrescentando que está com uma energia renovada «pelos resultados iniciais». A coleção de estreia de Riccardo Tisci, Kingdom, está a registar uma recetividade «excecional», tendo em conta «a resposta inicial de influenciadores, imprensa, compradores e consumidores», afirma a Burberry. Esta recetividade não se traduziu diretamente em vendas, por enquanto, com o volume de negócios nos seis meses até 29 de setembro a descer 3%, para 1,22 mil milhões de libras (aproximadamente 1,4 mil milhões de euros). Mas a Burberry explicou os resultados com o facto de os números excluírem as vendas por grosso de produtos de beleza, que são agora geridas pela Coty – se acrescentasse esses números, as vendas teriam aumentado 3%. As vendas a retalho permaneceram estagnadas em 944 milhões de libras, mas subiram 2% a câmbios neutros. As vendas comparáveis aumentaram 3%. A empresa britânica registou também um «bom crescimento» no digital, com o aumento das vendas diretas ao consumidor a serem lideradas pela Ásia-Pacífico, enquanto a colaboração com a Farfetch «continuou a ter uma performance acima das suas expectativas». O lucro bruto subiu 36%, para 174 milhões de libras, a mesma taxa de crescimento do lucro operacional, que atingiu 173 milhões de libras. Face aos resultados, a Burberry manteve as previsões para o ano fiscal de 2019, incluindo a perspetiva de poupar 100 milhões de libras em custos.

2Vestuário inteligente mais próximo do quotidiano

Uma nova investigação pode finalmente permitir que vestuário alimentado com eletricidade possa ser usado no dia a dia. Até agora, o vestuário inteligente tem sido mais uma ideia do que um facto, uma vez que as pessoas não querem usar uma t-shirt que rastreia dados de saúde mas que para isso exige carregar uma bateria pesada. Além disso, a maior parte deste vestuário inteligente coloca problemas nas lavagens. Uma equipa da Universidade de Massachusetts Amherst, liderada pela investigadora de materiais Trisha L. Andrew, encontrou, contudo, uma forma de armazenar energia nos tecidos sem ter de usar células de energia pesadas. O método consiste numa técnica especial de costura que usa linhas condutoras revestidas com um filme polimérico para embeber uma rede flexível de elétrodos no têxtil, permitindo que este armazene energia suficiente para alimentar diversos dispositivos eletrónicos, desde sensores de temperatura a sensores de movimento. Trisha L. Andrews afirma que o método pode ser «escalado e continua a ser eficiente em termos de custos» para a produção em massa. Os métodos anteriores usam essencialmente fios metálicos alimentados a bateria para bordar circuitos em vestuário, mas não é possível lavar a peça de vestuário e os fios têm de permanecer cobertos, pelo que não é prático para o uso no quotidiano nem para a utilização a longo prazo. Esta nova tecnologia pode permitir vestuário inteligente que monitorize os sinais vitais ou que guie alguém pela cidade através de pequenos toques hápticos. A equipa de investigação está a trabalhar com o Personalized Health Monitoring Center do Amherst Institute for Applied Life Sciences, da universidade, para fabricar uma peça de vestuário capaz de seguir a passada e os movimentos das articulações de um paciente ao longo de um dia e fornecer dados importantes sobre lesões e doenças.

3ITV da Índia perde para a concorrência

O sector de pronto-a-vestir indiano registou um declínio de 10% nas exportações nos primeiros seis meses do ano fiscal de 2018, provocado pela concorrência de países próximos e pela falta de acordos comerciais benéficos. Entre abril e setembro, as exportações de vestuário da Índia caíram 10,7%, para 528,14 mil milhões de rupias (cerca de 6,47 mil milhões de euros), em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o jornal indiano The Tribune. O presidente do conselho de administração do Apparel Export Promotion Council, HKL Magu, explicou ao jornal que o declínio se deve a vários fatores, nomeadamente a uma descida no comércio mundial e a concorrência acérrima de países como o Bangladesh, Vietname e Camboja. «O que é preocupante para nós é que as exportações do Bangladesh aumentaram 15%», apontou ao The Tribune. «Em comparação com a Índia, os produtos fabricados no Bangladesh são 10% mais baratos. Além disso, o Bangladesh tem um acordo de comércio livre com a UE. E há uma taxa de 10% no vestuário pronto-a-vestir produzido na Índia», revelou. Países como o Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka e Vietname têm uma vantagem, em termos de taxas, de 9,6% na maioria dos mercados europeus. No mês de setembro, as exportações de vestuário da Índia caíram 26% como resultado de um agravamento nos custos de produção e falta de acordos de comércio livre na maioria dos mercados. O declínio surge um mês depois de o governo indiano ter aumentado as taxas sobre as importações de mais de 300 categorias têxteis numa tentativa de proteger a indústria do país.

4Grupo chinês Ruyi quer destronar LVMH

O grupo chinês Shandong Ruyi está em busca de novos negócios para adquirir mais marcas de luxo acessível, numa ação pensada para criar o primeiro império chinês de moda de gama alta e, eventualmente, desafiar o conglomerado francês do luxo LVMH. O presidente do conselho de administração, Qiu Yafu, que liderou uma série de negócios nos últimos tempos, incluindo a aquisição da alfaiataria Gieves & Hawkes e da marca de luxo suíça Bally, afirmou à Reuters que a empresa vai centrar-se no luxo acessível, onde antevê crescimento mesmo face a um abrandamento económico generalizado. O magnata chinês, que começou como aprendiz numa das unidades têxteis da Ruyi aos 17 anos, tem conseguido assumir o controlo de várias marcas europeias através de aquisições agressivas no valor de milhões de euros, incluindo a casa de moda francesa SMCP e a marca britânica Aquascutum. Qiu revelou que o grupo Ruyi pretende tornar-se tão grande quanto o LVMH, embora tenha acrescentado que tal não irá acontecer de um dia para o outro. «A LV é uma empresa conhecida e reconhecida mundialmente. É o nosso modelo. Ainda estamos longe mas essa é a nossa visão», adiantou à Reuters. «Se vai demorar cinco anos, 10 anos, até mais tempo, ou será para uma próxima geração ou uma melhor equipa conseguir isso? É um projeto e um desafio muito importantes. Pode até ser impossível. Mas não significa que não devamos aprender, imitar ou pedir emprestadas ideias», acrescentou. O presidente do conselho de administração do Ruyi avançou que vai perseguir negócios com marcas «trendsetter» com perspetivas de desenvolvimento sustentáveis, estando menos interessando em marcas ligadas à «música pop, que servem apenas os gostos das pessoas durante algum tempo mas não duram». Segundo explicou, «o Ruyi tem requisitos firmes e específicos e um posicionamento estratégico para as marcas de moda. Estamos sempre a estudar e a analisar as marcas que se enquadram nesse posicionamento de alta qualidade, elevado crescimento e preços altos». O Ruyi quer ajudar as marcas a conquistar o mercado de moda da China, que a consultora Euromonitor aponta como devendo valer 2,2 biliões de yuans (cerca de 280,1 mil milhões de euros) em 2022, um aumento de 10% face ao seu tamanho atual. Com presença em 84 países, o volume de negócios anual da Ruyi ultrapassa os 20 mil milhões de yuans.

5Retalho online vai dominar no Reino Unido

As compras de vestuário e calçado através de retalhistas que estão apenas na internet deverão aumentar 67,4% nos próximos cinco anos no Reino Unido, atingindo 7,5 mil milhões de libras (aproximadamente 8,6 mil milhões de euros) em 2023, representando mais de um terço das compras online de vestuário e calçado. O estudo da empresa de análise de dados GlobalData revela ainda que o crescimento das vendas de players puros online inovadores vai ultrapassar as do sector online (antecipa-se que seja de 40,3%), uma vez que os retalhistas multicanal têm dificuldade em manter-se a par das rápidas mudanças. De acordo com o estudo “Online pureplayers in UK clothing & footwear 2018-2023”, o futuro será negro para os atores da moda que não têm ainda uma forte penetração no canal digital. «Embora os retalhistas multicanal dominem o consumo online em vestuário e calçado, estão sob ameaça dos atores puramente online que estão continuamente a desenvolver a sua proposta para oferecer a melhor experiência de compra», explica Sofie Willmott, analista sénior de retalho na GlobalData. Juntamente com grandes players como a Asos e a Amazon, que em conjunto representam mais de 40% do consumo em vestuário e calçado de atores unicamente online, há vários retalhistas novos que estão em busca de uma quota do mercado. A notoriedade da marca PrettyLittleThings, e respetivo volume de negócios, cresceu extraordinariamente nos últimos anos, devendo ultrapassar a marca Boohoo em 2018 e tornar-se na quarta maior retalhista apenas online no mercado de vestuário e calçado da internet. «Para os retalhistas multicanal atraírem consumidores online, têm de assegurar que a experiência que oferecem corresponde aos dos puros players online, incluindo rapidez, custos baixos e uma escolha variada de opções de encomenda e características que tornem a compra de vestuário e calçado online divertida e fácil», resume Sofie Willmott.

6PrimaLoft desenvolve tecido sintético degradável

A especialista em tecidos de performance PrimaLoft lançou o que afirma ser o primeiro tecido sintético 100% reciclado e biodegradável. O novo material, batizado PrimaLoft Bio Performance Fabric, deverá estar disponível no outono de 2020 e significa que uma peça de vestuário pode agora regressar completamente à natureza. «A PrimaLoft está a estabelecer uma nova norma na indústria ao dar aos consumidores vestuário biodegradável usando o conjunto de isolamentos e tecidos de performance da PrimaLoft Bio», refere a empresa. A tecnologia permite uma taxa acelerada de biodegradação sem comprometer a performance, o aspeto ou o toque da peça de vestuário. Enquanto as fibras da PrimaLoft Bio se quebram a uma taxa mais rápida, o poliéster normal mantém-se praticamente intacto sob as mesmas condições. As fibras foram também pensadas para suportarem as exigências do processo da produção de tecido, ao mesmo tempo que mantêm as suas propriedades de performance e biodegradação, indica a empresa. «As fibras PrimaLoft Bio quebram quando expostas a ambientes específicos – como um aterro ou o oceano», afirma a empresa. «A PrimaLoft melhorou as fibras para serem mais atrativas para os micróbios encontrados nestes ambientes. Os micróbios comem as fibras a uma taxa mais rápida, devolvendo-as aos elementos naturais», acrescenta. A nova tecnologia combate o crescente problema do microplástico no mar.