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  1. Ispo premeia fato de ski com rede de pesca
  2. Exportações turcas de vestuário em queda
  3. Tensão entre EUA e China pesa no algodão
  4. Volcom rastreia orgânico até às quintas
  5. Reciclagem de fibras exige melhorias
  6. Puma lança sapatilhas que apertam sozinhas

1Ispo premeia fato de ski com rede de pesca

Um fato de ski produzido a partir de redes de pesca recicladas apresentado pela empresa espanhola Ternua Group foi o grande vencedor dos Ispo Awards. 43 jurados de 12 países escolheram o Blackcomb como o melhor produto de camada intermédia na categoria de desportos de neve na maior feira de desporto, em Munique. O prémio marca a terceira vez que a Ternua recebe um Ispo Gold. O fato, que pode ser reciclado no final da sua vida útil, é fabricado com Dryshell Active Flex, uma nova tecnologia desenvolvida pela Ternua que combina 65% de poliamida reciclada de redes de pesca já sem utilidade recolhidas na Cantabria, e 35% elastano. «Este prémio reafirma que estamos no caminho certo», afirma o diretor de inovação da Ternua, Eduardo Uribesalgo. «Para nós é importante fazer as coisas certas, mas acima de tudo, estamos preocupados em fazê-las da forma correta. Queremos desenvolver vestuário que protege as pessoas, que é desenhado de forma cuidada e em que os detalhes foram bem pensados, mas também queremos proteger o planeta usando materiais que são reciclados e recicláveis e com tratamentos impermeáveis sem PFCs», acrescenta Uribesalgo.

2Exportações turcas de vestuário em queda

As exportações de vestuário da Turquia registaram um ligeiro declínio no mês de janeiro em comparação com o período homólogo de 2018, de acordo com os números da Associação de Exportadores de Vestuário de Istambul (IHKIB). Em janeiro, as expedições de vestuário e pronto-a-vestir ascenderam aos 1,4 mil milhões de dólares, menos 0,4% do que no mesmo mês de 2018. A União Europeia foi o principal mercado para as exportações de vestuário, representando 72,1% do total. Os envios para a Alemanha subiram 10,4%, para 271,9 milhões de dólares, e somaram mais 7% para Espanha, para 175,5 milhões de dólares. Já os envios para o Reino Unido desceram 4,8%, para 147,5 milhões de dólares. No mês passado, o presidente da IHKIB, Mustafa Gultepe, afirmou que a Turquia tem como objetivo um aumento de 10% nas exportações de vestuário em 2019. A Turquia é, segundo a ferramenta de planificação re:source by just-style, um dos 10 maiores exportadores mundiais de têxteis e vestuário graças à qualidade dos seus produtos, proximidade com a Europa e a Ásia, mão de obra qualificada e uma cadeia de aprovisionamento interna bem desenvolvida. O país beneficia atualmente de acesso sem taxas à UE. Para além dos problemas que um Brexit sem acordo pode criar, a Turquia enfrenta ainda um outro desafio: a iniciativa “Uma faixa, uma rota”, promovida pela China para ligar o Extremo Oriente à Europa, que pode ser, segundo alguns especialistas, uma “faca de dois gumes” para o país.

3Tensão entre EUA e China pesa no algodão

O consumo mundial de algodão deverá ser maior em 2018, mas as tensões comerciais e a crescente concorrência de outros países produtores devem levar a um declínio na quota de mercado dos EUA. No seu mais recente estudo “Annual Planting Intentions”, o National Cotton Council (NCC) enumera alguns fatores essenciais que irão moldar as previsões económicas para a indústria americana de algodão em 2019. «Este último ano pode ser caracterizado como um ano com uma incerteza significativa e volatilidade na economia mundial e no mercado mundial de algodão», explicam os economistas do NCC. «Para estas previsões, a decisão final sobre as taxas é uma carta significativa que vai impactar o mercado mundial», acrescentam. Com base em declarações positivas resultantes de negociações recentes entre os EUA e a China, o NCC assume que as tarifas adicionais que estão a ser impostas pelos dois países serão eliminadas antes do ano comercial de algodão em 2019. Na análise ao estudo, Jody Campiche, vice-presidente do NCC para análise económica e política, sublinha que apesar do declínio na quota dos EUA, o país vai continuar a ser o maior exportador de algodão em 2018, com as exportações a deverem atingir os 15 milhões de fardos. Antes da imposição de taxas, os EUA estavam numa posição privilegiada para capitalizar o aumento nas importações de algodão da China. Com a taxa de 25% que foi implementada, a China recorreu a outros fornecedores, permitindo que o Brasil, a Austrália e outros países ganhassem quota de mercado. O Vietname é atualmente o principal mercado de expedição para a colheita de 2018, seguido da China e do México. No total, antevê-se que a China importe 7,5 milhões de fardos, o que representa mais 1,8 milhões de fardos do que em 2017. A diferença entre a produção e o consumo de algodão na China cifra-se atualmente nos 13 milhões de fardos, enquanto os níveis de stocks se aproximam de níveis considerados normais. A China deverá, por isso, aumentar as importações em 2019. Ao mesmo tempo, as exportações dos EUA deverão aumentar para 17,4 milhões de fardos em 2019, o que, a concretizar-se, representa o segundo nível mais alto de exportações americanas, só inferior às de 2005. Jody Campiche revela que a produção mundial deverá aumentar em 7 milhões de fardos no corrente ano, para 125,5 milhões de fardos, que será o nível mais alto desde a colheita de 2011. Além disso, os stocks fora da China deverão aumentar para níveis recordes. «Como acontece com qualquer previsão para o futuro, há incertezas e questões desconhecidas que podem mudar o resultado», admite o NCC. «Para o próximo ano, um fator-chave que irá afetar a indústria americana de algodão será a disputa comercial em curso entre os EUA e a China e a taxa de 25% sobre o algodão americano importado pela China. Sob um cenário que mantenha as taxas, a expansão projetada no comércio mundial e a oportunidade para impulsionar o comércio noutros mercados iria permitir que as exportações americanas no ano comercial de 2019 aumentasse em comparação com 2018, mas não tanto como o esperado na ausência de taxas. A imposição a longo prazo de taxas também iria aumentar dramaticamente a probabilidade de perdas permanentes na quota de mercado na China», indica a vice-presidente do NCC.

4Volcom rastreia orgânico até às quintas

A marca americana de lifestyle relacionado com skate, natação e snowboarding estabeleceu uma parceria com a empresa social CottonConnect numa iniciativa que permite rastrear algodão orgânico certificado até às quintas na Índia. A iniciativa Farm to Yarn também proporciona programas sociais e de formação profissional aos agricultores e às mulheres nas aldeias agrícolas de Maharashtra e Madhya Pradesh, onde o algodão é aprovisionado. O lançamento inicial da Farm to Yarn da Volcom produziu cerca de 27 toneladas – que representa aproximadamente 15% da utilização de algodão orgânico da Volcom – de algodão orgânico certificado e completamente rastreável até à quinta de oito aldeias diferentes na região de Madhya Pradesh. Para além dos benefícios sociais, o programa inclui componentes de integridade, como testes a organismos geneticamente modificados para assegurar que as sementes são isentas, rastreabilidade das sementes testadas aos agricultores, garantindo que as mesmas são plantadas, ligação dos agricultores às unidades de descaroçamento e destes às fiações e das fiações às tecelagens, para transparência na cadeia de aprovisionamento. A gama de produtos Farm to Yarn será lançada na primavera de 2019 e irá acrescer à t-shirt de algodão orgânico que a marca já vende há vários anos. «Sem bons parceiros no terreno, um programa como este raramente tem hipótese», reconhece Tony Alvarez, vice-presidente de cumprimento mundial e cadeia de aprovisionamento da Volcom. Já o diretor regional para o sudeste asiático da CottonConnect, Arvind Rewal, considera que «a rastreabilidade é crítica para o futuro do algodão orgânico. Exige que uma marca tenha intenção de mapear a sua cadeia de aprovisionamento. Este projeto é um grande exemplo de como uma empresa está intencionalmente à procura de rastreabilidade numa cadeia de aprovisionamento que alguns diziam ser impossível de mapear».

5Reciclagem de fibras exige melhorias

Um novo estudo que analisa os fatores económicos que influenciam a reciclagem das fibras afirma que são necessárias melhorias em várias áreas, incluindo na integração da cadeia de aprovisionamento e no trabalho para impulsionar a procura por parte de marcas, retalhistas e consumidores antes da indústria poder avançar para um modelo de negócio mais circular. A pesquisa do Waste and Resources Action Programme (Wrap), sediado no Reino Unido, usou dados de empresas emergentes e estabelecidas e ensaios académicos para avaliar a viabilidade financeira de usar vestuário e têxteis pós-consumo como matéria-prima para operações de reciclagem químicas e mecânicas de fibras. O foco no final de vida do vestuário é uma tentativa de criar fontes alternativas às fibras virgens para produzir roupa e apoia o trabalho do Wrap para reduzir o impacto ambiental do vestuário sob o Sustainable Clothing Act Plan 2020. «Sabemos que apenas a construção, transportes e alimentação têm impactos ambientais maiores do que o vestuário e com a procura mundial a crescer temos de urgentemente assegurar novas fontes de matérias-primas e encontrar novos mercados para o vestuário usado. A reciclagem para fibras oferece uma solução potencial – mas é uma opção que não foi devidamente investigada», explica Peter Maddox, diretor do Wrap. «O nosso estudo é o primeiro a explicar a economia por detrás da reciclagem de fibra a fibra e vai ajudar os investidores, responsáveis de desenvolvimento de negócio e o sector da reciclagem a deslocar-se neste campo relativamente novo e desconhecido. Novos processos e atores no mercado devem ser monitorizados para informar sobre o negócio em termos de investimento futuro, mas já vemos potencial para que os têxteis pós-consumo se tornem parte da cena de moda do Reino Unido», acrescenta. O estudo “Fibre to fibre recycling: an economic and financial sustainability assessement” foi realizado antes da previsível escassez de têxteis virgens, que prevê limitações no futuro na oferta de algodão, a fibra mais usada no Reino Unido, com as projeções a sugerirem um défice mundial de cinco milhões de toneladas em 2020. O estudo aponta uma série de potenciais barreiras à reciclagem para fibras no Reino Unido e possíveis medidas para as ultrapassar, nomeadamente a melhoria na recolha e separação de têxteis pós-consumo, a integração da cadeia de aprovisionamento e apoio às entidades que desenvolvem processos de reciclagem de forma a assegurar o acesso a financiamento para escalar os processos e para a comercialização. Em termos das fibras que têm maior potencial para reciclagem, o algodão e o poliéster (em tecidos monofibra e misturas algodão/poliéster) são as principais, aponta o Wrap. A crescente procura por algodão e o potencial de matérias-primas celulósicas recicladas substituírem o algodão aumentam a probabilidade deste material trazer níveis de rendimento viáveis para quem recicla. Limitar a utilização de corantes e acessórios problemáticos também pode ajudar a aumentar o potencial para uma maior reciclagem de peças de roupa. No entanto, é necessário mais trabalho para refinar os modelos económicos e financeiros, à medida que ficam disponíveis mais dados sobre custos e preços na cadeia da reciclagem de fibras. O estudo refere dois modelos – um processo de reciclagem químico e outro mecânico. Com uma maior profundidade de dados, este exercício pode ser expandido para refletir uma maior variedade de técnicas e sistemas e explorar ainda mais a viabilidade financeira. O estudo foi bem acolhido pela Textile Recycling Association. «A fragilidade dos mercados atuais de reciclagem de fibras está a ser uma barreira significativa à melhoria da sustentabilidade da indústria de moda no geral, que sabemos ter um enorme impacto», afirma Alan Wheeler, diretor da Textile Recycling Association.. «Os atuais mercados para fibras recicladas mecanicamente são limitados e para recolher mais roupa do que a que está atualmente a ser deitada fora temos de encontrar novos mercados para fibras recicladas ou arriscar inundar estes mercados e, potencialmente, ter de dispor de têxteis com menos valor de reciclagem. Claramente isso não pode acontecer. Esta pesquisa vai ajudar-nos a obter uma maior compreensão das sensibilidades do mercado, sobretudo dos processos de reciclagem químicos, e como quem recolhe e processa têxteis usados podem ter de adaptar as suas práticas no futuro para maximizar o valor e a reciclabilidade dos têxteis usados», explica Wheeler.

6Puma lança sapatilhas que apertam sozinhas

A marca alemã de sportswear lançou uns ténis com cordões que se apertam sozinhos, naquele que é o primeiro produto da sua nova plataforma tecnológica Fit Intelligence, criada para automatizar e afinar o ajuste de performance para o seu calçado. A Fit Intelligence pode ser usada para itens de vários desportos e lifestyle e faz parte da visão da Puma de produtos de performance que são adaptáveis, dinâmicos e respondem aos atletas e ao seu ambiente. O primeiro modelo é uma sapatilha feita para treino de ginásio e corridas leves. Integra um micromotor para alimentar um sistema de cabos únicos que “atam” os ténis como se fossem cordões, simplesmente através de uma espécie de botão. A capacidade de sensorização inteligente aprende a forma do pé de cada utilizador e adapta o ajuste dos ténis ao indivíduo. Os atletas podem também monitorizar, ajustar e afinar o fit através de uma app no smartphone ou no Apple Watch. «Criámos um produto que fala do futuro do desporto, que é a vida em movimento. É rápida e muda a toda a hora», revela Charles Johnson, diretor de inovação da Puma. A Fit Intelligence é uma evolução da sapatilha adaptativo com ligação sem fios AutoDisc lançado pela Puma em 2016. A tecnologia é mais pequena, mais leve e mais comercial, com uma parte de cima respirável para um treino mais confortável. Tem ainda um sistema de suporte de fibra de nível industrial colocado estrategicamente para segurar de forma ótima o pé. A marca desportiva vai agora testar os ténis junto dos consumidores, solicitando o seu feedback em relação ao design, engenharia e usabilidade dos mesmos, para poder «criar o produto com melhor ajuste inteligente no mercado».