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  1. Fábricas paquistanesas acusadas de abusos
  2. Teijin Frontier lança vestuário “sensível”
  3. Arvind investe em energia solar
  4. Mais de 14 mil milhões de garrafas deram novas fibras
  5. Algodão de volta ao Haiti
  6. Vietname quer aumentar exportações

1Fábricas paquistanesas acusadas de abusos

O governo paquistanês não está a conseguir implementar as leis que podem proteger milhões de trabalhadores da indústria de vestuário de abusos laborais graves. O estudo “No Room to Bargain: Unfair and Abusive Labor Practices in Pakistan”, realizado pela Human Rights Watch, tem por base entrevistas, conduzidas entre junho de 2017 e dezembro de 2018, a mais de 140 pessoas, incluindo 118 trabalhadores do vestuário de 24 fábricas no Paquistão, assim como sindicalistas, representantes do Governo e defensores dos direitos humanos. O estudo destaca o não pagamento do salário mínimo, supressão de sindicatos independentes, horas extra forçadas, pausas insuficientes e o desrespeito da obrigatoriedade de pagar licença de maternidade e ausências por motivos de saúde. A Human Rights Watch também identificou problemas no sistema de inspeção governamental. «Os inspetores do trabalho e de outras autoridades são frequentemente demasiado flexíveis, ou cúmplices, e deixam os abusos persistirem», indica. Os abusos são mais prevalentes em pequenas fábricas de vestuário que servem o mercado doméstico, que muitas vezes são menosprezadas pelos inspetores. «As autoridades do Paquistão devem relançar as inspeções do trabalho e sistematicamente responsabilizar as fábricas pelos abusos», sublinha a Human Rights Watch. Mas também apela para que «marcas domésticas e internacionais de vestuário tomem medidas mais eficientes para evitar e corrigir abusos dos direitos humanos nas fábricas que produzem vestuário para elas». Segundo a Reuters, as duas maiores associações de têxteis e vestuário do Paquistão rejeitaram as alegações e afirmaram que as empresas estrangeiras teriam deixado de se aprovisionar nas fábricas se estas não cumprissem os padrões laborais. «Os nossos membros servem algumas das principais marcas no mundo e cumprem os regulamentos tanto laborais como ambientais do país e aqueles que são seguidos internacionalmente», destacou Hamid Tufail Khan, diretor da All Pakistan Textile Mills Association. Em relação às pausas para ir à casa de banho, Mubashir Naseer Butt, responsável da Pakistan Readymade Garments Manufacturers and Exporters Association, explicou que «se vão passar uma hora aí, naturalmente, isso não é possível». A indústria de vestuário do Paquistão emprega aproximadamente 15 milhões de pessoas. A atual Política Têxtil do país, que decorre de 2015 até 2019, tem como objetivo duplicar as exportações de têxteis e vestuário para 26 mil milhões de dólares (cerca de 23 mil milhões de euros) em 2019.

2Teijin Frontier lança vestuário “sensível”

A Teijin Frontier, a unidade de conversão de fibras do conglomerado japonês Teijin Group, desenvolveu novo sportswear e outras peças de vestuário que integram fibras funcionais e sensores. Os produtos foram feitos com a microfibra de poliéster ultrafina de elevada resistência Nanofront, que tem um diâmetro de apenas 700 nanómetros. O novo vestuário Coaching despoleta um algoritmo que visualiza a diferença entre o movimento real do utilizador e o seu movimento ideal numa determinada altura. A Teijin Frontier afirma que a tecnologia pode ser aplicada a vários cenários, incluindo a melhoria de técnicas desportivas e um apoio mais efetivo aos que estão em reabilitação física. Ao mesmo tempo, o vestuário com sensores monitoriza a atividade elétrica do coração e os níveis de atividade e minimiza o ruído gerado pelo contacto do corpo com o sportswear durante o exercício. Combinando o Nanofront com a tecnologia de sensores de sinais vitais, o vestuário pode ser usado em diversos cenários, incluindo na gestão de equipas desportivas e na previsão de riscos de ataques cardíacos. A Teijin Frontier pretende atingir vendas anuais de 3 mil milhões de dólares (2,66 mil milhões de euros) em áreas como treino desportivo, aplicações no local de trabalho e outras até ao ano fiscal terminado em março de 2021.

3Arvind investe em energia solar

A produtora indiana de denim Arvind Limited revelou planos para reduzir as emissões de carbono em 30% com a instalação de projetos de energia solar nas suas unidades de Ahmedabad, Santej e Bangalore e com a alteração das caldeiras de carvão para biomassa. A empresa tem atualmente instalados painéis solares de 16,2 MW na sua unidade Santej, em Gujarat, no que afirma ser o maior telhado solar numa única localização. A instalação nas suas unidades vai gerar 22 milhões de KMh de energia por ano e vai contribuir para reduzir 20 mil toneladas de emissões de carbono anualmente e mais de 500 mil toneladas de emissões de carbono durante a sua vida útil. Assim que for atingida a capacidade de 40 MW, a geração total vai exceder 55 milhões de KWh e reduzir as emissões de carbono em 50 mil toneladas por ano. «Na Arvind estamos constantemente a procurar formas de sermos “fundamentalmente corretos”, para assegurar que o nosso progresso não prejudica outros atores na sociedade, seja através da água, do algodão, dos químicos ou da energia», destaca o diretor-executivo Punit Lalbhai. «O projeto dos telhados solares faz parte da nossa estratégia de energia renovável que vai reduzir significativamente as nossas emissões de carbono e estamos a trabalhar para nos assegurarmos que cada uma das nossas unidades e escritórios vão, um dia, ser servidos inteiramente por energia renovável. Embora estejamos já a gerir o maior telhado solar no país, vamos continuar a desafiar-nos para aumentar a nossa capacidade de captação solar para 40 MW», acrescenta. A empresa iniciou a primeira fase da sua estratégia de energia renovável em 2016, altura em que instalou 4MW de painéis solares nas suas unidades de Ahmedabad e Bangalore. A segunda fase começou em fevereiro de 2018, com a adição de 17 MW. A terceira fase vai incluir a instalação de unidades solares no chão e em localizações próximas das fábricas, que irão elevar a capacidade total instalada para 40 MW. A atual capacidade de produção de energia solar da empresa é de 21 MW.

4Mais de 14 mil milhões de garrafas deram novas fibras

A gigante do sportswear Nike, a retalhista Target e a produtora de têxteis Polartec estão entre as empresas que usaram o equivalente a mais de mil milhões de garrafas de plástico cada em fibras recicladas. As empresas foram reconhecidas pela produtora de fios Unifi na segunda edição dos prémios Repreve Champions of Sustainability. Um total de 68 empresas foram reconhecidas como “campeãs da sustentabilidade” – um aumento de 36% em comparação com o ano passado – ajudando a Unifi a reciclar mais de 14 mil milhões de garrafas que foram usadas para fazer a sua fibra de performance Repreve. «Este ano, a Nike e a Target juntaram-se à Polartec no Billion Bottle Circle por terem reciclado mais de mil milhões de garrafas cada», aponta Kevin Hall, CEO da Unifi. «A Ford e a H&M reciclaram, cada uma, mais de 250 milhões de garrafas. Adicionalmente, a Adidas, a Hanesbrands, a Under Armour, a Volcom e a Williams-Sonoma são algumas das marcas que atingiram novos marcos. Sentimo-nos encorajados por tantas marcas, retalhistas e parceiros têxteis estarem a aumentar o seu compromisso para com a sustentabilidade e que os consumidores estejam a escolher produtos mais amigos do ambiente», destaca. Hall acrescenta ainda que a Unifi está no caminho para atingir o objetivo de reciclar 20 mil milhões de garrafas até 2020 e 30 mil milhões garrafas até 2022.

5Algodão de volta ao Haiti

A gigante do vestuário e calçado de outdoor Timberland participou na primeira colheita comercial de algodão no Haiti em três décadas, depois de ter contribuído para que o país retomasse uma posição na cadeia de aprovisionamento da fibra. Representantes da marca juntaram-se aos pequenos agricultores que fizeram a colheita na primeira semana de fevereiro, naquele que é um marco do projeto da Timberland com a Smallholder Farmers Alliance (SFA). A Timberland está a trabalhar com a associação desde 2016 para ajudar a reintroduzir a cultura de algodão – que chegou a ser a quarta maior exportação agrícola – no Haiti. A iniciativa pretende criar uma nova cadeia de aprovisionamento sustentável para cultivar algodão orgânico, ao mesmo tempo que traz benefícios sociais e ambientais às comunidades de agricultores do Haiti. «O nosso trabalho com a Smallholder Farmers Alliance para reintroduzir a cultura de algodão toca todos os principais compromissos da Timberland – para criar produtos responsáveis, proteger o meio ambiente e servir as comunidades em todo o mundo», explica Atlanta McIlwraight, gestora sénior de envolvimento com comunidades e comunicação da Timberland. «Em breve teremos uma nova fonte de algodão sustentável para os nossos produtos através de um modelo que também refloresta o Haiti e melhora a vida dos agricultores», acrescenta. No ano passado, a Timberland comprometeu-se a comprar até um terço das suas necessidades anuais de algodão a pequenos agricultores do Haiti, acrescentando que espera lançar produtos feitos com a fibra nos próximos dois anos. A Timberland inicialmente fez uma parceria com a SFA no seu compromisso público de 2010 para plantar 5 milhões de árvores em cinco anos. A SFA cumpriu o compromisso através da aplicação de um novo modelo através do qual os agricultores plantam árvores em troca de sementes, ferramentas, formação e outros serviços agrícolas. Em cinco anos, a SFA atingiu o objetivo de plantar 5 milhões de árvores (atualmente está já em mais de 7 milhões de árvores) e os agricultores participantes registaram, em média, um aumento de 40% nas suas colheitas e um aumento entre 50% e 100% no seu rendimento. A SFA batizou o seu modelo de “moeda árvore”. Agora que a Timberland evoluiu de ser um patrocinador para ser um cliente do algodão orgânico cultivado no Haiti, esta “moeda árvore” continua a ser central para a operação. Alimentada pelo apoio adicional da VF Foundation para investir em infraestruturas, o modelo da SFA vai expandir-se para permitir aos agricultores continuarem a plantar árvores para financiar colheitas de algodão e de produtos alimentares lado a lado e em rotação. Nos próximos cinco anos, a SFA espera plantar mais 25 milhões de árvores e aumentar as exportações de algodão para 10 milhões de libras por ano.

6Vietname quer aumentar exportações

A indústria de vestuário do Vietname quer aumentar as exportações para 40 mil milhões de dólares (35,4 mil milhões de euros) em 2019, um aumento de 10,8% em comparação com o ano anterior, graças à natureza altamente competitiva dos produtos vietnamitas e a investimentos mais elevados na indústria têxtil e de tingimento. O presidente do conselho de administração da Vitas – Associação Têxtil e Vestuário do Vietname, Vu Duc Giang, afirmou que, apesar da turbulência económica mundial, as empresas têxteis do Vietname registaram sinais positivos nas encomendas para 2019, segundo o Vietnam Net. Muitos negócios receberam mais encomendas para a primeira metade do ano, levando a Vitas a colocar como meta 40 mil milhões de dólares em exportações. O sector deverá registar um aumento de 20 mil milhões de dólares e criar emprego e aumento de rendimentos para 2,85 mil milhões de trabalhadores. O Vinatex, um dos principais grupos de têxteis e vestuário do país, indicou recentemente que as suas exportações anuais subiram 10,9% em comparação com o ano anterior, para 3,05 mil milhões de dólares. O diretor-geral do Vinatex, Cao Huu Hieu, revelou que a empresa, tal como a indústria de vestuário em geral, beneficiou de uma mudança da produção da China para os países vizinhos em resultado da guerra comercial entre os EUA e a China, assim como da maior responsividade dos fornecedores locais às exigências de sustentabilidade dos compradores.